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    Travesti juizforana lança CD com canções próprias Depois do sucesso do vídeo Pantera Cor de Rosa na internet, Xuxú apresenta seu primeiro CD. Álbum fala sobre homossexualidade, preconceito e perdão

    Clecius Campos
    Repórter
    10/7/2009

    A travesti Xuxú, cujo vídeo publicado na internet tem mais de 240 mil acessos, está pronta para lançar seu primeiro CD. 009 será apresentado ao público pela primeira vez no dia 18 de julho, em noite especial numa boate no Centro da cidade. Segundo a cantora, o álbum, com canções inéditas e de autoria da moça, recebe esse nome por vários motivos.

    O primeiro é a quantidade de músicas gravadas: nove. Outro fator é o ano de lançamento do CD: 2009. O terceiro é uma homenagem a um de seus ídolos, a cantora Wanessa Camargo, que tem um website com o mesmo nome do CD. "A última razão é que a música que está estourada na internet, Pantera Cor de Rosa (veja trecho no vídeo acima), é a nona do álbum." A numerologia também influenciou na escolha. "Nove é meu número da sorte."

    E põe sorte nisso. Gravado em outubro do ano passado, o clipe de Pantera Cor de Rosa logo foi postado pelo produtor musical de Xuxú, mas não chegou a receber mil acessos. "Tivemos 600 cliques. Eu ficava torcendo para conseguir passar de mil, mas nada aconteceu." Até que outro usuário do mesmo site publicou o vídeo no próprio perfil e o número de acessos começou a crescer. "Na primeira semana o clipe já tinha mais de quatro mil visitantes e a coisa foi espalhando de forma espantosa. Até a última vez que olhei, o vídeo tinha sido acessado mais de 240 mil vezes", comemora.

    Após a ampla divulgação do clipe de Pantera Cor de Rosa, a vida de Xuxú mudou completamente. A cantora recebeu telefonemas de diretores de organizações não governamentais (ONGs) gays e ganhou fãs de diversas partes do Brasil. Então, vieram convites para shows e a rotina dos ensaios ficou mais apertada. A presença da cantora em programas de TV começou a ser requisitada.

    Foto de Xuxu Foto de Xuxu

    "Vou participar ao vivo do programa da Luciana Gimenez e tenho propostas de shows em São Paulo e Belo Horizonte. Vou me apresentar também no Miss Brasil Gay, no dia 15 de agosto. Mas por enquanto o foco é o lançamento do CD." Para o espetáculo estão sendo preparadas apresentações de dança, colaborações com um Mc e participação especial de drag queens. "É uma correria para eu ensaiar separadamente com todos eles. Ainda tenho que fazer os exercícios vocais em casa."

    Início da carreira

    Ainda adolescente, e vestida como menino, Xuxú era integrante do grupo de hip hop Posse Zumbi dos Palmares (PZP), do bairro Santa Cândida. "Eu cantava músicas que falavam de amor e era discriminada por causa do meu jeito. Os outros garotos do grupo é que me defendiam." Segundo Xuxú, assim que assumiu sua homossexualidade e sua identidade feminina, várias outras portas se abriram para seu trabalho. "Todos me diziam que eu deveria ser o que sou e fazer o que gostava para ser feliz. Resolvi atender aos meus amigos e, com o apoio deles e de minha família, me tornei travesti."

    Foto do grupo PZPA partir daí Xuxú começou a ser notada. Em carreira solo, a cantora gravou um clipe para uma candidata à prefeita na última eleição e foi eleita travesti revelação do ano de 2008. "Abri o show dos Racionais MCs em Juiz de Fora e me apresentei após a Kelly Key num espetáculo na cidade de Chácara. Cantei para mais de cem mil pessoas na última Rainbow Fest. Até minhas notas na escola melhoraram."

    Hoje a equipe da juizforana conta com DJs, dançarinos e música ao vivo. "Eu canto mesmo", brinca. Ela afirma que adapta suas apresentações a qualquer tipo de plateia. "Sou uma cantora de black music, mas se eu fizer um show num barzinho, num ambiente mais tranquilo, também arraso na MPB e canto até Ana Carolina. Quando a festa é mais animada, vou de Mamonas Assassinas a Rihana e não deixo ninguém parado."

    Faixa a faixa

    A pedido da reportagem do Portal ACESSA.com, Xuxú comenta faixa a faixa de seu CD 009. A temática principal é o preconceito sofrido pelos homossexuais. Na música que abre o álbum, Me assume, a cantora fala de homens que procuram gays só para uma noite. "Na letra, faço um ultimato para um desses caras e digo: Quer me beijar, me abraçar? Grita que me ama ou não vai dar mais."

    A segunda faixa, Stand Up, é em homenagem a uma casa de espetáculos. Perdoa é a terceira faixa e diz sobre a necessidade de perdão. "Ninguém gosta de admitir que está errado. Nessa música, peço perdão para mostrar que sou uma pessoa do bem." Em Bombombom, música de número quatro, Xuxú arrisca-se num reggaetown, cantando sobre dança, ritmo e corpo. "É a música mais dançante do CD."

    Foto de Xuxu Foto de Xuxu Foto de Xuxu

    Biba, a quinta do álbum, fala do jeito dos homossexuais, com vocabulário bem característico. "Nela eu aproveito para falar do meu momento, cantando meu sucesso de leste a oeste, de norte a sul." Em Dois passinhos (One two step), uma versão da cantora Ciara, Xuxú canta que veio para balançar. "Nela digo que sou supersônica, automática, eletrônica, hipnótica..."

    A dramática Por que será? é um discurso contendo as principais dúvidas da cantora. Nela, Xuxú versa sobre gays que são impedidos de doar sangue e a inexistência de banheiros para gays. "Essa música é toda falada. Acho que vai dar bafão." Na oitava canção, Deixe em off, Xuxú pede que as pessoas parem de falar mal dos homossexuais. "Sobre o hit Pantera Cor de Rosa eu nem preciso falar. Já é sucesso. Sou magrela, sou pintosa, mas não me confunda com a Pantera Cor de Rosa...", canta.

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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