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    Dado Villa-Lobos O guitarrista, compositor e agora cantor vem a Juiz de Fora
    mostrar que já está bem a vontade na frente do palco


    Fabricio Werneck
    Colaboração
    21/09/2007

    Já era de se esperar que Dado Villa-Lobos contiuasse a trilhar os caminhos da música, tamanho é o peso do sobrenome que carrega. Sobrinho-neto do renomado maestro Heitor Villa-Lobos, Dado fez parte de uma das maiores bandas brasileiras de todos os tempos e que marcou a década de 80. Estamos falando, nada mais, nada menos, do que do guitarrista do mito Legião Urbana.

    Nascido em Bruxelas na Bégica, Eduardo Dutra Villa-Lobos, começou tocando na banda "Dado e o Reino Animal". Em 1983, entrou para a banda Legião Urbana, substituindo o guitarrista Ico Ouro Preto, às vésperas da gravação do primeiro álbum da banda. A partir daí, elaborou a maioria dos arranjos da Legião, juntamente com seu companheiro de banda, o baterista Marcelo Bonfá.

    Antes de se aventurar pelos caminhos da carreira solo, Dado compôs a trilha de filmes como "Bufo e Spallanzani" (vencedor do prêmio de melhor trilha sonora no Festival do Cinema Brasileiro, em Miami) e o "Homem do Ano". Proprietário do selo musical Rock it!, produziu bandas como Ultraman e Devotos. Fez também participações nos álbuns de bandas como Paralamas do Sucesso e Cidade Negra.

    Prestes a completar 11 anos da morte do cantor Renato Russo (11 de outubro de 1996), Dado assume os vocais, bota a cara para bater e mostra todo o seu talento musical. O álbum "Jardim de Cactus" juntamente com um DVD, dentro da série MTV Apresenta, lançados em novembro de 2005, deram o pontapé inicial a sua carreira solo.

    Foto do Dado Foto do Dado Foto do Dado

    O disco mostrou para a crítica que Dado, além de conhecimento e qualidade musical, tem estilo próprio. Quem esperava matar as saudades da sonoridade da Legião, levou um susto. O violão, guitarra, baixo e bateria dividiram espaço com recursos musicais programados em computador, que segunda Dado, abriria novas possibilidades e para buscar algo diferente da Legião.

    Por ser parente do maestro Villa-Lobos, Dado tem acesso ao seu material. O guitarrista recuperou uma gravação sua e utilizou um trecho para abrir o seu álbum. Há também uma participação especial da voz de Chico Buarque, recitando um poema de Rimbaud, na música Natureza. Ainda fizeram parte desse show artistas como Paula Toller (Kid Abelha), Fausto Fawcett, Dinho Ouro Preto (Capital Inicial), Paralamas do Sucesso, entre outros.

    Entrevista

    Dado vem a Juiz de Fora para um show no Cultural Bar e a equipe de jornalismo do portal ACESSA.com conversou com ele antes de sua apresentação. Confira a entrevista:

    Foto do Dado ACESSA.com - No final do ano de 2005, você lançou o álbum "Jardim de Cactus". Em que você está trabalhando no momento? Alguma nova empreitada?

    Dado - Tem várias novas empreitadas. Na verdade, eu faço muita trilha sonora de cinema, televisão. Fiz a trilha sonora agora do filme "Pode crer", que vai estrear agora em outubro. Um filme de Artur Fontes, que se passa na época de 80. Isso já passou. Agora estou terminando a trilha do seriado "Mandrake", da HBO. É a segunda temporada na verdade. E fora isso, fazendo shows do Jardim de Cactus direto.

    ACESSA.com - Quais são a principais marcas que caracterizam esse seu trabalho?

    Dado - Basicamente, é um retrospecto de toda minha formação musical, aos 40 anos, depois de tudo o que eu passei como músico, compositor e tudo. Eu vejo o meu pai tocando um piano clássico, um Chopin. Todos os meus parceiros que são, na verdade, cúmplices dessa época toda que a gente viveu, desses anos 80 para cá. Eu vejo coisas ali da minha formação musical mesmo, que não é à toa que eu gravei "Luz de mistério", uma música de Caetano (Veloso) e Beto Guedes. Não é a toa que tem ali o Chico Buarque cantando uma canção, "Natureza". Todas as coisas que fizeram muito sentido na minha vida, desde moleque até hoje. Tem ali como se fazia as músicas na Legião Urbana, a música vinha antes da letra.

    ACESSA.com - O que você anda ouvindo no momento? Suas bandas favoritas e que têm influenciado no seu trabalho?

    Dado - As influências meio que pararam ali em algum momento (risos). Velvet Underground, todas aquelas coisas do Pearl [Jam], do Clash. Hoje em dia, Radiohead, que é para mim a melhor banda, a banda que fala realmente para mim e a banda que eu fico esperando o próximo disco. Tem o [Johann Sebastian] Bach, que acho interessante.

    Foto do Dado ACESSA.com - Você é dono do selo musical Rock it!, que já promoveu muita gente boa. Como você avalia o cenário musical brasileiro hoje? Alguma banda nova tem chamado sua atenção?

    Dado - Nova mesmo, eu não conheço tanto. Tem os "Los Porongas", com quem eu toquei junto no Acre. Estou esperando ver o "Vanguarte", que vai tocar no Tim Festival. Na verdade, nada me empolga muito, tirando esses que eu falei. Eu prefiro ouvir a Vanessa da Mata, por exemplo. O disco novo da Paula [Toller] que também é uma cantora muito amiga. Eu fiz até duas músicas com ela [Paula] e com o Fausto [Fawcett]. Tem uma música nova do Erasmo [Carlos], que é um "tirambaço".

    ACESSA.com - Como você vê esse cenário quanto a pirataria e fenômenos como "O Calypso"?

    Dado - Para mim, é tudo um grande lixão, horrível. Mas que é reconhecidamente uma coisa muito popular, com um valor extremo absoluto. É inegável a grande penetração popular que o fenômeno "Calypso" têm. Mas você tem que ver que os caras são uma mega empresa própria, é independente, que se lançou sozinho e toma conta do mercado sozinho, sem uma mega gravadora.

    ACESSA.com - Você acredita na sobrevivência de lançamentos independentes?

    Dado - Não acredito. E acredito nessa transformação que a gente vive. Não é o virtual só, são várias tendências. E acredito em música. A música quando o cara é bom te faz chorar, te faz feliz, te deixa inebriado. A música mexe mesmo. Mas assim, como as companhias vão viver disso, faturar, é como as televisões acabam: você faz uma assinatura, paga por mês e vai ter música. Mas isso ainda é muito questionável, mas disco eu não acredito.

    Foto do Dado ACESSA.com - Como foi para você assumir o vocal e ir lá para frente? Como você encarou essa transição?

    Dado - Um mega desafio. Mas era o que faltava, eu já fiz tanta coisa, já toquei com tanta gente, já faço música de tantas formas, música para o cinema, televisão, música para os amigos tocarem, é que música que eu toco também. Só faltava, de repente, isso, pegar as suas próprias músicas e cantar. Isso é a última fronteira. Mas muito bacana, muito legal. Uma empreitada: você fazer as músicas, fazer o repertório, um disco e estrear num DVD ao vivo. A gente ensaiou com a banda três semanas e estreou.

    ACESSA.com - A Legião tinha a proposta de revolucionar, mostrar algo novo. Qual o objetivo do seu trabalho agora?

    Dado - A questão do novo é muito interessante. Mas se você não digerir o velho, o passado, se você não tiver uma relação boa com isso, você não vai fazer o novo. Você vai simplesmente repetir o velho. Então, o que a Legião fez foi por aí. Tentava fazer música que fizesse sentido para as pessoas, mas primeiro para você. Você tem acreditar naquilo que está fazendo, fazer todo sentido para você. Acho que isso é o grande mérito da Legião e o que eu faço é tentar repetir isso que eu aprendi. Eu fui formado com esses conceitos, com essas idéias e com esse ideais.

    ACESSA.com - Após tanto tempo na carreira solo como é ainda ser lembrado como um legionário?

    Dado - É ótimo, é indissociável, eu sou. Tudo o que eu sou tem muito de ser um legionário. Eu acho que a Legião tem um valor ainda dentro da cultura jovem brasileira. A Legião junto com a sua geração sacudiu o país.

    Foto do Dado Foto do Dado Foto do Dado

    ACESSA.com - Muitas pessoas ainda vão ao seu show e querem escutar músicas da legião. Como é isso para você?

    Dado - Elas não vão ter. Vão ter de uma maneira diferente. Num show, você tem que se relacionar da melhor maneira com o público. É inegável, mas é de outro jeito.

    ACESSA.com - E quanto aos seus planos para o futuro?

    Dado - Na verdade, eu estou em meio a uma obra de um novo espaço, no Jardim Botânico, no Rio [de Janeiro]. Fazer um laboratório sonoro com o nome de "Volume". Fazer música num laboratório onde se faça música. Aí dentro vamos fazer discos, fazer trilhas, com salas de gravação e tal. Quando terminar o "Mandrake", trabalhar também em novas músicas para quem sabe um novo álbum.

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