Cidade

Comportamento eleitoral Pesquisa revela alguns traços do comportamento eleitoral dos juizforanos. Quem ganha o bolsa família não apresentou tendência em votar no Lula

Priscila Magalhães
Repórter
17/03/2008

O projeto "As raízes sociais do comportamento político no Brasil" está acontecendo desde o ano de 2002, em Juiz de Fora e em Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul. A pesquisa é uma parceria entre a Universidade de Pittsburgh, Universidade de Colorado e a Universidade de Brasília (UnB). O objetivo é entender o comportamento eleitoral dos brasileiros.

"Juiz de Fora é uma cidade de porte médio e apresenta uma população de idades diferentes", justifica a doutoranda em Ciências Políticas pela Universidade de Pittsburgh, Amy Erica Smith (foto e vídeo), sobre a escolha da cidade para desenvolver o projeto. "Além disso, JF e Caxias do Sul apresentam diferenças políticas interessantes. Lá, os partidos são mais fortes, enquanto aqui, não se dá muita importância a eles", completa ela.

Para a realização da pesquisa, foram selecionados 22 bairros de Juiz de Fora. Para isso, a classe social foi levada em conta, além de localização deles. "Todas as regiões da cidade deveriam estar representadas", diz a pesquisadora. Nesse bairros, três mil pessoas foram escolhidas, aleatoriamente, para serem entrevistadas, em uma parceria com o Instituto Cidade. A primeira entrevista aconteceu em 2002, quando os escolhidos foram ouvidos três vezes. A pesquisa se repetiu em 2004, quando eles foram entrevistados uma vez, e em 2006, com duas entrevistas. Atualmente, são 363.535 eleitores na cidade, de acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Resultados

A pesquisa deve terminar em, aproximadamente, um ano, mas Amy já pode adiantar alguns resultados. "Ao avaliar o que os juizforanos sabem de política, percebemos que eles são muito bem informados. Neste ponto eles se igualam aos de Caxias e são mais informados que em outras cidades do país", explica. Pouco mais de 70% sabem o nome do vice-presidente do Brasil e quase 50% sabem o partido de Aécio Neves (ver gráfico abaixo).

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Porém, a participação dos entrevistados juizforanos em campanhas política é considerada muito baixa, já que 90% deles nunca trabalhou para um partido e cerca de 80% nunca trabalhou para um candidato. A atividade mais comum exercida por eles é participar de reuniões, com 31%, e tentar convencer outras pessoas a votar em um candidato favorito, com quase 20% (ver gráfico abaixo).

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Levando em consideração a renda per capita, foi percebido que as camadas mais baixas da população votaram no Presidente Lula nas últimas eleições, o que representa 25,5% dos votos para quem ganha até R$ 300. Assim como o número de votos a favor de atual presidente foram diminuindo à medida que a renda da população aumenta (ver tabela 2). Amy diz que mesmo tendo renda baixa, quem ganha o bolsa família não apresentou tendência em votar no Lula. "De todos os entrevistados, cerca de 9% recebe o benefício. Mas observamos que isso não influenciou o voto deles e a escolha de Lula para o cargo", explica.

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Os resultados que levam em consideração o nível de instrução mostram que também houve uma variação regular entre Lula e Alckmim, como no caso da renda. Os dois níveis mais baixos, até oito anos de instrução, mostraram tendência ao primeiro e os outros níveis mais altos, com até 11 anos, tendenciaram ao segundo candidato, como mostra a tabela 1.

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A pesquisa também mostra que o meio de comunicação mais utilizado pelos juizforanos para obter informação sobre política é a televisão, o que reflete a situação do Brasil. A minoria dos entrevistados, quase 30%, escuta programas de rádio sobre política (ver gráfico abaixo). Amy diz que um ponto observado, na cidade, é a personalização da política. "Há uma identificação fraca com os partidos, aqui. As pessoas avaliam se gostam do candidato antes de votar e, de uma eleição para outra, trocam de partido".

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