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    As meninas que fazem rock Com intenção de quebrar estereótipos e preconceitos relativos à ocupação feminina em alguns segmentos, mulheres participam da oficina Rock para Meninas

    Aline Furtado
    Repórter
    18/3/2011

    Não é uma cena comum, mas elas querem mudar este cenário. Trata-se da necessidade de abertura de espaço para participação feminina no rock, o que deve trazer, ainda, a destruição de estereótipos e preconceitos. Com esta ideia, foi realizada em Juiz de Fora, nesta sexta-feira, 18 de março, a oficina Rock para Meninas, desenvolvida com a utilização de guitarras emprestadas.

    "Já fizemos oficinas como esta, mas a presença de homens equivalia a 80% do total de participantes. Isso não é por acaso, já que existe, sim, uma situação de desigualdade entre as mulheres e os homens", defende a organizadora do festival Mulheres no Volante e guitarrista das bandas Big Hole e Top Surprise, Bruna Provazi.

    Desta vez, a organização do evento resolveu inovar e destinou as vagas da oficina apenas às mulheres. "Para nossa surpresa, o interesse foi enorme. Registramos até lista de espera para a oficina." De acordo com ela, estes espaços são fundamentais para que seja criado um ambiente de troca de experiências. É a partir de iniciativas como esta que conseguiremos inserir a mulher em segmentos onde elas são minorias ou nem estão presentes."

    Ela destaca que a intenção da oficina não é criar guitarristas, mas dar oportunidade e desenvolver o gosto entre as mulheres participantes. E se depender da estudante de Publicidade e Propaganda, Juliana Stempozeskas, a intenção já deu certo. "Nunca tinha tocado guitarra, já fiz algumas aulas de violão. Mas a oficina despertou meu interesse, tanto que já procurei saber o preço do instrumento."

    Quebrando modelos

    Bruna acredita que este cenário é fruto de uma tradição histórica, visto que à mulher é destinado o ambiente interno e ao homem, cabe o externo. "Como a mulher é criada para ficar em casa, cuidando dos filhos, ela acaba tendo pouco tempo para dedicar-se a outras funções. E a cultura é uma forma de quebrarmos estes modelos."

    Para a participante da oficina, a estudante Gabriela Morais de Paula, o fato de a oficina não ter a presença de homens facilita a evolução. "Já tenho noção de guitarra, porque toquei e fiz aulas de violão. Mas tenho certeza que se tivesse algum homem aqui, me sentiria intimidada."

    Oficina Rock para Meninas Oficina Rock para Meninas
    Preconceito aparece de forma sutil

    Bruna relata que o fato de ser guitarrista acaba por despertar, em algumas pessoas, um preconceito que vem à tona de forma sutil. "Não é fácil perceber. Um exemplo é que não basta que a mulher seja boa guitarrista, é preciso que seja bonita também, ou seja, o que faz a diferença é enquadrar-se ou não nos padrões de beleza."

    Além disso, o fato de a maioria dos organizadores de eventos ser homens faz com que o convite para apresentações seja feito aos conhecidos e aos amigos. "Dificilmente as mulheres têm créditos. A não ser que exista interesse em 'bandas de meninas', não no som que é feito."

    Entre as bandas formadas por mulheres que agradam ao público do rock estão Bikini Kill, Sleater Kinney, Team Dresch, além das nacionais Dominatrix e da extinta Bulimia. "Tem muita banda boa, que tem mulheres à frente, mas ainda são desconhecidas. Tem de tudo, aquelas que tocam porque querem fazer um som bacana e aquelas que tocam porque pretendem transmitir uma mensagem de engajamento."

    Mulheres no Volante

    A quarta edição do festival Mulheres no Volante prossegue até o próximo domingo, dia 20, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). O evento, que oferece programação gratuita, mescla manifestações artísticas e exercícios de cidadania, por meio de debates e oficinas. Confira a programação.

    Dia 19/3 (sábado)

    • 10h – Oficina – Defesa pessoal para mulheres, com Laís Lery, Juliana Vitral e Juliana Fernandes
    • 14h – Oficina – Vídeo Instrumental para menina, com Marília Xavier
    • 14h – Oficina – Stencil em tecido, com Maria Hallack e Carolina Mota
    • 18h – Sessão de Curtas – Elas Fazendo Cinema. Exibição de curtas-metragens de diretoras que participaram da mostra nacional 2010 do Festival de Cinema de Juiz de Fora e Mercocidades – Primeiro Plano.

    Dia 20/3 (domingo)

    • 16h – Desfile – Organizado pelas professoras Selma Flutt e Cristina Oliveira Assis, do curso de moda da Faculdade Estácio de Sá
    • Shows: Quinteto São do Mato, Top Surprise, Cherry Pie, As Mercenárias

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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