Meio Ambiente

Dia Mundial da Água JF comemora com restrições o Dia Mundial da Água.
Ambientalistas alertam a população sobre o desperdício

Renata Cristina
Repórter
21/03/2007

O mundo celebra nesta quinta-feira, dia 22 de março, o Dia Mundial da Água. Ao contrário de uma grande comemoração, a data será de planejamento, manifestos e alertas, devido a possibilidade de escassez de água doce no planeta.

Um documento da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação revela que até 2027, 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo não terão acesso à água de qualidade.

Em Juiz de Fora, a questão é levantada por ambientalistas, biólogos e engenheiros, preocupados com a projeção mundial. Embora a região seja abastecida por três mananciais, o da Represa João Penido, São Pedro e o Córrego Espírito Santo, estes especialistas garantem que a população pode sofrer as conseqüências da urbanização dentro de 20 anos.

"O grande desafio é fazer com a população que habita a região dos mananciais não comprometa a qualidade da água", avalia o presidente da Associação do Meio Ambiente de Juiz de Fora (Ama-JF), Theodoro Guerra de Oliveira.

O caso mais preocupante é o da Represa de São Pedro, em que a habitação crescente próxima ao reservatório já representa uma ameaça na distribuição de 10% da água potável na cidade. Já o granjeamento vizinho a Represa João Penido também pode gerar um quadro instável no abastecimento de água. "Apesar de JF ser muito beneficiada em relação aos recursos hídricos, o risco de contaminação acontece não só naquela área, mas em toda a bacia da João Penido que envolve uma região muito ampla", salienta o gerente de projetos e obras da Cesama, Marcelo Amaral (foto ao lado).

Segundo dados da Cesama, cerca de 60% da população juizforana é abastecida com os recursos da João Penido. O volume armazenado de água no reservatório é de, aproximadamente, 16 milhões de metros cúbicos. Por dia, cada indivíduo consome 250 litros diários, que se comparados com a média per capita da Organização das Nações Unidas cairia em 70 litros.

Avaliando os possíveis impactos ocasionados pelo desperdício e a poluição das águas, é que a Cesama e Prefeitura de Juiz de Fora levantaram recursos com o Governo Federal para a construção de mais um manancial na região. Cerca de R$ 24, 5 milhões estão sendo investidos na Chapéu D'uvas, com expectativa de atender a cidade no final de 2008.

Foto do Poço Dantas Foto Chapéu Duvas

"O local possui metade da quantidade total produzida atualmente em Juiz de Fora, com capacidade de 850 litros por segundo", ressalta Marcelo Amaral. Outro ponto positivo da região é a distância dos centros populacionais. O reservatório fica a 17 quilômetros da estação de tratamento de água de Benfica.