O fim do Sitt
Bejani encerra polêmicas em torno do Sistema no qual
foram enterrados R$ 47 milhões dos passageiros. Astransp lamenta
Repórter
30/05/2006
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Com um papel e uma caneta o prefeito Alberto Bejani enterrou nesta
terça-feira, dia 30 de maio,
uma série de críticas, protestos, polêmicas e R$ 47 milhões pagos pela
população no Sistema Integrado de Transporte Troncalizado (Sitt). Em 120 dias, o
Sitt, sistema que possuía um terminal e ônibus articulados para ligar o
Centro aos bairros da Zona Norte vai acabar.
O projeto, implementado pela antiga administração municipal, mas inaugurado já depois da posse de Bejani, definitivamente não deu certo. E na hora de decidir entre consertá-lo ou encerrá-lo, a Prefeitura optou pela segunda alternativa.
De acordo com Bejani, estudos apontaram que o Sitt só daria certo se fosse implementado, pelo menos, pela metade. Isso significaria construir mais um terminal, em outra região da cidade. Ao invés de avançar, o recuo. Bejani alegou que não houve benefício e sim sacrifício da população. Ele argumentou que isso é comprovado pelo resultado de uma pesquisa feita por uma empresa que Bejani não quis revelar o nome. Os dados: 96% dos usuários do Sitt desaprovam o serviço.
Ao lado de Bejani durante toda a coletiva, o presidente da Astransp, Fernando Goretti, evitou falar, mas demonstrou seu claro descontentamento. Enquanto Bejani falava, chegou a balançar a cabeça negativamente. Quando foi falar, também foi cortado pelo prefeito. Perguntado se isso significaria o retorno dos 40 ônibus comuns retirados do Centro da cidade, Goretti disse sim. Bejani cortou e disse: não. Sobre a conta de R$ 47 milhões, Bejani diz que não será prejuízo para as empresas. "Não é a empresa que paga. O cidadão é que pagou pois estava na base da tarifa".
Mais tarde, a Astransp divulgou nota repudiando a atitude da Prefeitura.
"A Associação Profissional das Empresas de Transporte de Passageiros de Juiz de Fora - Astransp - lamenta e considera um retrocesso a decisão do poder público de desativar o Sistema Integrado de Transporte Troncalizado (SITT). O investimento das empresas foi superior a R$ 40 milhões, incluindo Terminal Romeu Vianna, viaduto, desapropriações, ônibus e equipamentos. Os empresários se reúnem amanhã (quarta-feira, dia 31) para avaliar a situação e discutir propostas para readequar o transporte coletivo urbano", diz o texto.Os culpados
Só com a compra dos ônibus foram gastos R$ 9 milhões. No total da
implantação, foram R$ 47 milhões investidos. Dinheiro que a população pagou
na passagem de ônibus, já que foram embutidos na planilha que deu origem ao
valor da tarifa. Dinheiro, basicamente, jogado fora. A culpa Bejani joga
para os pais do projeto, a antiga administração. Ele chamou o erro de
"preguiça de estudo técnico", porque não se identificou que o sistema não
funcionaria sem que outros terminais fossem criados.
"Se fosse construído por exemplo um terminal na esquina da Avenida Brasil com Rio Branco, ali seria um local ideal. Aí o cidadão gastaria 30 minutos a mais, para descer de um ônibus, mas iria de Benfica à Santa Luzia, por exemplo, pagando apenas uma passagem. Aí era vantagem. Do jeito que foi feito não. Ele já pagava uma passagem para ir do Centro à Zona Norte e continua pagando uma passagem só, mas demora 40 minutos a mais", atacou Bejani. Ele reiterou, no entanto, que essa é a grande crítica da população.
"A grande reclamação é essa. O cidadão vem sentado, tem que descer do
ônibus e ficar esperando para pegar outro", questiona.
Para Bejani, a propaganda positivista feita pela antiga administração na
imprensa iludiu a população, que apoiou a iniciativa sem saber exatamente o
que era. Tanto ele quanto o presidente da Astransp reconheceram que os
estudos feitos naquela época foram insuficientes.
