Cidade

Quinta-feira, 2 de outubro de 2008, atualizada às 11h30

Decisão do Ministério Público desagrada ex-funcionários do HU



Marinella Souza
*Colaboração

Ex-funcionários do Hospital Universitário da UFJF (HU) procuraram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) Regional da Zona da Mata/MG revelando descontentamento em relação à decisão do Ministério Público (MP) que obrigou o HU a regularizar a situação de mais de 200 funcionários.

Segundo o presidente da CUT Regional, Péricles de Lima, cerca de 250 funcionários trabalhavam de forma irregular. "O "MP exigiu uma medida para regularizar e a maneira que a reitoria encontrou para fazer isso foi demitindo todo mundo, sem direito à indenização, e abrir uma nova seleção", revolta-se.

Segundo a assessoria de comunicação do HU, não houve demissão. "Esses funcionários eram contratados de uma firma terceirizada que prestava serviços para a UFJF e nós não renovamos o contrato com essa empresa porque estava dando problemas. Eles não foram demitidos. Apenas não houve renovação do contrato".

Para que o HU não sofresse com o déficit de funcionários, uma prova de seleção foi realizada este ano, permitindo que esses mesmos funcionários concorressem aos cargos na Fundação HU. Para o presidente da CUT Regional, a prova "estava muito além do conhecimento dos funcionários e só uns quatro ou cinco foram aprovados; os demais foram demitidos sem direitos".

Em nota à imprensa, o diretor geral do HU, Dimas Augusto de Carvalho Araújo, diz que a seleção foi uma forma de "afastar a anterior situação de prestação de serviços, no HU, por trabalhadores 'autônomos', remunerados mediante pagamento de honorários pró-labore, evitando-se, também o modelo tradicional de 'terceirização'", diz em fax enviado à redação do Portal ACESSA.com.

A CUT prepara um ato público no próximo dia 07 de outubro, às 15h, em frente à Câmara Municipal, com intuito de chamar a atenção das autoridades para a situação dos funcionários que, como afirma Lima, ficaram sem trabalho e sem direito à qualquer tipo de indenização, porque trabalhavam de forma irregular.

Lima informa que uma carta vai ser encaminhada ao MP e também ao presidente Lula expondo a situação dessas pessoas que, segundo ele, "trabalhavam em regime quase escravo".

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF