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    Rafael Cortez mostra suas múltiplas faces em show de humor em Juiz de ForaO humorista e repórter do CQC é ainda ator, violonista erudito e tem registro profissional de palhaço. Ele se apresenta nesta sexta-feira, no Cine-Theatro Central

    Clecius Campos
    Repórter
    24/11/2010
    Foto de Rafael Cortez

    Rafael Cortez é humorista, jornalista, ator, violonista erudito e tem registro profissional de palhaço. O repórter do CQC da Band promete misturar essas múltiplas faces e apresentá-las no show de humor a ser realizado nesta sexta-feira, 26 de novembro, no Cine-Theatro Central.

    O humor ele exerce como repórter do CQC. A carreira jornalística foi incrementada com passagens pela Veja-SP e pela Abril Digital, quando levou o 32º Prêmio Abril de Jornalismo, em 2007, na categoria Conteúdo para Celular. Tem um CD gravado com músicas instrumentais tocadas ao violão e ainda é narrador de cinco audiolivros, também com trilha sonora composta por ele. A carreira como ator rendeu participação em peças publicitárias, seriados e duas aparições na telona.

    Em entrevista concedida por e-mail ao Portal ACESSA.com, Cortez fala da dificuldade de manter tantas atividades ao mesmo tempo — ele afirma não ter tempo para aprender a cozinhar nem a dirigir e lamenta ver pouco a família — e do modo que utiliza seu talento nas diversas áreas durante o show de humor. Ele diz ainda que só ouve falar maravilhas de Juiz de Fora.

    Acompanhe a entrevista abaixo.

    ACESSA.com - Seu site tem uma oferta extensa de “serviços” como “Rafael Cortez na sua empresa”, os audiolivros, o CD instrumental, os recitais de violão e o stand-up comedy. Como é que você dá conta de tudo isso? 

    Rafael Cortez - Obviamente, não tenho procura para tudo que ofereço em meu site. Os recitais de violão, por exemplo, quando os faço, atendo unicamente meu desejo e eu mesmo é que me organizo para eles. Ninguém contrata recital de violão de um humorista que tem show solo de humor. As pessoas, obviamente, contratam meu solo de comédia. Mas faço, sim, muitas coisas simultaneamente. O preço que eu pago por fazer tantas atividades diferentes por semana é caro. Não namoro, tenho 34 anos e ainda não sei cozinhar e nem dirigir, minha casa vive zoneada, não consigo comer direito e fazer esportes, tenho perdido a primeira infância dos meus sobrinhos, vejo pouco minha família, etc. É o que escolhi para minha vida: produzir muito, realizar em demasia, deixar alguma coisa minha para quando eu partir. Mas o lado bom é que fazer tudo que eu gosto (e eu gosto de tudo que ofereço no meu site) me deixa profundamente realizado e feliz.

    ACESSA.com - Você é multi-formado em teatro, circo, música e jornalismo. O que de cada uma dessas facetas pode ser apresentado no stand-up aqui em Juiz de Fora?

    Rafael Cortez -Tem um pouco de música sim no meu show, e essa é uma das partes de que mais gosto. Acho que a parte circense vem no despojamento e quebra de ego, fundamentais num show de humor, que o palhaço exige. E eu tenho DRT [registro profissional] de palhaço, apesar de ter estudado pouco. A parte teatral está nas performances que faço, nas caretas, nos improvisos. Essa coisa performática, hoje, é muito mais a minha cara. Não sou bom de fazer textos de stand-up, como o [Danilo] Gentili, por exemplo. Por isso, inclusive, que meu solo é show de humor, e não comédia stand-up. 

    Foto de Rafael CortezACESSA.com - Você conhece Juiz de Fora ou algum fato que ocorra aqui que pode ser motivo para uma piada sobre a cidade no seu show?

    Rafael Cortez -Só ouço maravilhas de Juiz de Fora. Um dos meus melhores amigos, o Álvaro Barcellos (conhecido como Cabral) é de São João Nepomuceno e já morou na sua cidade — e só fala maravilhas dela. Uma coisa que me deixou intrigado é: desde que anunciei no meu site e no meu Twitter que iria a Juiz de Fora, já recebi uns quatro e-mails com fotos de garotas seminuas dispostas a fazer uma festinha comigo no hotel. Ainda não disse sim para nenhuma delas, até porque desconfio que haja travestis infiltrados nessa farra. Mas achei curioso.

    ACESSA.com - Voltando à questão das suas formações, como elas te ajudam para que você desenvolva o trabalho no CQC?

