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    Toni Garrido é o artista das várias artes Fisioterapeuta, cantor, compositor, ator e apresentador são alguns dos papéis encarados pelo artista em seus 41 anos de idade


    Guilherme Arêas
    Repórter
    12/03/2009

    A vontade de se aventurar em novas experiências começou cedo e persiste até hoje. Aos 41 anos de idade, Toni Garrido é um dos artistas mais versáteis da música brasileira. Ele canta, compõe, apresenta, representa... Dessa forma, é admirado em todo o país.

    Formado em Fisioterapia e tendo vários colegas juizforanos na turma de faculdade, o artista chegou a atuar na área médica e até cursou Educação Física. Mas com o passar do tempo ficou difícil dividir os pacientes do consultório com o público dos shows. Em 1994, sua entrada no Cidade Negra projetou ou carioca para todo o Brasil.

    Músicas como Aonde Você Mora, Pensamento, O Erê, Firmamento e Girassol fazem parte do repertório do cantor. Canções que o acompanham mesmo após sua saída da banda, em 2008.

    O nome do novo CD solo, "Todo meu canto", é um trecho da música "Me libertei" (veja o vídeo ao lado), sucesso da década de 70 na voz de outro Toni, o Tornado. Mas o Garrido faz questão de dizer que a música não busca qualquer tipo de provocação à ex-banda. A relação com o Cidade Negra é a melhor possível e faz parte das melhores memórias do cantor.

    Antes de apresentar seu show solo em Juiz de Fora pela primeira vez, Toni Garrido conversou com o Portal ACESSA.com. Confira:

    ACESSA.com - Conta um pouco como é esse show que você apresenta em Juiz de Fora. Você traz músicas da nova fase após o Cidade Negra, mas também canta os grandes sucessos da banda?

    Toni Garrido - A última apresentação que eu fiz em Juiz de Fora ainda foi com o Cidade Negra e eu não me lembro de ter apresentado essas canções novas do álbum "Todo meu canto". Obviamente, tenho o maior prazer de também cantar as músicas do Cidade. Canções que eu tenho a maior felicidade em dividir com a rapaziada que for ao show.

    ACESSA.com - O nome do novo trabalho, o primeiro solo, é um trecho da música "Me Libertei", que fez sucesso na voz do Toni Tornado nos anos 70. A letra fala sobre um universo muito íntimo do músico. Esse trabalho solo tem mesmo a sua cara? É um trabalho mais intimista do músico Toni Garrido?

    Foto do Biquini Cavadão

    Toni Garrido - É um trabalho de intimidade, mas não, necessariamente, intimista. É um trabalho que eu permito a invasão, eu me exponho. O intimismo é quando de algum jeito ou de outro você se esconde. Eu não estou me escondendo em nada. Estou muito exposto, mas com o sentimento puro de música. Não tem nenhum sentimento da minha vida que não tenha relação com a música e com o sentimento que eu possa colocar nela.

    ACESSA.com - Às vezes é difícil para o cantor definir o tipo de música que canta, principalmente se o som for uma mistura de estilos. Mas você define o seu novo som de alguma forma?

    Toni Garrido - Eu não gosto de definição. Todos nós somos indefinidos; ninguém é igual a ninguém. Nem irmãos gêmeos univitelinos são iguais. As diferenças são tão exorbitantes, que cabe a nós conviver com elas. Eu gosto de música popular e de música black. Mas a música black tem de tudo: samba, funk, rock, choro...

    Eu me defino um cara sem preconceito que fez um disco dançante. Um disco que tem a ver com o tempo que eu vivo, mesmo me utilizando de instrumentos que eu considero nobres. Quanto mais velhos os intrumentos ficam, melhor o som que você pode tirar deles. Então eu fiz questão de gravar esse disco com instrumentos antigos.

    Mas o show é contemporâneo e continua com a marca de ser popular. Eu gosto de ser popular e me intitulo popular porque eu busco isso. Eu não gosto da arte cheia de pompas. Prefiro aquela que é aceita pelas pessoas.

    Foto do Biquini Cavadão

    ACESSA.com - A escolha da música "Me Libertei" tem alguma relação com a sua saída do Cidade Negra? Como foi esse processo?

    Toni Garrido - Não tem relação, porque a música foi feita em 1970. Eu achei a música simples e linda. Foi muito bem cantada pelo Toni Tornado e esse foi o critério para a escolha. Logicamente, eu sabia que essa pergunta seria feita, mas a resposta é simples: não tem relação.

