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    Cláudio Zoli Com músicas que ultrapassam gerações, Zoli comemora 25 anos de carreira em JF e fala sobre música, mídia e carreira


    Marinella Souza
    Colaboração*
    05/11/2007

    Em uma época em que o Brasil respirava conflito político e a música nacional apresentava-se ora como panfletária ora como alienante surgia no cenário musical um jovem que pretendia cantar as coisas simples e comuns à sua geração. Seu nome? Cláudio Zoli.

    O cantor e compositor começou sua carreira como backing vocal da Banda do Cassiano, cantando os sucessos da MPB. Naquela época, suas aventuras pessoais no terreno musical ainda eram um projeto individual.

    Em 1978, os pilares da ditadura militar começavam a dar sinais de cansaço e nas garagens de todo o país já apareciam bandas que definiriam o pop rock nacional pouco tempo depois. Nesse contexto, surge no caminho de Zoli os companheiros que procurava para pôr em prática seu projeto musical.

    Cinco anos e muita música depois, Cláudio Zoli, Paulo Zdan e Arnaldo Brandão formavam a banda Brylho. O trio não duraria muito tempo, mas rendeu frutos inesquecíveis.

    Noite no terraço

    Zoli recorda que seu sucesso mais lembrado até hoje na balada, Noite do Prazer, surgiu dessa parceria que gravou seu único long play (LP) em 1983. "Estávamos reunidos no terraço da casa da minha mãe, tinha uma lua cheia linda. Era uma noite agradável e começamos a compôr a melodia e a letra, pensando no que poderia acontecer naquela noite tão bonita", conta sorrindo.

    O cantor garante que a música surgiu sem qualquer pretensão de ser sucesso. "Foi uma brincadeira entre amigos, como tantos outros músicos iniciantes já fizeram. De repente a música estourou e estava todo mundo cantando", orgulha-se.

    Ele acredita que toda essa empatia com o público é porque o tema trabalhado na letra trata de uma situação de fácil identificação. "Quando chega o fim de semana, todo mundo espera alguma coisa da noite e essa expectativa é atemporal", argumenta.

    Carreira solo

    Foto de Cláudio Zoli Zoli conta que depois de Noite do Prazer, a banda Brylho não conseguiu emplacar nenhum outro sucesso, então, ele, Zdan e Brandão decidiram que era hora de parar. "Estávamos mais ou menos em 85 e muita coisa estava acontecendo no pop rock nacional, a Brylho já tinha dado a sua contribuição e achamos que era hora de cada um seguir o seu caminho".

    Zoli relembra que, apesar do clima amistoso em que se sucedeu o rompimento da parceria, a transição para a carreira solo não foi fácil. "Eu me sentia um peixe fora d'água... A banda era minha família, passava mais tempo com eles do que em casa, então, eu me senti um pouco perdido e isso não foi nada fácil", garante.

    Mas a paixão pela música o ajudou a buscar forças para continuar cantando a noite e suas consequências. O fim da banda o obrigou a procurar novos parceiros e, um ano depois, surge em sua história o músico Ronaldo Barcellos.

    É da dupla outro grande sucesso da carreira de Cláudio Zoli, Cada um cada um. Mais conhecida como A Namoradeira, a música também fala da noite - mais uma vez, a atemporalidade conta a favor do cantor, que emplaca mais um sucesso, que perpassaria gerações.

    Revival anos 80

    Quando fala dos rumos da música nacional, o cantor demonstra preocupação. Segundo ele, a baixa qualidade de algumas produções atuais se deve ao fato de que não há fronteiras para a entrada da música internacional no Brasil. "Essa avalanche de música estrangeira não dá espaço para o produto nacional. Colocar uma música de sucesso na rádio, hoje, é quase uma loteria", lamenta-se.

    Nesse contexto, Zoli acredita que fica muito difícil um artista inovar na música e isso explica o fenômeno do retorno aos anos 80. "Não aconteceu nada que preenchesse musicalmente o boom da década de 80. Era muita gente boa fazendo música de qualidade ao mesmo tempo", avalia o cantor.

    Foto de Cláudio Zoli Por serem referências para bandas da atualidade e por fazerem parte do repertório de pessoas que viveram e cresceram nos tempos mágicos, onde a ousadia não chocava, os sucessos de Zoli e seus contemporâneos são entoados pelas gerações subseqüentes e a tendência é que continue assim.

    "Meu público é bastante variado. Nos shows aparecem pessoas da minha geração, passando pelos filhos dessas pessoas que se educaram musicalmente ouvindo minhas músicas e chegando a uma novíssima geração que, em 2000, conheceu o CD Na Pista e passou a cantar Noite do Prazer como se fosse uma novidade", surpreende-se o veterano músico.

    Mídia e música

    Cláudio Zoli acredita que a falta de divulgação é a grande culpada pela escassez de sucessos, porque os talentos estão espalhados pelos quatro cantos do país. Como exemplo, ele cita nomes como Jairzinho, Vanessa da Matta, Luciana Mello e Nação Zumbi.

    Ele reclama que, atualmente, a mídia exige uma aparição constante, caso contrário o artista cai facilmente no ostracismo, já que existe sempre muita coisa nova acontecendo no mercado fonográfico. O problema, segundo Zoli, é que nem sempre são trabalhos de qualidade.

    Foto de Cláudio Zoli O músico aposta na internet como grande veículo de divulgação de novos talentos. "É preciso que se crie programas de TV na internet, concursos para promover esses artistas sem depender de selo". E acrescenta: "é preciso que os novos músicos tenham iniciativa também e se conscientizem de que a internet é uma grande aliada".

    Apesar de seu discurso nacionalista, Zoli admite que sua influência é quase toda estrangeira. "Minhas referências vêm do jazz e do blues, mas ouço de tudo um pouco, a música internacional é muito boa, minha crítica é quanto a supervalorização do estrangeiro em detrimento do que é nosso".

    "Música é tudo na minha vida, é meu sustento, minha realização, meu complemento. Quando não estou ouvindo música por trabalho, o faço por diversão", derrete-se o músico. Prova dessa paixão é que, mesmo com 25 anos de estrada, Zoli não descansa nem se contenta em pegar carona nesse novo boom dos anos 80. Recentemente, um amigo lhe encomendou letra para uma melodia, dessa brincadeira, nasceu o sucesso Ira (lira da ira), tema da novela global das 19h.

    Na trilha musical de Zoli estão alguns nomes, como Diana Krall, Milles Davis, Bob Marley, Joe Satriane, Jimi Hendrix, Lenine, Djavan, Gilberto Gil, maestro Moacir Santos, banda Black Rio.

    Noite de Prazer para público de JF

    Cláudio Zoli revelou que já estava com saudades do público juizforano, que sempre lhe foi muito receptivo. Ele estava ansioso por sua apresentação na noite da última quinta-feira, dia 1º de novembro. E quase voltou para a casa frustrado, porque a casa onde estava programado para fazer o show foi interditada, por não ter alvará para funcionamento.

    Mas nem tudo estava perdido e Zoli matou saudade dos palcos mineiros dando uma palinha no fim da madrugada em outra casa noturna. Na ocasião, o público presente no local pôde se divertir ao som dos maiores sucessos do cantor.

    Apenas quatro músicas foram o suficiente para proporcionar às pessoas uma verdadeira Noite de Prazer, antes que Zoli saísse à francesa, agradecendo a oportunidade de tocar novamente na cidade e voltar para casa sem frustrações.

    *Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF

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