Uma decisão da justiça acabou dando novos rumos à greve do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Na última segunda, a 17ª Vara da Justiça Federal determinou, por meio de liminar, que o órgão mantenha em funcionamento todos os serviços interrompidos pela greve dos servidores, que causem danos ao ambiente.
No caso de descumprimento da ordem, a associação dos servidores - a Asibama - estaria sujeita a multa de R$ 5 mil por dia, além de ações criminais e administrativas contra os líderes do movimento.
A liminar, que vem para colocar mais lenha na fogueira na
discussão do direito de greve dos trabalhadores,
acabou sendo cumprida e aumentando a polêmica. Segundo informações de Milton Isidorio Neves,
analista ambiental da sede do órgão local, "houve uma quebra do movimento por parte do governo, já que a volta de parte dos
funcionários pode ser entendida por ele como sinônimo da diminuição da força do movimento"
.
Como mesmo observou o analista ambiental, a greve é hoje um dos únicos instrumentos de pressão dos trabalhadores para com o governo. Para Milton, se o governo diminui essa liberdade do funcionalismo, acaba conseqüentemente ganhando mais força.
Contentes ou não, o fato é que nesta terça-feira, 15 de maio, 50% do efetivo do Ibama teve que voltar ao trabalho, entre servidores e responsáveis pela área técnica do órgão. A adesão à greve na cidade tinha atingido a marca de 100%.
A decisão foi tomada depois de uma reunião que aconteceu nesta manhã entre os advogados da Asibama, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público (Condsef) e Sindicato dos Servidores Públicos Federais (Sindsep) que analisaram que o era melhor seguir a determinação judicial para entrar com o pedido de recurso contra a liminar da Vara da Justiça Federal.
Agora os funcionários aguardam os próximos passos da justiça e o resultado do recurso movido contra a decisão do governo para tomar novas providências no que diz respeito aos rumos do movimento. Na última segunda mesmo, logo que foi a liminar foi expedida, ficou legítimo e determinado o corte do ponto dos faltosos.
Entre os serviços que de acordo com a liminar não podem ser paralisados em hipótese nenhuma, estão as análises de licenciamento ambiental para Obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.
A greve deflagrada pelo funcionários do Ibama pretende derrubar a medida provisória 366, baixada
pelo presidente Lula na semana passada. Pela medida, o Ibama se "divide" em dois no que diz respeito às suas
atribuições e transfere parte de suas responsabilidades para o Instituto Chico Mendes.
Segundo Milton Isidorio, o Ibama iniciou a paralisação, como uma forma de protesto, já que eles acreditam que essa divisão só vai fragilizar a instituição "que já estava a tempos sendo sucateada pelo governo".
"O plausível é imaginar que uma instituição tenda a se fortalecer como um todo e não dividindo funções.
É importante frisar que o governo se volta contra nós, quando estamos prezando pela qualidade do
trabalho e não por questões salariais como se imagina. Apesar do salário ser outra discussão que merecia crédito, nossa
paralisação diz respeito apenas à qualidade e fortalecimento do Ibama"
, analisa.
Segundo informações colhidas no associação dos servidores do Ibama, a medida é vista pela classe como uma forma que o governo encontrou de impor seus projetos em detrimento aos interesses do meio ambiente.