    No Cidade Negra eu só tenho lembranças maravilhosas do meu trabalho. Foram anos de glória e que tiveram o seu tempo, pelo menos para mim. Foi tudo incrível. No Cidade eu consegui tudo o que poderia querer: viajei, conheci o mundo, fiz 11 álbuns, tive o carinho das pessoas, tive críticas positivas e negativas, ganhei o meu ganha-pão, arrumei a minha casa, tive os meus filhos... Então eu só tenho a agradecer por esse tempo. Agora é continuar buscando a felicidade. Não me resta outra alternativa a não ser continuar sendo feliz.

    ACESSA.com - E essa relação entre os Tonis, o Garrido e o Tornado, já rendeu alguma gravação ou ainda pode render?

    Toni Garrido - Eu espero que renda muita coisa. Ela já rendeu o Toni Garrido. E existência do Toni Garrido já é um percentual da existência do Toni Tornado. Musicalmente eu tenho muita honra de poder fazer alguma coisa com o Toni. Eu sei que alguma hora vai ter. Estou esperando o primeiro momento. Daqui a pouco, no ciclo natural de show, vamos ter a oportunidade de fazer alguma coisa juntos, não tenha dúvida.

    ACESSA.com - Você é formado em Fisioterapia e cursou Educação Física. Já chegou a exercer a profissão?

    Toni Garrido - O curso de Fisioterapia eu concluí e muita gente de Juiz de Fora estudava comigo no IBMR (Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação). Muita gente de Juiz de Fora também estudava comigo na UERJ, quando fiz Educação Física. Mas eu tranquei a faculdade no sexto período. Como fisioterapeuta eu sou atuante. Só parei de atuar por causa do Cidade Negra. Eu ia para o ensaio vestido de branco. Saía do consultório, tinha meus pacientes e ensaiava ao mesmo tempo.

    Foto do Biquini Cavadão

    ACESSA.com - Depois disso você entrou no Cidade Negra, atuou em filmes no Brasil (Orfeu) e no exterior (Fados - Espanha), foi garoto propaganda em comerciais, atuou em novela (Caminhos do Coração - Record), apresentou programa com a Angélica (Fama - TV Globo) e agora lança um CD solo como cantor. O que ainda falta para o artista Toni Garrido?

    Toni Garrido - Eu gostaria de fazer tudo de novo e ainda melhor. Como artista, acho que eu não devo estar preparado só para chutar. Tenho que saber cabecear, cruzar, passar, lançar... Se eu for melhor no chute, ótimo. É maravilhoso ser especifista em alguma arte. Mas, por acaso, eu fui experimentando novas coisas. E cada vez que eu experimentava, eu tentava me preparar antecipadamente para aquilo. Isso começou com os meus 13 anos e até agora não parou. Com humildade eu vou me preparando para fazer o melhor. E tudo isso foi fruto de convites. Um trabalho foi trazendo o outro. Mas eu sei que tenho muita coisa a melhorar.

    Como músico, eu tenho mais dedicação e a obrigação de estar mais pronto do que para as artes cênicas, por exemplo. É uma arte que eu não me dedico tanto e não tenho o mesmo empenho que os atores que vivem da arte de atuar. É até injusto que eu tenha um espaço maior do que eu já tenho nas artes cênicas. Mas eu também não tenho o objetivo de virar nada. Só o de vivenciar e experimentar as coisas.

    ACESSA.com - Pretende ainda atuar por trás das câmeras, como diretor?

    Foto do Biquini Cavadão

    Toni Garrido - O olhar que eu sempre coloco nas coisas que eu faço é o crítico. Aliás, isso é o que mais me atrapalha em atuar. Com a música é diferente; eu não me censuro tanto. Quando eu estou fazendo um show, quase não me censuro. Mas atuando eu sou comedido o tempo todo. Com o passar do tempo eu tenho aprendido a dar menos atenção às autocríticas na hora que eu estou fazendo. Tendo essa visão, é possível, sim, que meu olhar esteja voltado para essa coisa do minimalismo. Eu gosto disso. Talvez eu seja melhor diretor do que um ator.

    Como músico, eu já descobri que futuramente a minha pegada é como produtor. Eu já havia produzido faixas esporádicas em trabalhos de outros cantores ou meus próprios trabalhos. Mas o meu álbum é a primeira produção que eu faço inteira. Eu me usei de cobaia para ninguém reclamar de mim mais do que eu mesmo. Mas eu estou muito feliz com o resultado e devo continuar produzindo. Eu sou autônomo. Tenho que me virar e achar os meus caminhos.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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