Em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira, 29 de setembro, a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo de Juiz de Fora (Sinttro) anunciou que vai enviar, ao Ministério Público Eleitoral, uma denúncia contra um candidato à Prefeitura de Juiz de Fora.
A diretoria pede que sua participação na
paralisação
do transporte público na última sexta, 26 de setembro, seja investigada.
"O movimento foi uma tentativa de golpe, patrocinado e arquitetado por Omar Peres"
,
diz o vice-presidente da entidade, Paulo Avezani.
O dirigente garante que viu os líderes do movimento no birô do candidato momentos antes
da paralisação dos ônibus. E completa, dizendo que eles não são
mais trabalhadores do transporte público. "Eles foram demitidos, porque não eram
bons profissionais. Tentamos ajudá-los muitas vezes, inclusive recorrendo a multas de trânsito"
.
Se a denúncia for comprovada, o Sinttro pretende entrar com uma ação por danos morais e materiais
contra o candidato.
"Os trabalhadores estão se sentindo ofendidos moralmente e materialmente"
.
Segundo ele, o candidato não poderia intervir na livre organização dos trabalhadores.
"Ele agiu contra a ordem do trabalho"
.
A assessoria do candidato informou que a acusação é fantasiosa e que ele não tem nada a ver com o fato. Até o momento, o candidato não recebeu notificação e, quando isso acontecer, ele vai tomar as medidas judiciais cabíveis.
Avezani também diz que o Sindicato vai entrar com ações na justiça criminal contra
os manifestantes, pois eles imputaram fato criminoso ao prejudicar a imagem
da entidade. Ele completa dizendo que não foi um movimento reivindicatório, pois
muitos trabalhadores não sabiam o que estava acontecendo.
"Apenas 15 pessoas participavam deste movimento. Entre eles, somente três eram rodoviários
e estão temporariamente demitidos"
.
Enquanto isso, o líder do movimento, Francisco de Paula da Silva, diz que o número de participantes cresceu desde a primeira reunião, quando apenas oito pessoas participavam, até a paralisação da última sexta, quando 85% da categoria, o que representa cerca de dois mil profissionais, teria aderido.
Silva também diz que o candidato à Prefeitura não teve participação
no movimento. Entretanto, confessa que teve contato com o candidato em agosto, quando pediu
a ele que fosse publicado, em seu veículo de comunicação, uma resposta contra
acusações do Sinttro. "O sindicato falava que o movimento era impune, imoral e um ato de vândalos.
Como não podíamos pagar, pedimos a ele que publicasse"
. Silva afirmou que na sexta
não encontrou com o candidato.
Nesta segunda, os manifestantes se reuniram com o superintendente da Gettran,
Dulcídio de Barros Moreira Sobrinho. Silva informou que ele iria pleitear uma reunião
entre a liderança do movimento e a Astransp. "Estamos esperando um retorno até
esta terça"
. Entre as exigência estão a reintegração dos funcionários demitidos
em função do movimento. Se não houver um retorno ou se não for satisfatório,
uma nova paralisação do transporte deve acontecer nesta quinta, 02 de outubro, às
09h.
A assessoria da Gettran confirmou a reunião. Entretanto, informou que não compete à agência a solução de impasse entre a categoria, sindicato e patrões. O superintendente tentaria o agendamento de uma reunião, mas não garantiu aos manifestantes que isso vai acontecer.
O chefe da justiça eleitoral da zona 154, André Carvalho, informou que
ainda não é possível falar a respeito do caso e sobre as conseqüências para o candidato,
caso seja comprovada a denúncia, pois
ela ainda não foi feita. "Primeiro, é necessário ver o teor da denúncia do Ministério
Público"
.
Sobre o fato de não haver eleições para a mudança de diretoria no Sindicato,
Avezani respondeu, novamente, que elas são abertas à inscrição de chapas.
A última aconteceu em março de 2007 e três chapas foram inscritas. "Entretanto, duas desistiram
de participar"
, afirma ele. Ele explica que as eleições são planejadas dez meses
antes e há publicação de quando vão acontecer as inscrições e o processo. Ele também informou que
todo o processo eleitoral é acompanhado por uma comissão que vem de fora da cidade.
Ele conta que os desistentes procuraram o Ministério Público do Trabalho e pediram para investigar
a eleição. Entretanto, o processo foi arquivado. "Nada que atente contra a organização foi
encontrado"
, diz.
Sobre o abaixo-assinado que pedia eleições na entidade, Avezani diz que não foram os
mesmos manifestantes que o apresentaram. A diretoria do Sinttro suspeita que há fraude.
"Foram recolhidas 458 assinaturas e, deste total, 116 identificadas como de associados.
As demais não podemos afirmar que são rodoviários"
. A medida tomada pela diretoria
foi enviar cartas aos que foram identificados. "Chamamos para que viessem
reconhecer as assinaturas e alguns pediram para que elas fossem retiradas.
Eles diziam que aderiram por se tratar de uma reposição de perda salarial"
.
A diretoria desconfia da fraude, porque as 458 assinaturas teriam sido recolhidas
em dez dias. "Todos vão ser chamados para realizar o exame grafotécnico"
.
Avezani acrescenta que, como o sindicato tem cerca de 4.500 associados, seria necessário
10% de assinaturas de associados em dia com a entidade para requerer uma assembléia.
"E deve haver um pedido fundamentado, pois ele não foi especificado"
.
Avezani diz que a campanha salarial 2009 já está começando a ser preparada. "Em
novembro vamos começar a discutir a data-base"
. Sobre os valores existentes na
planilha que aprovou o aumento da passagem de R$ 1,55 para R$ 1,75, Avezani diz que
nela consta o dobro do salário para cerca de três mil profissionais.
Por enquanto, o Sinttro espera a perícia da planilha, movimentada pelo Ministério Público
contra as empresas. "Se provar que há irregularidades, vamos entrar com ação coletiva pedindo
essa diferença"
. Na planilha, os cobradores ganhariam R$ 902, o mesmo valor
recebido pelos motoristas atualmente. Na prática, o salário dos primeiros é a metade do recebido
por motoristas.