Meio Ambiente

Catadores de Papel Juizforanos desempregados encontram na reciclagem
um modo honesto de sustentar a família

Rita Couto
Colaboração
05/05/2005

Caixas de papelão, papel usado, latas de refrigerante, fios de cobre, pedaços de alumínio... tudo o que para a maioria dos juizforanos é considerado lixo, hoje, é a única fonte de renda para Alisandra, Pedro, Roberto e Maria de Fátima - (clique para ler os depoimentos) - e muitos outros que trabalham como catadores de papel.

Em Juiz de Fora, existem depósitos de materiais recicláveis que emprestam carrinhos para que os recicladores possam transportar os itens recolhidos nas ruas. Cada um desses depósitos tem uma frota de carrinhos de cor diferente que serve para identificação e os catadores não podem vender os materiais a outra empresa que não seja aquela que forneceu o transporte.

A opção tem se tornando fonte de renda para boa parte da população e feito de Juiz de Fora o maior pólo reciclador do país. Ao todo são cerca de 40 depósitos paralelos e 500 catadores autônomos ou inseridos em cooperativas.

Criação de uma associação
Em 1999 foi inaugurada a Associação dos Catadores de Papel e Resíduos Sólidos de Juiz de Fora (APARES). A associação, além do emprego com a venda dos materiais recolhidos, oferece ainda aos catadores uma cesta básica mensal.

Como se associar - Para se tornar um associado, é preciso fazer um curso preparatório com duração entre 15 e 25 dias. Neste treinamento, os catadores são instruídos pela Polícia Militar a como manipular o carrinho de transporte nas ruas sem prejudicar o trânsito, o Corpo de Bombeiro oferece noções para se evitar incêndios no depósito, já que a maioria dos recicláveis são inflamáveis e médicos ensinam como manipular os materiais sem correr o risco de se contaminar, além de outros profissionais de diferentes áreas que instruem os catadores para que consigam fazer seu trabalho com mais segurança.

Após o curso, o reciclador recebe um carrinho que é doado e mantido pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DEMLURB) e pode começar a recolher os objetos nas ruas da cidade. Os materiais são separados, prensados, pesados e vendidos e, como a tabela de preços da associação tem um preço mais alto, a diferença é entregue a cada catador no final da semana.



Júlio Lacerda (foto ao lado), ex-presidente da APARES, diz que é muito bom ser um associado, pois o curso oferecido ajuda os catadores a trabalhar com menos riscos.

Saber dar destino certo ao lixo já faz parte de diversos programas de conscientização ambiental. Um exemplo é o projeto Reciclarte (Leia a matéria) que alia o lixo à criatividade. Iniciativas públicas e privadas têm dado certo, igualando Juiz de Fora ao nível de Curitiba, referência nacional em termos de coleta seletiva.

Outra associações:
  • Cooperativa de Catadores Mãos Verdes - funciona na Rua Benjamin Constant (incubada pela UFJF)

    *Rita Couto é estudante do terceiro período de Comunicação Social da UFJF