• Assinantes
  • Autenticação
  • Cultura

    Vander Lee Cantor e compositor se apresenta em JF com a turnê do disco "Pensei que fosse o céu", ganhador do Prêmio Tim de melhor álbum de música popular

    Fernanda Leonel
    Repórter
    20/06/2007

    Mineiro assumido, com sotaque e influências do "Clube da Esquina", Vander Lee transpôs para a carreira um tanto do que reza a lenda para quem é do estado: devagar, de mansinho, foi caindo nas graças da crítica e do público, para viver um dos melhores momentos de seu sucesso com o novo trabalho.

    Quinto disco e primeiro DVD, "Pensei que fosse o céu" é uma coletânea de velhos e novos sucessos do cantor, temperada com quatro novas canções. Zeca Baleiro, admirador assumido dos "sambas" de Lee, também participa do CD, que ganhou recentemente o Prêmio Tim de Música como melhor álbum de canção popular.

    Vander Lee, mais uma vez, como bom mineiro, não se envaidece como um dos maiores prêmios da música brasileira. Questionado sobre a sua colocação, mesmo figurando no cenário independente da música, o cantor é enfático: "Não estou dando um valor exacerbado a esse assunto, mas também não posso dizer que meu ego não ficou meio afagado".

    No palco do Cine-Teatro Central, o show da nova turnê de Vander Lee ganha ares bairristas, com a participação especial da cantora juizforana Nanda Cavalcanti (conheça a cantora). E o que mais que o mineiro tem? Só conferindo na noite de sexta-feira, 22 de junho, ou na entrevista concedida ao portal ACESSA.com.

    ACESSA.com - Nesses 21 anos de estrada - 10 como profissional - o Vander Lee veio, como um bom mineiro, veio ganhando "terreno" aos poucos, conquistando o seu espaço primeiro com os críticos e agora cada vez mais com o público em geral. Você vê mudanças no seu trabalho ao longo desse tempo? O Vander Lee, cantor e compositor é uma pessoa musicalmente diferente?

    Vander Lee cantando Vander Lee - Nesse tempo, mudou tudo e não mudou nada também. Na verdade, eu continuo tendo a mesma relação com a música, que é uma relação muito diária e de descoberta, de muita intimidade com a construção e o mundo dos versos. Mas as coisas ao meu redor estão mudando. Em torno em mim aconteciam menos coisas, e agora acontecem mais. Mas acho que isso tudo também é conquistado pela própria música.

    Eu ando, graças a Deus, trabalhando bastante, e tendo o aval de muitas pessoas bacanas ligadas a música, e cada vez mais, do Brasil em geral. Eu acho que as pessoas podem ver um Vander Lee mais maduro, com um show mais cuidado, que também é o resultado desse "entorno" que eu acabei de falar. Para quem me acompanha há algum tempo,a idéia é que se possa ter acesso a um show, cada vez mais, de um nível no mínimo razoável para um artista independente como eu sou.

    ACESSA.com - Como foi recebida notícia de melhor álbum de canção popular pelo Prêmio Tim de Música?

    Vander Lee - Para mim foi genial poder estar ali, vivendo aquele momento de condecoração. Como diria Paulo Coelho, e eu concordo com ele, "não é preciso se preocupar muito com o resultado. Quando você vê, já se está fazendo as coisas há muito tempo e já aconteceram muitas coisas também". Eu sou meio assim, levo a vida meio por aí. Não dou um valor exacerbado, mas também não posso dizer que meu ego não ficou meio afagado. Não posso dizer isso.

    ACESSA.com - Você passou por barzinhos, cantou na noite por um bom tempo. De que forma essa experiência de bar, de tocar para todos e todo tipo de música influenciou na sua carreira?

    Vander Lee - Essas experiências são peças da mesma engrenagem. Minhas músicas são todas retalhos de outras músicas. Eu sou aquele cara que imita todo mundo na hora que estou cantando, compondo. Isso é uma qualidade que me deu o resultado de ser um artista único. Eu faço registros únicos, tenho uma forma pessoal de interpretar também. A gente vai descobrindo que nessa história de ser único, há também muitas colagens. O que diferencia, é aquilo que cada um absorve de cada música.

