Terça-feira, 17 de junho de 2008, atualizada às 17h30
Saiu o laudo técnico do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais sobre as condições dos terrenos que desabaram no Santa Tereza com as chuvas de março. O parecer dos peritos chegou às mãos do delegado de Polícia Civil, da Divisão de Assuntos Internos, Marcus Vinícius de Paiva Silva.
Segundo Paiva Silva, é preciso examinar o laudo com atenção, porque há muitos
termos técnicos. "Estou analisando com muito cuidado, porque é um documento
bastante técnico. Vou entrar em contato com os peritos para esclarecer"
.
O resultado da análise do laudo pode ser anunciado no fim desta semana ou
ainda na semana que vem, porque o delegado depende da disponibilidade
dos peritos. "Eles trabalham em regime de plantão, por isso não tenho
como precisar quando"
.
Segundo a leitura do laudo pelo delegado Paiva Silva, a conclusão do laudo elaborado pelos peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais diz:
"O local vistoriado deu-se uma movimentação de parte da encosta,
situada nas ruas Edgar Carlos Pereira e José Ladeira, na forma de deslizamento
de terra rotacional, chamado também de cunha de escorregamento de terra, configurado
com abatimento do solo no topo da encosta e a compressão do solo na base da encosta.
Vem a perícia salientar que descartadas eventuais fontes externas passíveis de
promover a geração desse tipo de evento, tais como infiltrações e vazamentos
localizados a partir de redes de água e esgoto, em parte presença de imóveis no
local dos fatos, concluem os peritos que o evento em tela se configura em um evento natural
comum à morfologia do terreno naquela região, vinculado a características geológicas
(...)
Tais eventos são acelerados pela intervenção antrópica, face a fatores como remoção de cobertura vegetal original, cortes e desaterros em áreas localizadas para a implantação de vias, edificações, obras de infra-estrutura e saneamento; fundações relativamente rasas das edificações localizadas no topo da encosta; interferência no nível do lençol freático local em virtude de sua interceptação a partir das edificações e obras implantadas junto a rua José Ladeira".
Por volta de 07h, desta terça, dia 17 de junho, houve uma movimentação de obras no hospital próximo aos terrenos que desabaram, segundo o presidente da Associação dos Proprietários e Inquilinos das Casas Interditadas e Demolidas pela Prefeitura, Reinaldo Recepute Freesz.
Os moradores e o presidente da associação acionaram a Secretaria de Políticas Urbanas
da Prefeitura de Juiz de Fora
para fiscalizar o local. "Ficamos preocupados. Eu questionei o que estava acontecendo, porque eu desconhecia o desembargo
das obras. Por volta de 11h, as obras pararam. Não sei se foi a fiscalização. Esperamos
que esclareçam se as obras do hospital estão embargadas"
,
comenta.
A equipe do Portal ACESSA.com entrou em contato com o escritório de engenharia do hospital, mas a responsável pelas obras diz não poder esclarecer os fatos, porque não estava no hospital nesta terça-feira.