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  • Móveis antigos restaurados e de cara nova

    Nome do Colunista Luiz Henrique Duarte 4/08/2017

    As peças antigas do mobiliário clássico, histórico e tradicional brasileiro, apresentam vários estilos, e atualmente, são utilizadas como elementos ornamentais para destacar e valorizar os espaços contemporâneos. Com referências direcionadas para o design europeu, o Brasil recebeu e ainda recebe influências das grandes mostras da decoração ocidental, destacando-se um mobiliário altamente elaborado, seguindo as tendências do trend-fashion, concebidos com materiais de vanguarda e uma tecnologia sempre em mutação. A arquitetura e o design de interiores da atualidade, agregam em quase todos os projetos profissionais de decoração, itens preciosos e elementos originais de época, que precisam de restauração para serem novamente expostos  com muito equilíbrio e harmonia em quaisquer que sejam os ambientes modernos, proporcionando uma atmosfera aconchegante, irradiando estilo e personalidade.

    Restauração

    Muitas peças decorativas estão danificadas devido as ações naturais do tempo ou dos desgastes sofridos diariamente pelo seu manuseio, e precisam passar por um minucioso processo de restauração, pata recuperar e preservar suas características originais, sem perder seu aspecto histórico e os contornos legítimos. Estas peças abrangem adornos decorativos de todas as espécies, além de itens do mobiliário, passando por esculturas, janelas, lustres, portas, obras de arte e tetos em madeira.

    A sensibilidade apurada e o olhar direcionado para as peças antigas de época, permitem ao administrador de empresas e restaurador Mário Eduardo Almeida, que está no mercado há 25 anos, recuperar todos os objetos e móveis históricos degradados pelo tempo, através da prática profissional herdada de seu pai, um exímio vivificador de antiguidades, auto-didata, com mais de cinquenta anos de mercado. Mas, restaurar é muito diferente de reformar, um simples ajuste errôneo pode descaracterizar um peça autêntica. "Restauro é questão de originalidade. A peça será renovada com o próprio verniz da época, metais e fechaduras polidos, e na reforma, são praticadas mudanças", explica Eduardo.

    "Quem procura o nosso trabalho são pessoas que conhecem e valorizam a arte, tem uma afinidade e sensibilidade para valorizá-los, pode ser um móvel de qualidade ou apenas de valor afetivo", analisa o restaurador de peças raras. Os restauros precisam de uma árdua análise individual de cada peça, a passar por um reavivamento, quando cada item a ser trabalhado necessita de recuperar os detalhes aparentemente danificados, para deixar o móvel ou objeto com um aspecto mais próximo de sua originalidade. "É como voltar ao tempo, exige muita pesquisa e procura. Cada peça chega aqui em um estado diferente, já restaurei peças que levaram quinze dias, outras em torno de um ano", argumenta Eduardo.

    Para os elementos nobres do mobiliário e objetos antigos passarem por um processo de reconstituição, precisa-se de uma sequência de trabalho e cuidados específicos, para garantir um resultado final coerente com o processo de recuperação. "É uma análise com muito critério, nós possuímos todo um processo para aguardar a colagem e secagem de algo que já chegou estragado, e o grau de dificuldade é diferente para cada peça", questiona o restaurador. Os métodos são os mesmos para os restauros públicos e os particulares, deixando cada elemento passar por esta revitalização, com a mesma estética dominante, ou seja, similar ao seu estado original de época. "Quando os móveis são para repartições públicas ou museus, devemos ter o critério de deixá-los como era usado ali naquela época, assim como em restauros particulares, sem melhorar ou customizar as peças ", observa.

    Geralmente, as madeiras nobres e maciças como carvalho, cedro, imbuia, jacarandá, mogno, pau cetim, pau marfim, peroba do campo, pinho de riga, vinhatico, apresentam peças de mobiliário sólidas e resistentes, afirmando a sua constituição de época e validando a sua restauração, por serem de excelente qualidade. "Hoje, nossas madeiras são cortadas fora de época, sem tempo para secar, com mais critérios até, devido as questões ecológicas e a sustentabilidade e o seu acesso é muito difícil", explica o restaurador.

    Muitos restauros vinculam-se aos móveis que são heranças de família, com memórias afetivas ricas e cheias de boas lembranças, e que fogem aos limites do tempo e do espaço, até mesmo dos valores financeiros do mercado das artes.

    Histórias

    Cada peça do mobiliário antigo ou objetos guardam uma história, uma energia ou um fragmento nostálgico de uma época, as quais não retroagem, são inócuos ao tempo e ao espaço, perpetuando com o seu restauro uniforme e permitindo que futuras gerações tomem conhecimentos dos hábitos e costumes, assim como as tendências da arquitetura e decoração de um período.

    O restaurador juiz-forano tem em seu currículo várias participações em processos de restaurações de peso, principalmente na recuperação do patrimônio artístico, histórico e cultural da cidade, como as cadeiras do Cine-Theatro Central, o mobiliário de um dos quartos de Alfredo Ferreira Lage e o escritório de Mariano Procópio, dentro dos domínios do Museu Mariano Procópio, além das obras públicas, como as portas do Instituto Estadual de Educação e as grades de entrada da antiga Companhia Pantalleone Arcuri e Spinelli. Outras importantes restaurações abrangem a mobília do ex-presidente, Itamar Franco, toda em um autêntico estilo Manuelino, exposta no Museu da República.  "Sem dúvida alguma, uma das restaurações que mais marcaram foram as peças do Museu Mariano Procópio, o próprio mobiliário da Câmara de Vereadores de Matias Barbosa e as portas da Pantalleone Arcuri ", se emociona o restaurador.