    Rafael Cortez - Em tudo. Acho que só fui contratado pelo CQC por ter uma experiência mais diversificada. Meu lado ator me ajuda a quebrar as barreiras da timidez ou do medo para chegar onde quero ou fazer uma determinada pergunta. O lado musical me deixa mais íntimo desse tipo de pauta, que tenho feito cada vez mais. O lado circense (o palhaço) me faz parar de julgar o que eu mesmo produzo ou o que podem falar de mim. Estou cada vez mais convencido de que, para fazer humor, o cara não pode ter ego mesmo. Veja o que falam de mim: meio mundo me acha viado e me sacaneia. O CQC já me botou dentro de um armário ao vivo, já me intimou a beijar o [Marcelo] Tas no palco, já raspou minha cabeça em rede nacional, e por aí vai. O que pouca gente sabe é que a maior parte dessas ideias partiu de mim mesmo. Se é para ser engraçado, não me incomodo em nada com rótulos ou com o que as pessoas podem pensar. Tanto é que, no meu show, faço muitas piadas me auto-sacaneando e brincando com minhas famas por aí. 

    ACESSA.com - Além dos projetos mais levados ao jornalismo e ao humor, o que mais você executa no ramo do circo e da música?

    Rafael Cortez - No circo, meu lado palhaço é o Loreno — meu alter-ego, meu "heterônimo". Musicalmente falando, em 2011, sai meu CD instrumental e mais um audiolivro lido por mim — dessa vez é O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcellos. Já li outros quatro audiolivros pela mesma editora e em todos coloquei trechos de músicas instrumentais minhas, ou criei temas específicos para determinadas passagens. Em Meu Pé de Laranja Lima, vou compor e tocar oito ou dez peças especiais, feitas exclusivamente para esse trabalho. E todas para violão solo. Estou bem empolgado com esse desafio — sinto-me inspirado, apesar de ser extremamente trabalhoso do ponto de vista técnico (não sou mais aquele violonista de antes). 

    ACESSA.com - Você também teve uma carreira, digamos, séria, no jornalismo, com passagens pela Veja-SP, pela Abril Digital. Inclusive venceu um prêmio. Por que partir para o humor?

    Rafael Cortez - Porque aconteceu. Eu também não esperava ter uma vida full-time ligada ao humor, mas rolou. O que era certo é que, desde a época da faculdade de jornalismo, estava zero por cento ligado ou interessado pelo jornalismo sério, o de ficar na cobertura factual, horas e horas numa redação, submisso ao editor-chefe. Tanto é que acho que sempre fiz jornalismo de humor. Até mesmo na Abril, quando ganhei, com a equipe, o Prêmio Abril. Vejam, o Prêmio Abril veio pelos conteúdos de fofocas e quizes de celebridades que fazíamos para a Contigo!. Acho que escrever o que a Dani Suzuki almoçou ontem, ou fazer um questionário sobre os amores do Paulinho Vilhena é, nada mais que isso, humor. Um humor meio sem graça, mas é. E eu sempre coloquei piada em tudo que escrevi. 

    Foto de Rafael CortezACESSA.com - Sobre essa avalanche de stand-up comedies que ocorre por aí — inclusive quase todos os seus colegas do CQC fazem esse tipo de show — não corre o risco de perder a graça? As piadas não começam a ficar meio parecidas?

    Rafael Cortez - É um risco. Em geral, os temas engraçados são praticamente os mesmos. E é preciso que os temas criem identificação com as pessoas. Muita gente pode achar engraçado o tema "viajar de avião", por exemplo. Mas isso é óbvio, hoje, apenas porque a economia melhorou, as empresas aéreas estão mais acessíveis e muito mais gente anda de avião. Imagine uma sequência de piadas ligada ao "andar de helicóptero". Não teria graça, porque nenhum de nós anda de helicóptero, certo? Logo, o desgaste maior do humor stand-up hoje, para mim, não é necessariamente o aumento do número de humoristas, e sim, a repetição dos mesmos velhos e batidos temas. Com o chamado humor em pé, o critério de permanência do formato é o mesmo de outras formas de expressão e arte: só os mais talentosos e criativos sobreviverão. Eles é que definem o futuro do stand-up comedy no Brasil. 

    ACESSA.com - E não é chato ficar concorrendo com os seus colegas de CQC?

    Rafael Cortez - Se houvesse competição, como você diz, certamente seria. Mas não há: somos oito num programa que atinge o Brasil todo. As oportunidades são ótimas para todos, e o país é grande o suficiente. Não podemos reclamar da vida e nem criar competições mesquinhas uns com os outros. Pelo menos é assim que eu penso e é assim que tenho agido.

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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