• Assinantes
  • Autenticação
  • Cultura

    O Teatro Mágico convida o público a brincar de pensarGrupo, que se apresentará em Juiz de Fora, não se limita a apenas fazer músicas. Mesclando diversas manifestações artísticas, trupe conquista o Brasil

    Daniele Gruppi
    Subeditora
    7/5/2010

    Apostando nas potencialidades da internet e na relação transparente e fiel com o público, O Teatro Mágico desponta no cenário musical brasileiro. A trupe saiu de Osasco, em São Paulo, com a proposta de não se limitar a apenas fazer música. É mesclando as diversas expressões artísticas, como teatro, performance e poesia, que o grupo vai conquistando uma legião de fãs.

    O Teatro Mágico contabiliza, depois de seis anos de trabalho, mais de 190 mil CDs vendidos e o DVD chegando a 40 mil cópias. Comemora também o alcance da marca de 1 milhão de downloads feitos e mais de 5 milhões de transmissões de músicas do primeiro e segundo CD, em duas comunidades de música.

    Atualmente, a trupe se prepara para lançar o DVD do "O Segundo Ato" e já projeta "O Terceiro Ato". Para contar sobre o andamento desses projetos e também para abordar a questão da música livre e do status de fenômeno da rede que o grupo carrega, o Portal ACESSA.com conversou com o criador do O Teatro Mágico, Fernando Anitelli. Ele e a trupe farão uma apresentação em Juiz de Fora, neste domingo, dia 9 de maio.

    ACESSA.com – Qual é a proposta do O Teatro Mágico?

    Fernando Anitelli - A ideia é misturar, num mesmo ambiente, diversas expressões artísticas. Queremos ampliar aquilo que acontece num sarau. Temos que dosar essa bagunça, o tempero dessa sopa, e a gente está aprendendo isso.

    ACESSA.com – A trupe surgiu na internet. Como vocês exploram as potencialidades dessa mídia?

    Anitelli – A internet é a única mídia livre capaz de fazer qualquer artista contemporâneo existir. Se não fosse ela, dependeríamos do bom humor de alguém de uma rádio ou de uma TV para inserir alguns minutos do nosso trabalho na programação. A internet possibilita entrar na casa de muita gente. Com o meio, é possível ter uma relação clara com o público. Creio cada vez mais na democracia da comunicação, no acesso livre aos bens culturais, na ponte entre músicos e produtores culturais e de conteúdo. A ideia é formar uma grande rede, não só virtual, mas orgânica. Tem que sentir o cheiro do seu parceiro. É dentro desse propósito que O Teatro Mágico trabalha.

    ACESSA.com – Você acredita que ainda há receios de alguns músicos em apostar na internet para divulgação dos trabalhos?

    Anitelli - Existem músicos que estão engessados com a ideia do modelo passado, do modelo do capital, em que você compra ou a gravadora compra um espaço no rádio e na TV. Entretanto, isso é crime, é jabá. Na verdade, rádio e televisão são concessões. O Estado fornece o espaço para um indivíduo administrar a comunicação para o público. De certa maneira, tudo é nosso, temos que ocupar esses espaços. Rádio e TV ainda são mídias de massa, mas, se conseguirmos trabalhar o Plano Nacional de Banda Larga e se todos tiverem acesso à internet em casa, a informação começa a correr mais solta. Isso tudo é fabuloso! O músico precisa de informação e formação sobre toda a cadeia produtiva da música, como divulgar, como se agregar com faculdades, com secretarias de cultura, com prefeituras, com pessoas que estão nas mesmas condições. Sozinhos não chegamos a lugar nenhum.

    ACESSA.com – Quais são os desafios de se fazer um projeto independente?

    Anitelli - Tudo é difícil, lugar para ensaiar, para tocar, divulgação... É um trabalho de formiguinha. Não dá para acreditar que quem vai cuidar de você é uma produtora ou uma gravadora e ficar preso em aparecer uma vez num programa dominical. Isso tudo pode ajudar, mas quem vai dar sobrevida ao seu projeto é o público. Você precisa ter um trabalho de personalidade.

