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    Dominguinhos Com mais de 50 anos anos de carreira o sanfoneiro dá um show de simplicidade, bom humor e paixão pelo ofício


    Marinella Souza
    Colaboração*
    19/02/2008

    José Domingos de Moraes, o Neném, ainda era criança quando começou a tocar sanfona. Seu pai era tocador de sanfona e afinador de instrumentos musicais que ficavam espalhados pela casa. Três dos sete filhos se encantaram pelas notas musicais entoadas pelo pai e começaram a tocar algum instrumento.

    O pequeno Neném, escolheu a sanfona. Por quê? "Porque era o instrumento que meu pai tocava e eu queria ser como ele", responde rapidamente. E junto com os outros dois músicos da família tocava pelas ruas de Garanhuns, terra onde nascera.

    Aos oito anos tocavam em frente a um hotel da cidade onde estava hospedado o mestre da música nordestina, Luíz Gonzaga. "Eu nem sabia quem ele era, mas meu pai ficou empolgado".

    A empolgação tinha motivo. Luiz Gonzaga se encantara com o pequeno José Domingos e lhe deu o endereço para que o procurasse no Rio de Janeiro. Segundo o cantor, isso foi o passo mais importante para sua carreira.

    Depois de ser um interno em um colégio de Olinda com seus dois irmãos por quatro anos, foi com eles e o pai para o Rio de Janeiro, onde havia mais campo para a música. O ano era 1954, quando eles conseguiram achar Luiz Gonzaga em Nilópolis.

    Foto de mão de Dominguinhos tocando acordeon Gonzaga os recebeu muito bem e deu uma sanfona de 80 baixos para o pai das crianças. "Foi a salvação da lavoura. Eu ia para a casa dele e ficava lá aprendendo a tocar direito", relembra.

    Nessa época, o pequeno sanfoneiro tocava de tudo. Samba, forró, choro e frevo faziam parte do repertório que ele apresentava nas comunidades pernambucanas do Rio de Janeiro.

    Só depois aprendeu a tocar as músicas do ídolo e, em 1957, aos 16 anos, fez uma participação especial em um disco de Gonzagão. "Aí foi o começo de tudo porque ele me lançou como seu herdeiro artístico".

    Já batizado como Dominguinhos, o jovem sanfoneiro começou a tocar em rádios tradicionais como a Tupi e se integrou com a mídia especializada da época. "Eu tocava com Gonzaga e com outros cantores também", conta.

    Em 1964, seu amigo Pedro Sertanejo fundou uma gravadora e o convidou para gravar um disco. Já pai de dois filhos, passando por dificuldades, Dominguinhos aceitou o desafio e o long play(LP) "Fim de Festa" foi lançado.

    Foto de Dominguinhos Foto de Dominguinhos Foto de Dominguinhod

    O LP foi sucesso de vendas e o artista atribui a isso o caráter novo de seu jeito de tocar. "Não teve uma música estourada, todas foram sucesso porque era uma novidade. Eu tinha uma forma de tocar diferente dos acordeonistas mais conhecidos. Nesse disco só tinha músicas alegres, uma mistura de ritmos boa", explica.

    De lá para cá foram 70 discos gravados, entre lançamentos e relançamentos. Ao contrário de muitos artistas, Dominguinhos não renega o primeiro disco. "Ele foi especial, cada disco é como um filho, cada um tem a sua história, suas qualidades e seus defeitos. Mas o primeiro eu tenho um carinho especial, não nego".

    A emoção do palco

    "A questão do palco começa com o som. Na hora de passar o som você já sente se vai trabalhar bem". Dominguinhos garante que não tem nenhum tipo de ritual antes de entrar no palco porque cada público é diferente do outro e não dá para definir nada antes de sentir o público.

    "Tem públicos mais chatos, mais observadores e você tem que suar para agradar. Mas tem vezes também que você não gosta de nada do que está fazendo, mas todo mundo gosta. É muito imprevisível", diz.

