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    Meu filho está namorando, e agora?

    O namoro na adolescência ainda é um desafio para os pais. Para tratar do assunto, psicóloga Thainara Lopes fala sobre tabus, diálogo , 'ficar' e descoberta homossexual

    Angeliza Lopes
    Repórter
    11/06/2016
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    O namoro na adolescência, cada vez mais comum entre os que fazem parte da geração 'Z', tem se tornado um desafio para os pais, que precisaram reformular a forma como lidam com assuntos como relacionamento e sexualidade com seus filhos já carregados, desde pequenos, de extensa bagagem de informações. Por isso, em véspera do Dia dos Namorados, comemorado no domingo, 12 de junho, nada mais pertinente do que dar uma 'mãozinha', com orientação profissional, para os pais que vivenciam esta fase, “Meu filho está namorando, e agora?”.

    Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2012, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o número de adolescentes brasileiros que iniciam a vida sexual entre 13 e 15 anos representa 28,7% desta faixa etária. A psicóloga Thainara Lopes associa a iniciação precoce na vida sexual ao acesso fácil as informações, que ampliam as possibilidades do adolescente de descoberta, mudança de hábitos e gostos. “A adolescência é uma fase de autodescoberta, onde os mesmos exploram novas realidades, aspectos da personalidade e experiências, através do convívio com outras pessoas”, afirma.

    Mas, muitos pais ainda sentem dificuldades em como lidar com esta mudança de comportamento. A psicóloga avalia que antes as relações entre pais e filhos eram regidas pela obrigação, poder e obediência, realidade que não se sustenta nos dias atuais. “O mundo requer pessoas que saibam conversar e administrar as diferenças, por isso os filhos precisam aprender a administrar suas emoções e saber as consequências dos comportamentos através dos limites, do respeito e da confiança”. Portanto, Thainara orienta que quando o namoro e a sexualidade estiverem em pauta o melhor é estar disponível para ouvir com empatia, sem criticar, responder as perguntas conforme forem surgindo, questionando o que ele sabe sobre o assunto, para que você tenha um parâmetro sobre o que falar.

    “Conquiste a confiança dele e seja aliado quando vier lhe pedir ajuda, sem demonstrar que sabe tudo, por que os adolescentes acreditam que vivem experiências únicas e realmente são para eles. Então transmita valores, dialogando sobre as consequências dos comportamentos e a responsabilidade que terá que assumir em cada uma delas, como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e uma gravidez indesejada”.

    A militar Rita de Cássia Ferreira é mãe e um adolescente, de 16 anos, que namora há um ano com uma menina, 16. Como mãe, ela conta que ficou com receio por achá-lo muito novo. “Mas percebi logo que a maturidade nesta idade tem chegado mais rápido que na minha época de adolescente. Comecei a abordar estes assuntos quando ele tinha 13 anos. Aceito o namoro e sou muito amiga dos dois, sempre impondo alguns limites de horários para retornarem, onde e com quem estão saindo e contato de telefone, para qualquer problema”, destaca.

    Pais mais amigos e abertos ao diálogo é a melhor forma de se posicionar conforme apontado pela psicóloga que explica o risco da imposição de limites extremos. “Para que o limite e a proibição sejam aplicados é necessário que haja concordância entre os pais e faça sentido para o adolescente. Mas será que é possível fazer isso com relação ao namoro, hoje em dia? É complicado, por que os pais têm que pensar em o que resultará aquela proibição. É certo que a atração entre os adolescentes e experiência da sexualidade vai acontecer. Então é importante que tenham um equilíbrio entre o respeito na família e o direito do adolescente”, destaca.

    Mãe de um adolescente de 16 anos, a professora de educação física, Ida Paula Lopes Pereira, conta que seu filho teve o despertar para assuntos relacionados a sexualidade há dois anos e que os temas sempre foram abordados de forma natural, buscando associar ao cotidiano. “Não só em casa, mas nas escolas que trabalho percebo que quando o tema é abordado, muitos fazem piadas e brincam com o assunto, por isso vejo que os pais precisam lidar com isso de forma corriqueira e natural, se não, não criam confiança para nos perguntar e tirar dúvidas”.

    Outra situação muito habitual no período das descobertas dos adolescentes são as experimentações do 'ficar'. Ida Paula conta que seu filho chegou a contar sobre o princípio de um namoro e pediu conselhos, mas na fase atual, ele está vivendo estas relações sem firmar compromisso. Thainara fala que as relações mudaram em vários aspectos. Hoje em dia, vive-se muita liberdade nos relacionamentos, homens e mulheres tomam a iniciativa e os jovens passaram a buscar mais liberdade de escolha e de experimentação, consequentemente os relacionamentos passaram a ser menos compromissados. O que deve existir sempre em qualquer relacionamento é o respeito e isso deve ser algo conversado e demonstrado através do exemplo dentro de casa, para que ele replique esse comportamento em sociedade”.

    Namoro com mesmo sexo

    O despertar para a sexualidade não possui regras ou padrões, por isso mães e pais têm aprendido também que compreender a escolha do filho torna-se fundamental para um relacionamento construtivo. A operadora de máquina Ana Beatriz de Souza conta que sua filha aos 16 anos contou que optava por namorar meninas. “O medo do preconceito e do que ela enfrentaria na vida foi o mais difícil para mim como mãe, porque dentro de casa a gente ama sempre. A sociedade ainda é muito preconceituosa e não vê que o amor é de várias formas, não importa a classe, cor, sexo, não importa nada! O que vale é o amor!”, destaca.

    De acordo com a psicóloga Thainara Lopes não somos iguais em vários aspectos, portanto lidar e respeitar as diferenças é importante. “O mundo ainda, infelizmente, é preconceituoso diante da homossexualidade e o âmbito familiar poderia se tornar um meio de apoio e de trabalho das emoções e pensamentos a respeito desse conflito, por que se o adolescente não sente apoio e confiança, ele se isola, ou finge, mas a relação não é produtiva, o jovem não se sente bem e não consegue ser feliz. O que é melhor? Aceitar e acolher a diferença, construindo um relacionamento com base na confiança e no amor ou não aceitar, se distanciar do seu filho e vê-lo infeliz?”, enfatiza.

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