Cidade
"Hora extra" no Ano Novo
Enquanto muitos se divertem, homens e mulheres trabalham para garantir a alegria e a organização da chegada de 2006

Fernanda Leonel
Repórter
29/12/2005

Você trabalharia na noite de ano novo? Depende do dinheiro ou só o amor à profissão basta? Participe da enquete, clique ao lado!

Veja!


Enquanto muitos se divertem, lá estão eles: firmes, ganhando o "pão de cada dia" nos momentos de lazer dos outros. E nesse ritmo, nem sempre é possível escolher o dia ou a hora de trabalhar: passa o Réveillon, passa o Natal, passam as férias e todos estão no "batente".

Músicos, DJ´s, barmans, donos de bares ou boates. Todos são promotores da alegria de quem resolveu extravasar o cansaço do trabalho diurno em noites especiais. E se as profissões são muitas, as histórias são parecidas. A maioria aproveita as comemorações para ganhar um pouco mais de dinheiro, pois nessa época do ano os salários ou cachês tendem a subir até 70%. Outros realmente não se importam, ou aprenderam a conviver bem com a situação pelo amor que possuem ao ofício escolhido.

Com a virada do ano próxima, há aqueles que se preparam para deixar a família em casa ou os amigos reunidos naquele programa que, poderia ser o máximo se não estivessem trabalhando. E nesse momento, haja jogo de cintura para contornar os relacionamentos ou desprendimento para esquecer o quanto o mundo comemora a chegada de 2006.

Amor à profissão
Luciano Soares (foto ao lado) é apaixonado pelo que faz. Guitarrista há 15 anos, afirma ter trabalhado com bandas em 13 viradas de ano. "Já me acostumei com isso e, na verdade, prefiro muitas vezes estar tocando no dia 31", comenta.

A família de Luciano já compreendeu. Sabem que se ele puder escolher, vai optar pelo Réveillon no palco. Para explicar essa preferência, Luciano deixa um enigma na resposta: " Só sendo músico pra entender".

Nessas 13 viradas de ano, o guitarrista já tocou em bandas das quais ele fazia parte e também em algumas que foi contratado só para o dia 31. Mas em ambas situações ele vê o lado positivo. De acordo com Luciano, o ano novo pode ser uma ótima oportunidade para fazer amigos em bandas que ele faz shows pela primeira vez, assim como pode ser tão divertido como ir ao clube com amigos se você já "é chapa das pessoas com as quais se vai dividir o palco na noite da virada".

Na categoria dos apaixonados pelo que faz também podemos destacar o vocalista Anderson Fernandes (foto ao lado). O cantor que trabalha na noite há mais de oito anos, passou todos esses anos fazendo contagem regressiva para o público que o contratou.

Para Anderson, o único problema de trabalhar nessa época do ano é não poder comemorar datas importantes com a família. No que diz respeito à compreensão do parceiro, ele brinca: "Tive uma namorada que sempre me acompanhou nos shows, que dizia que não se importava. Mas ela não agüentou e acabou terminando comigo".

Entender o namorado, noivo ou marido, que sempre está trabalhando em datas comemorativas, nem sempre é tarefa fácil. Os dois músicos são enfáticos ao afirmar que esse é um dos maiores problemas dos relacionamentos de quem trabalha na noite. "É preciso compreender, porque é nossa profissão", destaca Luciano. Já Anderson acredita que o relacionamento entre pessoas que possuem a mesma ocupação, nesse tipo de trabalho, diminiu bastante os possíveis atritos. Ele diz que é muito comum ver músicos namorando com vocalistas e que ele mesmo já teve relacionamentos desse tipo muito bem sucedidos.

Caminho inverso
Gabriela Feitosa (foto ao lado), dona de uma casa noturna de Juiz de Fora, está tentando fazer o caminho inverso. Depois de muitos anos trabalhando na noite da virada, resolveu há quatro anos dar uma pausa no sufoco do dia 31.

Ela explica que apesar do lado financeiro valer a pena, ela resolveu pesar o lado afetivo da virada do ano com a família ou com o namorado. "É só trabalhar muito durante o ano para nem se preocupar com a grana que se pode ganhar no final", explica.

A promoter juizforana conta que o parceiro já passou muitos Réveillons onde ela estava trabalhando, mas que definitivamente não é possível dar a atenção necessária. Na contagem regressiva ela nunca pôde parar para dar um abraço de "feliz ano novo" em alguém.

Já o DJ Stefan (foto ao lado), resolveu abrir mão do seu descanso no ano novo em função do trabalho pela primeira vez. Para ele, o financeiro foi decisivo na hora do "sim" ao contratante. De acordo com Stefan, nessa época do ano, o cachê médio de um DJ pode dobrar.

Ele acredita que o mercado de trabalho para DJ´s está cada dia melhor e que é preciso aproveitar as oportunidades para fazer um "pezinho de meia". Assim como os outros entrevistados,Stefan aproveita outras épocas do ano para viajar e comemorar o ano com familiares e amigos.

Você trabalharia na noite da virada ano?
      Sim. Não me importo com esse tipo de comemoração
      Sim. Mas precisariam me pagar bem
      Não. Dou muito valor às festas de fim de ano
      Não. Não deixaria minha família, nem minha namorada (o) ou marido (mulher)
   
ATENÇÃO: o resultado desta enquete não tem valor de amostragem científica e se refere apenas a um grupo de visitantes do Portal ACESSA.com