"A propaganda que fizeram, mostrando o exemplo de Curitiba, com Jaime Lerner vindo aqui e dizendo que funcionaria criou uma expectativa. Mas era necessária uma visão um pouco mais ampla sobre o funcionamento do Sitt.
E agora?
Seco, o presidente da Astransp, Fernando Goretti, disse que ainda vai se reunir
com os proprietários de empresa para definir uma posição. Ele limitou-se a
dizer que estava sabendo naquele momento e reconheceu que o sistema está
"capenga".
O terminal Romeu Vianna será desocupado e sua nova função será definida até a próxima sexta-feira. A grande possibilidade é a de que se transforme no Hospital da Zona Norte, mas Bejani não confirma.
O prefeito também rebateu as críticas de que isso irá agravar os congestionamentos no Centro.
"Os ônibus passam pela calha central e as pistas laterais ficam congestionadas. Temos que fazer um trabalho de conscientização para que o cidadão passe a andar de ônibus e não de carro. Quem mora em São Mateus não tem necessidade de ir de carro todos os dias para o Centro. Esse trabalho educativo nós vamos fazer. Juiz de Fora tem 130 mil veículos registrados, muito mais do que a capacidade", explicou o prefeito, que ainda citou vias alternativas que estão sendo construídas para desafogar o trânsito de veículos de pequeno porte no Centro. Um exemplo é a que liga Poço Rico, Granbery e Bom Pastor.
Apesar de estar tomando uma medida radical em relação ao transporte, o
prefeito elogiou o sistema de Juiz de Fora. Disse que está entre os melhores
do Brasil e voltou a dizer que a passagem é a mais barata entre as cidades
deste porte. Bejani reiterou que não haverá mudança no valor da passagem,
mesmo com o fim do Sitt.
"Passagem só muda uma vez por ano. Não vai mudar mais", declarou.
Uma das que mais comemorou foi a vereadora Rose França (PTB), uma das maiores críticas do sistema troncalizado. Ela, que chegou a dizer que Bejani "era padrasto do Sitt e não pai", comemorou a decisão de seu colega de partido, por reconhecer essa como uma das maiores reivindicações dos moradores da Zona Norte. Paulo Rogério (PMDB), líder do Executivo na Câmara, disse que a atitude foi corajosa e importante.
Bejani aproveitou a ocasião para se dizer surpreso com a veiculação, na imprensa, de matéria que mostra a atuação de ônibus clandestinos em Juiz de Fora. Ele disse que não sabia da circulação dos "piratas" e questionou a falta de fiscalização, que é atribuição da Prefeitura. Mandou um recado para seus secretários e para a Polícia Militar.
"Viu aí, Ciro (Rodrigues, coronel da PM e atual secretário de Segurança Pública da PJF) pode transmitir para a PM que é para começar a parar esse tipo de veículo", disse, irritado.
Decreto
Veja a íntegra do decreto do Prefeitura, anunciando o fim do Sitt
"Pelo presente, no uso das atribuições legais, NOTIFICO esta ASSOCIAÇÃO, na
condição de legítima representante das Empresas prestadoras de serviços
públicos de transporte coletivo urbano no Município de Juiz de Fora que, a
partir desta data e no prazo máximo e improrrogável de 120 (cento e vinte)
dias, para preservar o interesse público coletivo, deverá ser completamente
desativado o Sistema de Transporte Troncalizado - SITT, com finalização da
utilização e desocupação do Terminal Romeu Vianna, devendo, no mesmo
período, as empresas concessionárias que atendem a Zona Norte da Cidade,
aprovarem, junto à GETTRAN/JF, novos horários, itinerários, número de linhas
e de ônibus para atender à demanda de transporte coletivo da Região,
retornando ao sistema tradicional de atendimento à população.