    Momentos difíceis

    Foto de Dominguinhos tocando A primeira crise por que passou a música nordestina, segundo Dominguinhos foi com a introdução da Bossa Nova."O piano saiu da igreja, a guitarra saiu dos shows de rock e tomaram o espaço do acordeon, ele perdeu a graça".

    Nessa fase, os acordeonistas perderam espaço na mídia e só voltaram com a ajuda dos baianos. "Por volta de 62, 63, Caetano e Gil me chamaram para representar o Brasil na França e a sanfona voltou".

    De volta ao cenário musical, Dominguinhos se permitiu inovar. "Junto com a Gal fazia um jazz danado. Fizemos sucesso. Sou muito agradecido aos baianos"

    O cantor conta que é difícil para o acordeon se manter no mercado, é preciso muita persistência. "Gonzaga já ameaçou parar várias vezes, mas depois mudava tudo e continuava".

    Foto de Dominguinhos tocando

    Para o acordeonista, o grande sucesso do forró pé-de-serra está justamente na impertinência de acreditar que as coisas vão mudar. "É como uma sapataria, pode não ter serviço, mas o sapateiro está sempre batendo sola. Mesmo nas fases difíceis, eu nunca deixei de gravar, uma vez por ano lanço um disco, afinal, é só isso que sei fazer".

    As bandas de "forró elétrico" também foram uma ameaça para o forró pé-de-serra, mas eles continuaram, persistiram e continuam seguindo a estrada. Segundo Dominguinhos os forrozeiros mais tradicionais passaram muita amargura, mas seguiram em frente.

    "No Brasil as coisas mudam muito, cada lugar tem uma moda diferente. É difícil se manter. Gravar um disco por ano garante o sucesso, é como água mole em pedra dura", avalia.

    Simplicidade

    Humilde e bem-humorado, Dominguinhos recusa o status de "pop star" e garante que os fãs são a melhor parte do trabalho. "Na minha profissão não tem isso d "pop star", tem é um carinho e um reconhecimento muito grande. Eu não tenho complicações como os outros artistas".

    Considerado por muitos como o "rei do baião", o sanfoneiro não gosta de ter assessores e atende pessoalmente as pessoas que o procuram com a simplicidade típica dos que sabem seu lugar no mundo e não se valorizam em excesso por isso.

    Foto de Dominguinhos tocando Foto de Dominguinhos tocando Foto de Dominguinhos tocando

    "Eu gosto de receber as pessoas, de conversar com elas. Fãs são fáceis de lidar. Eles têm a função de apoiar, engrandecer nosso trabalho e o artista tem que saber respeitar isso", ensina.

    "No nosso país é muito difícil se manter no topo, temos que matar um leão por dia, por isso estou sempre gravando participando de programas, fazendo shows. Isso é importante".

    Dominguinhos diz que cada público é uma surpresa, mas que tocar em Juiz de Fora é sempre uma alegria. "Já toquei aqui algumas vezes e não tenho nada a reclamar, as pessoas são muito receptivas é um público muito bom", derrete-se.

    Influências

    A influência do mestre Gonzagão na obra de seu pupilo é flagrante, mas não exclusiva. Outros nomes de peso figuram essa lista. São tantos que fica difícil listá-los todos de uma vez.

    "É muita gente, fica difícil dizer. Mas vamos lá. Tem Orlando Silveira, Sivuca, Chiquinho do acordeon, alguns jazzistas americanos... Todos eles fazem parte do meu repertório de alguma forma".

    Foto de mãos de Dominguinhos tocando Quanto aos temas de suas canções, Dominguinhos garante que não se prende a regionalismos. "A inspiração não se prende a normas, técnicas ou região. Ela vem e não tem hora para isso".

    Ele garante que assim como não tem rituais para entrar no palco, também não os tem para compor. Pode estar no meio de muita gente, pegar a sua sanfona e sair compondo, mas normalmente, isso acontece quando está sozinho. "Não existem regras para isso, mas de um modo geral, a composição é um ato solitário".

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