MATÉRIA DE ARQUIVO

Triatlon - Aldo Manfrói

“A mente vence o corpo”

Repórter: Luciana Mendonça
07/08/1998

Esta frase, usada no livro escrito por Aldo Manfrói, 73 anos, italiano que mora em Juiz de Fora desde 1953, justifica a série de vitórias deste atleta. Na mais difícil delas, em 1985, já com 60 anos, Aldo conquistou o vice-campeonato mundial de triatlon, depois de nadar 4 mil metros em mar aberto, pedalar 180 Km e correr 42 Km em uma prova no Havaí. Esta foi a melhor classificação brasileira nesta prova até hoje. O resultado é ainda mais surpreendente quando analisada a história deste campeão, que nasceu com insuficiência cardíaca e asma.

As vitórias

  • Campeão italiano de patinação no gelo
  • Tricampeão italiano de natação
  • Disputou a primeira maratona aos 57 anos
  • Um recorde mundial
  • 36 recordes brasileiros
  • 33 recordes sulamericanos
  • 10 vezes campeão brasileiro de triatlon
  • Tricampeão sulamericano de triatlon
  • Bicampeão panamericano de triatlon
  • Mais de 1.100 vitórias
  • Supermaster do ano, em 1991
  • 52 vitórias em 1992
  • 60 vitórias em 1993
  • Top Ten de 1996
  • 1997 - 87 vitórias em um só ano


Biografia:

“Minha vida pode não ser a mais bonita, mas não é monótona” - Aldo Manfrói

Aldo nasceu em fevereiro de 1925, em Ancona, na Itália. Seu pai biológico, o Conde de Bosadari, era também italiano, mas o padrasto alemão o registrou como filho, conferindo duas nacionalidades a Manfrói. O apoio do padrasto foi, segundo Aldo, fundamental para seu desenvolvimento no atletismo. Aos cinco anos de idade, ele começou a praticar natação, devido aos problemas pulmonares. Adotou também uma alimentação natural, cortando o açúcar, a carne e os enlatados. Aos 15 anos, sua saúde havia se recuperado totalmente e ele já vence o Campeonato Italiano Juvenil.

Terminando o curso científico com 17 anos, Aldo foi estudar na Alemanha, durante o período da segunda guerra mundial. Era obrigado a trabalhar no campo e servir almoço aos feridos. No curso também obrigatório de infantaria, os erros eram castigados com exercícios físicos exaustivos e, em uma das punições, teve que correr durante duas horas seguidas, o que representou sua estréia como corredor. Outro esporte praticado por ele foi a patinação, e foi campeão italiano de patins no gelo. Neste período descobriu que era um atleta de longas distâncias e não um velocista.

De volta para a Itália, Aldo começou a namorar Kathia, com quem se casou e teve três filhos: Flávio, Rainer e Mônica. Kathia pintava, era bailarina e atriz. Aldo trabalhava como intérprete e acompanhava a esposa nas apresentações. A vinda para o Brasil, onde morava há alguns anos o pai de Kathia, aconteceu devido à crise financeira do período pós-guerra. O casal resolveu, então, vir direto para Juiz de Fora. Trabalhavam na pintura de tecidos. Aos 28 anos, Manfrói voltou aos treinos de natação no Sport Clube de Juiz de Fora e aos 31 anos foi campeão e recordista mineiro nos 200 metros de peito clássico. O tempo obtido o classificou em quarto lugar no ranking brasileiro. Até os 45 anos de idade, chegava sempre em primeiro lugar nos campeonatos mineiros.

Além de ter vivido no difícil período nazista, Aldo Manfrói teve também outros períodos tristes. Quando Káthia morreu de câncer, Aldo parou de competir por mais de dez anos e voltou somente aos 55 anos. O filho mais velho, Flávio, teve a mesma doença e morreu, aos 28 anos. Manfrói também teve um tumor no intestino, que foi retirado. O atleta superou todos os problemas e, atualmente, está casado com Eliane, com quem teve Rodrigo.

Os filhos de Manfrói também seguiram o exemplo do pai: Flávio, o mais velho, quebrou recordes estaduais nacionais e internacionais em vários estilos. Aldo chegou a ser chamado o “pai da natação mineira”, quando Flávio, com apenas 11 anos e pesando 29Kg foi Campeão Mineiro dos 1.500 m nado livre para adultos. O segundo filho, Rainer, também participou de competições como nadador, tendo títulos e recordes mineiros. O filho caçula, Rodrigo, também acompanhou Aldo desde os 11 anos de idade (o mais novo triatleta do Brasil) e foi campeão carioca com 12, 13 e 14 anos. Os dois já chegaram juntos em competições por duas vezes.


Aldo, o artista

Aldo é também um artista. Seus trabalhos em mosaico, que, segundo ele, é a arte mais antiga depois da escultura, são periodicamente expostos em galerias da cidade. Os mosaicos são feitos com pastilhas de vidro colorido coladas com um grude especial em paredes ou quadros. Manfrói tem também trabalhos em fotografia, reveladas em estúdio próprio, além de ter escrito o livro “Desafios e mais desafios”, em 1995, pela Editar Editora Associada. O livro, em primeira pessoa, descreve em detalhes a história deste italiano aventureiro.


"A Leda e o Cisne", inspirado na mitologia grega - um dos mosaicos de Manfrói