Cidade

Segunda-feira, 15 de setembro de 2008, atualizada às 18h32

Por unanimidade, vereadores aprovam parecer para a cassação de Vicentão e Comissão Processante é formada. Enquanto isso, o ex-presidente da Câmara pede licença de 30 dias



Priscila Magalhães
Repórter

Todos os vereadores presentes no plenário da Câmara Municipal na tarde desta segunda-feira, 15 de setembro, votaram a favor do parecer da Comissão de Ética, que indicou a cassação do vereador Vicente de Paula Oliveira (Vicentão, PTB). A Comissão investigou a relação entre o vereador e a Koji Empreendimentos e Construtora Ltda. A empresa venceu 18 licitações na Prefeitura.

Entre os quatro vereadores desimpedidos, Aparecido de Jesus, (Cidão, DEM), Pastor Carlos (PRB), Oliveira Tresse (PCdoB) e Pastor Mariano (PSDB), os três primeiros foram sorteados, para formar a Comissão Processante. Todos os vereadores presentes votaram a favor do parecer da Comissão de Ética.

Vicentão não esteve presente, já que entrou com um pedido de licença não-remunerada de 30 dias, alegando motivos pessoais. Para Figueirôa, o petebista quer ganhar tempo. A decisão não impede que a investigação continue. "Pelo que a lei assegura, ele não pode ser cassado enquanto estiver de licença. Ele está ganhando prazo para ver o que vai acontecer". Os rumores indicavam que Vicentão ia renunciar. O pedido de licença surpreendeu os parlamentares.

Trabalho concluído

Para o relator da Comissão, vereador José Sóter de Figueirôa (PMDB), há provas testemunhais e documentais que mostram o envolvimento do petebista com a empresa e a utilização de funcionários e equipamentos da Câmara em uma entidade particular, o Centro de Recuperação Juiz de Fora Contra as Drogas, que tem como presidente o irmão de Vicentão.

"A relação de parentesco dos funcionários da Koji com Vicentão, a presença do vereador no campo de obras em dia de pagamento, a planilha da Koji encontrada na Câmara e o relatório da PJF dizendo que os processos licitatórios vencidos pela empresa, no Executivo, apresentavam irregularidades. Esses são alguns indícios", diz o relator.

Além disso, Figueirôa também cita a multiplicação do patrimônio de Vicentão entre 2005 e 2008, anos em que a Koji movimentou entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões só com a PJF. "Nestes anos, o sócio majoritário, o senhor Nélio, recebeu apenas um salário mínimo por mês e não houve crescimento do seu patrimônio. Enquanto isso, o de Vicentão aumentou em quatro vezes".

O relatório da Comissão de Ética foi aprovado por unanimidade entre os cinco participantes que, além de Figueirôa, foram Flávio Cheker (PT, presidente), Romilton Faria (DEM), Eduardo Novy (PSC) e João Evangelista de Almeida (João do Joaninho, DEM). A Comissão considerou grave todos os indícios e recomendou a formação da Comissão Processante para dar continuidade ao processo de cassação de Vicentão.