    ACESSA.com – O Teatro Mágico está sempre sendo assediado por uma gravadora, como é essa relação?

    Anitelli – Não sou contra a televisão ou contra o rádio. A questão é o debate, o tipo de projeto que as gravadoras querem. Quando elas se aproximam, interessadas no nosso trabalho, perguntamos se o nosso CD poderá custar R$ 5 na mão do público. A resposta é não. Lançamos outra pergunta: "Todo nosso conteúdo pode ser gratuito?" A resposta é não. Então, fica complicado, pois nós temos o rabo preso com o público. Temos uma relação com aquele que dá sobrevida ao nosso trabalho e não com uma gravadora. Esta pode nos ajudar com a distribuição, com uma gravação um tanto mais adequada, porém, temos que ter cuidado com os detalhes. A gravadora que chega, diz que quer administrar o projeto pelos próximos três anos e que impede a minha música de ser livre, está falando sozinha. Queremos dialogar através da música, do teatro e do circo. Estamos aprendendo isso ainda. O que não podemos é aprender prendendo o nosso projeto a alguma empresa privada. Queremos aprender de uma maneira livre. Não tem problema conversarmos e fazermos uma parceria com as gravadoras, desde que haja mudanças. Uma transição é necessária. A humanidade nunca vivenciou o que estamos vivendo agora, acesso rápido aos conteúdos, às informações. Temos que criar outras possibilidades. Vamos pensar e incorporar uma nova realidade ao pensamento engessado das gravadoras.

    ACESSA.com – E como é a convivência da trupe dentro e fora dos palcos?

    Anitelli - É muito tranquila e saudável. Somos todos amigos. Nossa constância é a nossa própria mutação, isso ajuda o projeto a ter saúde e a se renovar. Sempre temos artistas novos e tentamos agregar pessoas novas a improvisar no palco. O que fazemos no palco é toda a nossa verdade. Estamos lá pintados e de figurino, mas tudo o que estamos fazendo é o que acreditamos. É muito próxima essa relação dos palcos com os bastidores. Pessoalmente, sou menos colorido e menos pálido.

    ACESSA.com – Há uma expectativa para o lançamento do DVD "O Segundo Ato". Há uma previsão?

    Anitelli – Em junho ou julho sai o DVD. No segundo semestre começamos a projetar "O Terceiro Ato" para lançarmos no ano que vem.

    ACESSA.com – E tem mais algum projeto?

    Anitelli – O Teatro Mágico está com componentes novos de circo e eu estou com outro projeto: Fernando Anitelli Trio, voz e violão. Trata-se de músicas mais introspectivas, com uma roupagem mais jazzística. Não é O Teatro Mágico acústico, é um trabalho meu. Estou nesse corre-corre. Além disso, temos que organizar, ensaiar, conversar, divulgar, atualizar o site, viajar... Como não estamos nas mídias de massa, temos que ir presencialmente aos locais, temos que fazer apresentações e nos mostrar vivos.

    ACESSA.com – O que os juizforanos poderão esperar da apresentação na cidade?

    Anitelli - O público pode esperar surpresas, novas músicas, um grupo ansioso para tocar. Em Minas Gerais, somos sempre muito bem recebidos, benquistos, o pessoal é bacana. Não é só isso, mas interessado, curioso em saber sobre o projeto, em debater, em brincar de pensar. A grande sacada é essa. Clarice Lispector falava em aprender a brincar de pensar. A gente se sente oxigenado com a força que o público passa. O público é uma extensão da trupe.

     

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes


    Conheça nossos planos e serviços

    (32) 2101-2000

    A melhor internet está aqui!

    Conteúdo Recomendado

    Envie Sua Notícia

    Se você possui sugestões de pauta, flagrou algum fato curioso ou irregular, envie-nos um WhatsApp

    +55 32 99915-7720

    Comentários

    Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.