Quando a questão é política, a polêmica sempre se instaura. Em Juiz de Fora, é difícil medir a popularidade do Prefeito Aberto Bejani após ter sido preso no dia 09 de abril, sob acusação de desvios de verbas, pela Operação Pasárgada. As opiniões são divergentes: há os que apóiam, os que condenam e há ainda os que pouco se interessam pelo cenário político.
O vendedor Daniel Souza Coimbra (primeira foto abaixo à
esquerda), 27 anos, votou em Bejani, ele e mais
17 irmãos, mas diz que se decepcionou. "Além de acusação de desvio de verbas,
foi encontrado arma na casa do prefeito e ele nem deu explicação. Inclusive um policial
acobertou"
. O operador de caixa, Cosme dos Santos
(segunda foto abaixo à esquerda), 40, acredita
que se há denúncia é preciso ir até o fim. "Não tinha nada a reclamar da administração
de Bejani. Se ele errou, é preciso que dê satisfação à população"
,
opina.
O advogado Ivan Oliveira, 59 anos, acredita que ele não poderia ter voltado
a assumir o caso, sem que tudo estivesse esclarecido. "Desde o outro mandato ouvia-se
falar de corrupção na gestão dele, isso que está acontecendo não é novidade nenhuma"
.
O publicitário Gustavo Brula (terceira foto abaixo à
direita) afirma que o exemplo de ética deve
partir das autoridades. "Se ele está com o nome sujo, deve se afastar da Prefeitura"
.
Na opinião do estudante de 21 anos, Eduardo Brum (última foto abaixo à direita),
o povo não está se mobilizando
o suficiente para a questão política.
Já para a auxiliar do lar Maria de Lourdes Alves Maciel, 63, Bejani
não é criminoso e, por isso, pode continuar a exercer sua função. "Não posso
desfazer dele, já recebi muita ajuda"
. A também auxiliar do lar Dircéia
Gomes Cardoso, 49 anos, compartilha da mesma opinião de Maria de Lourdes.
Enquanto Patrícia Azevedo, 36 anos, nem sabe o que está acontecendo
na política juizforana. "É indiferente na minha vida"
.
O cientista político Rubem Barboza Filho explica que o pouco interesse da população em relação à política se deve ao fato de que no Brasil há uma série de notícias de corrupção e nada acontece. Segundo ele, a impunidade é obstáculo para que as pessoas tomem conhecimento do que acontece.
No caso de Juiz de Fora, Rubem acha que as pessoas estão se resguardando e que na hora
certa, ou seja, nas eleições, elas vão mostrar a sua opinião. "Em um regime democrático
as pessoas não precisam se preocupar com a política o tempo todo. Em alguns
momentos, há decantação de insatisfação, como nas Diretas Já. As pessoas sabem que vão ser chamadas
para para opinar e esperam a hora certa"
.
Para o cientista, as acusações quem regem sobre o prefeito Alberto Bejani muda o
quadro político da cidade. "Ele está com a imagem arranhada e, por isso, vai ficar
fraco nas eleições, o que não significa que um nome ou um partido vai ascender. A
campanha eleitoral de cada um é que vai definir os rumos da cidade"
,
completa.
O prefeito Alberto Bejani convocou a imprensa na tarde desta segunda-feira, dia 05 de maio, para esclarecer as acusações em que está envolvido. Ele apresentou documentos que comprovam as retenções indevidas por parte do INSS, relativas ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) (foto abaixo, à esquerda), termo de declaração do policial Mauro Adriano Fusco, dizendo que a arma encontrada na casa de Bejani foi um presente seu (foto abaixo, ao centro), e, ainda, o contrato de compra e venda de uma fazenda em Ewbanck da Câmara (foto abaixo, à direita).
O prefeito afirmou que o INSS estava retendo 3% a mais do FPM para o pagamento das dívidas
da Prefeitura com o instituto. "Acionamos a Justiça com o objetivo de recuperar os valores
retidos indevidamente. Conseguimos recuperar para os cofres públicos R$ 2. 209.440,80,
no período de março de 2006 a abril de 2008"
, declarou.
Em relação à arma apreendida em sua casa, Bejani esclarece: "Foi um presente
do policial Mauro Fusco e a arma é calibre 380 e não nove milímetros, conforme divulgado.
Fui preso por 11 dias indevidamente por uma questão de interpretação. Uma Medida
Provisória 417 permite que o registro de arma seja feito até dia 31 de dezembro de 2008. As armas
já tinham sido levadas para a Polícia Federal para serem registradas, mas voltaram
porque a pessoa Carlos Alberto Bejani estava com dívidas com o Leão. Fomos descobrir
e havia uma multa no valor de R$ 5 mil referente a um cartaz de propaganda eleitoral.
A taxa já havia sido paga e o TRE não tinha dado baixa. Se a arma estava irregular,
deviam ter segurado, então"
. A Câmara de Desembargadores do Tribunal de Justiça
concedeu habeas corpus em favor do prefeito.
Para finalizar, Bejani esclareceu o valor encontrado em sua casa, apresentando um
Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda referente à venda da propriedade
rural, localizada no município de Ewbanck da Câmara. Segundo ele, a venda aconteceu
no dia 03 de abril, ou seja, seis dias antes da Operação Pasárgada. "A fazenda
foi vendida por R$ 1 milhão e 200 mil para Abdalla Agronegócios Ltda., representado pelo
diretor Marcelo Abdalla da Silva. O pagamento foi efetuado através de uma entrada
de R$ 1 milhão, sendo estipulado no ato da assinatura do termo o pagamento do restante
em sete dias a partir da assinatura do contrato"
.
Segundo ele, as explicações poderiam ter sido passada na semana passada, mas como foi feriado deixou para esclarecer nesta segunda-feira, dia 05 de maio. Entretanto, após passar as informações, na coletiva, deixou a sala onde estava, sem responder aos questionamentos dos jornalistas.