    Dos bares, eu absorvi muitas coisas boas, uma delas, sinceramente, eu acho que foi aprender a lidar com o público não-fã, lidar com aquelas pessoas que não estavam em um local exatamente para ouvir a sua música, como acontece em bares. Então aprendi a lidar mais com as pessoas. Na verdade eu também carrego esse jeitão de músico de bar até hoje, não nego.

    Mão do Vander Lee Pés do Vander Lee

    ACESSA.com - Esse é o primeiro DVD da sua carreira. Ele chegou em boa hora? Retrata a sua carreira como você gostaria que retratasse, resume a sua obra?

    Vander Lee - Na verdade, a gente queria gravar um DVD. A gravadora envolvida no projeto sugeriu que eu apenas fizesse releituras de alguns sucessos, mas eu sugeri de colocar umas inéditas, para valorizar mais. Aí eu incluí quatro músicas e convidei o Zeca Baleiro.

    O DVD tem esse caráter auto biográfico da carreira. Então ele dá uma apanhada nos maiores êxitos e também passa a idéia de um disco mais amoroso. Isso porque, sempre nos discos anteriores o discurso era sempre variado. Nunca consegui fazer um disco que tivesse um discurso do início ao fim.

    As músicas vão surgindo aleatoriamente, e o critério que eu uso para escolher um repertório são outros. Nesse projeto eu pude ter esse critério e acabei fazendo um DVD muito leve, aconchegante. A leveza foi a tônica, então acho que acabamos criando um show bem harmônico.

    ACESSA.com - E como é que surgiu essa parceria com o Zeca Baleiro?

    Vander Lee tocando violão Vander Lee - Incialmente eu convidei o Zeca para cantar comigo "Passional", que é uma música do meu segundo disco que eu queria trazer a tona novamente. E o Zeca gosta muito dos meus sambas, ele sempre fala que gosta desse lado meu. Então, eu aproveitei essa deixa para poder falar sobre isso com ele musicalmente.

    E aí, no processo de combinar e ensaiar - a gente ensaiava pelo telefone - ele mandou uma letra para mim que eu gostei, e rapidamente fiz em cima dela uma coisa meio Martinho da Vila até por sugestão dele.

    É uma brincadeira, uma despretensão musical, acima de tudo. A princípio a música não ia entrar em nada não, a gente só estava usando isso tudo como relaxante, horário de recreio. Homem tem esse jeito de trabalhar mesmo. Fica prestando atenção em tudo, mas contando piada também (risos)

    ACESSA.com - Quais são as apostas do Vander Lee para a Música Popular Brasileira?

    Vander Lee - Eu tenho a alegria de estar fazendo shows bacanas, e nesse processo eu tenho conhecido muita gente legal que me propõem parcerias, que cantam comigo. Enfim, a música no Brasil está em negócio efervecente. Com essa facilidade de se viabilizar uma carreira, do ponto de vista da comunicação, tudo ficou meio confuso. Tem muita gente, muita gente fazendo a mesma coisa sem saber que está fazendo a mesma coisa. Existe uma cópia postural muito grande. Mas a tentativa de ser pop, ela as vezes é mesmo cruel.

    Mas acho que temos também uma volta do samba muito bacana, e nesse projeto da volta do samba, muita gente boa vêem a reboque. Eu destacaria o movimento da volta ao samba, como a coisa mais feliz que está acontecendo na música brasileira.

    Conheça nossos planos e serviços

    (32) 2101-2000

    A melhor internet está aqui!

    Conteúdo Recomendado

    Envie Sua Notícia

    Se você possui sugestões de pauta, flagrou algum fato curioso ou irregular, envie-nos um WhatsApp

    +55 32 99915-7720

    Comentários

    Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.