Com investimento de R$ 65 milhões, o Conex é considerado incentivador do turismo de eventos, mas também recebe críticas
Ricardo Corrêa
Repórter
07/03/2006
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O dinheiro é do Governo do Estado, com o apoio de deputados, principalmente
o de Sebastião Helvécio (PDT), o terreno é da Prefeitura (PJF) e a reivindicação
sempre foi da iniciativa privada e das entidades representativas. Mas, na
hora de colher os louros da vitória sobre a construção e implantação do
Centro de Convenções - o Conex -, em Juiz de Fora, todos querem participar. Isso porque a obra, reivindicada há muitos anos pelos setores turísticos, é considerada o grande impulsionador do turismo de eventos na cidade. O Centro de Convenções, que tem inauguração agora prevista para o mês de junho, foi a única obra a conseguir a proeza de trazer o governador Aécio Neves à cidade, em maio do ano passado. E, segundo o prefeito Alberto Bejani, existe grande possibilidade de que isso aconteça novamente, na inauguração do local.
Mas pouca gente sabe exatamente o que vai significar o Conex. E nem todos concordam com a sua implantação no local em que foi determinado, às margens da BR-040, próximo ao trevo de Torreões. Como acontece naturalmente com todas as grandes obras realizadas na cidade, há quem fale de desperdício de dinheiro ou escolha por interesses comerciais. O certo é que a necessidade de implantação do Conex, ninguém nunca discutiu, e nem discute.
O Centro de Convenções será um espaço preparado para receber todo tipo de evento. Desde os congressos nacionais e internacionais, até o famoso Miss Brasil Gay, todos os eventos de grande porte poderão ser realizados na nova estrutura, construída com verba estadual, garantida através da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). A empresa foi criada pelo governo para fomentar o desenvolvimento do estado.
A área
total do terrreno será de 180 mil metros quadrados. Dentro deste espaço, uma estrutura
modular que terá, inicialmente, um pavilhão de 13 mil metros quadrados para
exposições, além de salão de convenções para duas mil pessoas e seis salas
de apoio, cada uma para 270 pessoas.
Os benefícios do Conex já aparecem, até mesmo, na fase de construção. Caso dos 350 postos de emprego diretos criados com a obra, o que faz o prefeito Alberto Bejani ressaltar a iniciativa e lembrar que faz parte de um projeto de turismo para a cidade.
"Uma outra frente de nossa atuação por mais empregos tem sido transformar Juiz de Fora em ponto de referência de ações para o desenvolvimento turístico regional. Em conjunto com os diversos municípios da região, estamos promovendo, por exemplo, a demarcação do Caminho Novo (leia a matéria), que é um trecho da Estrada Real. Os sete municípios que são cortados pelo trajeto histórico estão trabalhando juntos para impulsionar o turismo nestas cidades e atrair novos investimentos para a Zona da Mata. O Centro Regional de Convenções e Exposições da Zona da Mata (Conex), outro grande empreendimento para a cidade, está sendo construído na BR-040, com previsão de inauguração nos próximos meses", ressaltou o prefeito.
Verbas altas
Foi o deputado Sebastião Helvécio (PDT) (foto) que conseguiu, quando era relator do
PPAG, o Plano Plurianual Governamental, inserir o Conex como um projeto
estruturador do governo Aécio Neves (PSDB). Com isso, garantiu a liberação
de recurso, que começou com os já repassados R$ 25 milhões para o
início das obras. Mas isso não foi suficiente. Agora, uma nova emenda do
deputado, já aprovada pelo Executivo, liberou mais R$ 40 milhões para a
conclusão da obra, que é um sonho antigo, mas só começou a deslanchar em
meados de 2002.
Segundo Helvécio, foi só após a terraplenagem realizada em conjunto com o então governador Itamar Franco (PMDB) que o projeto ganhou mais força. Naquela época, a obtenção de recursos era muito mais difícil. Agora, segundo ele, o governo do estado não criou dificuldades para liberar os recursos. "A verba é grande. Com essa emenda de R$ 40 milhões, agora são R$ 65 milhões investidos. Essa verba dará para fazer o acabamento e completar o que está lá hoje. Com seis ou sete milhões por mês, a obra já estará concluída em junho", explica o deputado.