    Mas, várias fazendas do interior de Minas e de outros estados recorrem ao restaurador. Para adquirir novas técnicas e métodos, ele se permite viajar, como em sua visita as oficinas de restauro da Fundação Ricardo Espírito Santo, em Lisboa, Portugal.

    No seu staff, está presente o advogado Leandro Dagostinos, que agora restaura peças com precisão e conhecimento de causa. "O que mais gosto de restaurar são as cadeiras, cada uma é de um jeito e requerem uma atenção especial", fala Dagostinos. Para atender as solicitações imediatas de restauro, com peças difíceis de serem montadas novamente, Eduardo ainda recorre aos conhecimentos do pai: "Meu pai é uma fonte de inspiração e de informações, pois trabalhou com isso e com várias pessoas da área, como estudiosos e historiadores" se entusiasma.

    Além de contatar com profissionais relacionados a cultura e história do mobiliário patrimonial brasileiro, para troca de informações relevantes, o restaurador ainda está ligado a uma equipe de marmoristas, vidraceiros, chaveiros e revitalizadores de peças, para garantir juntos, um restauro de qualidade, consolidando todo o seu acompanhamento pessoal em cada peça.

    Para restaurar e usar

    O restaurador tem o privilégio diário de conviver bem de perto em seu atelier-estúdio com baús e malões de tecido e couro, cadeiras em estilo Luís XV, cômodas entalhadas, conjuntos de salas de jantar português, criados toilette estilo império, espelhos bizotados com moldura em cristal, eletrolas chippendale, guarda-louças do século passado, guarda-roupas estilo renascentista, recamier em palha indiana, além de bandejas com trabalho em marchetaria, fruteiras ornamentais niqueladas, molduras douradas em estilo barroco e relógios de parede com hieróglifos em algarismos romanos. "A restauração dos móveis está modificando, a procura ficou grande de uns 20 anos para cá, é bom para a cultura em geral, porquê você traz o passado para o presente, observa como ocorreu a história, quem utilizou o móvel, como usou", explica.

    As nossas peças antigas, às vezes, precisam de um vigor novo, e mesmo fazendo parte do acervo pessoal, podem passar sem a percepção de nossos olhares a necessidade de serem restauradas sem perder sua originalidade. Desta forma, basta, observarmos alguns sinais, entre os quais:

    • Descolamento de detalhes em madeira.
    • Espelhos foscos e sem nitidez.
    • Portas empenadas e com dificuldades para abrir.
    • Metais precisando de polimento e restauro.
    • Fechaduras sem giro para abrir.
    • Relógios com vidros quebrados ou com à caixa em madeira fragmentada.
    • Cadeiras com assentos desconstruídos ou estrutura em perigo.
    • Guarda-roupas com à forração interna comprometida.
    • Molduras precisando de polimento ou quebradas.
    • Mesas sem equilíbrio plano.
    • Peças com mau-cheiro ou com necessidades de limpezas para sua conservação.
    • Portas, janelas e grades fragmentados devido ao tempo.
    • Escrivaninhas ou papeleiras antigas com partes precárias.
    • Móveis com cupins.
    • Maleiros e porta-chapéus antigos precisando de substituir peças.
    • Enfeites quebrados ou faltando pequenas partes.

    A fruteira com base em madeira e pendentes de sustentação em formato de peixes marinhos, entalhados no metal, precisou de um reavivamento na tonalidade prateada, além disso, o prato em vidro foi cautelosamente composto para o seu uso, observados durante nossa reportagem no seu atelier. "Eu fiz novamente a base em madeira e a parte metálica, que estava toda enferrujada, nós polimos e mandamos dar um banho de níquel e montamos essa peça de família novamente", exemplifica o restaurador. Entretanto, as gavetas emperradas, os pés da base soltos ou a estrutura sem firmeza, são alguns dos fatores que mostram a necessidade de restaurar uma peça, como a alteração nas tonalidades das madeiras, devido a claridade intensa ou sol abundante. "O processo de igualar as peças é uma alquimia, é um dos segredos, existe um espectro grande de tonalidades para você realizar uma intervenção quando à madeira já adquiriu claridade, e foi lustrada com vários produtos ", ressalta Eduardo.

    Para você que gosta de peças antigas e deseja expor um móvel ou objeto que foi herança de família, idealizando um ambiente especial, basta adaptar este elemento antigo com o seu estilo de decoração, criando sempre novas possibilidades de uso e deixando sempre a sua casa arrumada. "Quem gosta de peças antigas, de época, coloca-as em um canto especial, para dar um ar diferente, valorizando o ambiente, por ser uma peça mais requintada, e os guarda-louças, cômodas, espelhos, dão um charme à mais, uma casa toda moderna, você pode colocar um relógio antigo na parede, um criado ou abajur", ensina o restaurador.

    As fotos exclusivas de Angeliza Lopes Aquino registram.

    Luiz Henrique Duarte é Bacharel em direito, designer de interiores graduado, jornalista apaixonado por arte clássica e contemporânea, boa música, arquitetura e tudo relacionado à estética do bem viver.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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