Atenciosamente, Alberto Bejani - Prefeito de Juiz de Fora-MG"
Matéria importante quanto ao aspecto da informação porém lamento como cidadão a atitude do prefeito pois se em todos os lugares implantados o sistema deu certo porque Juiz de Fora que tem uma cultura elogiavel não haveriamos de viabilizar o sistema em prol do cidadão??????
Marcio Duque
1- Não era de ser esperar uma outra posição do nosso Sr. Prefeito Alberto Bejani. Simplesmente terminar, só isso!
2- A prefeitura precisa de um terreno para o Novo Hospital da Zona Norte, Olha! Tem um lugar vago daqui a 120 dias!
3- E a população? Não tem problema, já estava embutido na passagem. Francamente!
Adriano Borges
Em pleno dia de aniversário de Cidade, esta notícia que cai como uma "Bomba". 47 milhões de investimento com dinheiro público feito sem planejamento que descem pelo ralo. Depois dessa... Só mesmo comemorando o aniversário de Juiz de Fora com um oportuno FERIADO na semana que vem. Penso que o Povo Trabalhador merece mais respeito.
Raquel do Nascimento
Foi a melhor noticia que leio desde a inauguração deste sistema de transporte. Parabéns ao prefeito. Que começa agora a ganhar créditos com mais um eleitor..
Leonardo Fonseca Morais
Bato palmas pela atitude de fazer um bom jornalismo. As matérias de Ricardo Corrêa sobre a decisão de pôr fim ao Sitt, externada pela prefeitura de Alberto Bejani (PTB) nesta última terça-feira, mostraram a maturidade que o Acessa.com apresenta em momentos como este. Vejo, hoje em Juiz de Fora, muitos veículos de comunicação locais não possuirem a coragem de expôr um ponto de vista, mesmo que seja o "ponto de vista do debate/ discussão" e, na matéria em questão, o Acessa.com o fez muito bem. Parabéns pela qualidade.
Bruno Mourão Paiva
É impressionante como uma pessoa pode jogar por terra 50 milhões de reais investidos, assim, em uma simples canetada, dinheiro este que nós pagamos: "os custos estavam embutidos nas passagens" disse ele. Agora, porque o SITT não pode dar certo? Este tipo de transporte deu certo em todos os lugares que foi implantado. Não precisamos ir tão longe quanto Curitiba. Basta irmos aqui do lado, em Petrópolis, uma cidade que, com toda dificuldade de limitações de vias e de espaços para construções de terminais, conseguiu implantar um sistema semelhante. Lá, este sistema, que foi iniciado há 13 anos, isto mesmo, 13 anos não 13 meses, está sendo completado agora com a transformação da antiga rodoviária no centro em terminal, interligando, desta forma, toda a cidade. No início foi a mesma coisa. Muita reclamação, ônibus e terminais lotados, mas, como uma criança que cresce e amadurece, o sistema foi se desenvolvendo, logicamente, com seriedade e cumprimento das metas e planos traçados e não com politicadas e atitudes intempestivas e irresponsáveis. Hoje, passados 13 anos, todo mundo aprova poder ir da Posse até o Quitandinha, ou do Bingen até Itaipava, pagando apenas uma passagem, mesmo tendo que trocar de ônibus. Então, porque não poderíamos sair de Torreões e ir até Benfica pagando apenas uma passagem. Seria apenas questão de planejamento sério e vontade política. Logicamente, não seria em um ano que isto aconteceria, como não o foi em Curitiba ou em Petrópolis. Mas, agora, isto não acontecerá mais e voltaremos à idade da pedra em termos de transportes. Espero, sinceramente, que isto seja repensado e que seja dada mais uma oportunidade à cidade de se ter um transporte realmente digno do século 21. Espero também que não se coloque a culpa do transito caótico do centro nos ônibus interurbanos que passam por lá, prejudicando os que necessitam deles pois trabalham em outras cidades mas continuam morando aqui para usufruir da qualidade de vida que a cidade ainda oferece, como é o meu caso. O nosso prefeito perdeu uma grande oportunidade de deixar de ser padrasto do SITT e passar a ser o seu redentor.
Mário Fernandes
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