Ele ressalta a importância do Conex como impulsionador da cidade que será grande receptora de turistas de eventos. "Não tenho dúvida disso. O plano estratégico de Juiz de Fora já apontava para a necessidade de criação do Centro de Convenções. Temos que incentivar o turismo de eventos. Claro que não é só isso. Temos que valorizar a nossa região. Por isso fiz esforços para colocar o Museu Mariano Procópio dentro do percurso da Estrada Real (leia). Porque ninguém vem para Juiz de Fora ver o Museu. Temos que ter isso também, mas é importante a questão dos eventos", explicou o deputado que lembrou a necessidade da conclusão das obras do aeroporto de Goianá e a modernização do aeroporto da Serrinha.
Boa idéia, lugar ruim?
A construção e implantação do Centro de Convenções em Juiz de Fora
sempre foi uma bandeira levantada pelo Sindicato dos Hotéis, Bares,
Restaurantes e Similares. Só que agora, com o sonho realizado, o momento que
seria de comemoração se transformou em frustração.
Segundo o presidente da entidade, Antônio Jorge Marques, a construção do Conex no local onde está sendo feita, além de não ajudar no desenvolvimento do turismo na cidade, ainda atrapalha.
"Nossa posição como presidente de uma categoria que tem um interesse grande no turismo é que sempre foi a nossa bandeira o centro de convenções, principalmente porque não temos praias e temos que apostar muito no turismo de eventos. Isso nós estamos falando há muito tempo, e está inclusive no nosso programa de turismo. Porém, onde está localizado nós somos contrários", ressaltou Antônio Jorge Marques.
"Nós estamos na contramão de outras cidade. O centro de convenções no local que foi instalado vai esvaziar mais a cidade e a deixá-la mais pobre ainda. Eu acho que o que está se fazendo em outra cidade era reativar o centro. O conex devia ser aqui em Juiz de fora", lamenta o presidente do Sindicato, dando exemplos.
"Vai ter uma feira, um evento importante e o sujeito vem de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo, mas não vai entrar na cidade. Os donos do dinheiro vão colocar restaurantes, hotéis e a cidade fica cada vez mais vazia. Vai ser um tremendo prejuízo para Juiz de Fora", diz Antônio Jorge.
Ele evita dar detalhes, mas crê que interesses comerciais estão claramente ligados à escolha do local. "O interesse foi lá. Lá porque valorizou aqueles terrenos em volta. Muito interesse que eu desconheço mas eu sei que existe. Agora mesmo uma firma muito grande, uma multinacional comprou casas e vai abrir casa grande de móveis ali na Getúlio Vargas. Os barões das terras poderiam ter feito isso se quisessem. Em semana de convenção a cidade vai ficar vazia, em compensação os donos do terreno vão ficar cheios de dinheiro", critica Antônio Jorge, que lembra que outros eventos, atualmente já existentes na cidade poderão ir para o Conex, prejudicando ainda mais os donos de hotel. É o caso do Miss Gay, por exemplo.
Mas o deputado Sebastião Helvécio discorda. Segundo ele, não haveria na cidade um terreno com as mesmas características e tamanho para receber o Conex. "Impossível. Encontrar um terreno daquela extensão em outro ponto não daria. São mais de 180 mil metros quadrados. E por isso fizemos duas obras para melhorar o acesso e criar facilidades. A duplicação da Deusdedith Salgado e a expansão do estacionamento, que seria particular e agora vai ser do próprio Centro de Convenções. A renda é quase tão grande como a própria renda dos eventos em si", explicou Helvécio.
E depois que ficar pronto?
O sonho da construção do Conex está quase realizado, mas o trabalho não pára
por aí. A construção do lugar não ajuda em nada se um plano não for feito
para que possam ser atraídos eventos para o novo local. O deputado Sebastião
Helvécio garante que isso já está sendo pensado. Essa semana ele entrou, na
Assembléia Legislativa, com um pedido da criação de uma comissão especial
para discutir a gestão do Conex.
"Precisamos de uma gestão empreeendedora. Temos 54 finais de semanas no ano e temos que garantir que teremos atividades para essas datas. Ainda vamos estudar qual a melhor maneria, convocar audiências públicas, e sentar com todo mundo que entende do assunto para discutir. Eu quero fazer, no Conex, o mesmo que estou propondo aqui para Belo Horizonte, com o Expominas", explica Helvécio que quer que o novo espaço seja inaugurado com uma exposição de artesanato feito em cidades da região.
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RAIO-X DO CONEX
Localização
Recursos investidos
Inauguração:
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