O resultado do primeiro Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2009, divulgado na manhã desta quarta-feira, dia 21 de janeiro, pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), aponta índice de infestação de 2,75%. Em alguns bairros, a infestação chega a 7,7%, um recorde na cidade. O aumento, em relação ao Liraa de outubro de 2008, é superior a dois pontos percentuais. A situação é muito grave, de acordo com o Ministério da Saúde, que considera como risco de infestação os índices superiores a 1%.
Agora, Juiz de Fora integra a lista dos municípios onde o combate à dengue é prioridade. Em todo o Brasil, pouco mais de cem cidades se encontram nessa situação. Além do índice de infestação predial (IIP), o Ministério da Saúde utiliza o número de habitantes como critério para avaliar o risco de cada local.
Os focos do mosquito transmissor foram encontrados em 83 dos 191 bairros do município reconhecidos formalmente. As zonas norte e leste são as regiões consideradas mais críticas. No entanto, o Liraa aponta um aumento significativo da presença do Aedes aegypti nos bairros da zona oeste.
Diante da possibilidade de epidemia anunciada pela secretária de Saúde Eunice Caldas, o prefeito Custódio
Mattos (PSDB) pretende montar uma força-tarefa reunindo órgãos da administração
direta e indireta e parceiros na comunidade, como o Corpo de Bombeiros, Forças Armadas,
agentes comunitários de saúde e escolas da rede particular de ensino. "Nossos meios próprios
não serão suficientes para essa guerra contra a dengue. Precisamos fazer parcerias", afirma.
A primeira medida, segundo o prefeito, é levar a informação a todos os juizforanos.
"A maioria dos focos de dengue foram encontrados dentro das residências. Por isso,
a comunidade precisa estar ciente dos riscos para iniciar o combate à doença dentro de casa."
Outra medida necessária é a organização do sistema de saúde,
para evitar o congestionamento dos hospitais. "Com a população em estado de alerta,
muitas pessoas vão direto aos hospitais sem passar pela atenção primária, o que prejudica o
atendimento dos doentes", explica Eunice.
Com 106 agentes de endemia, a equipe da Secretaria de Saúde é considerada insuficiente para o combate à dengue em curto prazo. Segundo o cálculo do Ministério da Saúde é necessário um agente para cada mil imóveis. Para cumprir a meta inicial de fazer a inspeção e o combate aos focos em cem mil imóveis em 30 dias, a prefeitura precisaria de cerca de 190 agentes nas ruas.
Para isso, a idéia de Custódio é mobilizar os agentes comunitários de saúde para a ação
preventiva. Um número ainda não divulgado de bombeiros também vai passar por treinamento
para participar das vistorias.
Os locais prioritários são onde o Liraa identificou maiores índices de infestação. Nesse caso, as equipes já iniciaram o retorno aos imóveis para prevenção. Para controle, é feito o monitoramento quinzenal nos pontos estratégicos cadastrados como de alto risco.
O levantamento da prefeitura revela uma situação alarmante: a maior parte dos focos da dengue (28%) foram encontrados em depósitos móveis dentro das casas, como frascos, vasos, pingadouros e bebedouros. Em segundo lugar está o lixo (plásticos, latas e garrafas), onde os agentes identificaram 24% das larvas.
A situação dos depósitos fixos, como calhas, lajes e tanques de obras também é preocupante. Neles, foram encontrados 17% dos focos, enquanto nos pneus o índice foi de 14%.
O Liraa é um método de amostragem preconizado pelo Ministério da Saúde para identificar os riscos da dengue nos municípios brasileiros. O primeiro levantamento feito em Juiz de Fora aconteceu no ano de 2004.
Na primeira edição de 2009, os agentes de endemia vistoriaram 7.346 imóveis divididos em 17 estratos. Esse número corresponderia à 20% do total.
O alto índice obtido demonstra a necessidade da elaboração de campanhas preventivas durante o inverno, para manter a população mobilizada para o controle do vetor.
A Secretaria de Saúde anunciou a confirmação do primeiro óbito causado pela dengue hemorrágica no município.
O resultado de um exame em um paciente que morreu em abril de 2008 foi divulgado nesta manhã, e preocupa o executivo municipal.
"Quem já teve a dengue clássica, corre risco de contrair o tipo hemorrágico em uma segunda contaminação", alerta a secretária
de saúde.
Em 2008, foram registrados 417 casos de dengue autóctones em Juiz de Fora.
| Bairros que apresentaram maiores índices: | |
|---|---|
| *(Fonte: Prefeitura de Juiz de Fora) | |
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Bonfim Santa Rita Alto Santa Rita Marumbi Progesso Borborema Santa Paula |
7,7%
|
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Linhares Penitenciária Vila Almeida Fazenda do Yung Grajaú Alto Grajaú Nossa Senhora Aparecida São Tarcísio Ladeira Manoel Honório |
5,6%
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Amazonas Enconsta do Sol Francisco Bernardino Bairro Industrial São João São Dimas Carlos Chagas Esplanada Monte Castelo Fábrica |
4,5%
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* Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF