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    Escritor convida para embarcar no universo literário Darlan Lula, aos 27 anos, carrega no currículo a publicação de três livros e já pensa em sua quarta publicação. O gosto pela literatura surgiu quando era criança

    Daniele Gruppi
    Repórter
    04/11/2008

    Aos 27 anos, o escritor Darlan Lula é um dos destaques na produção literária de Juiz de Fora. Nascido em Itacarambi, veio para JF quando completou seus estudos num colégio interno nas proximidades de Ouro Preto.

    O gosto pela literatura herdou do pai. "Ele me formou como leitor. Leu para mim A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e fiquei fascinado. Passei a me interessar pela leitura e a ler os livros que tinham na biblioteca de casa", comenta.

    Da vontade de colocar no papel as idéias que lhe visitava, começou a escrever. Durante a graduação em Letras, desenvolveu seus primeiros textos. "Na faculdade tinha contato com um amigo que gostava de poesia e trocávamos os textos e as experiências."

    Em 2002, ano em que se formou, lançou de forma independente seu primeiro livro "Pontos, fendas e arestas". Trata-se de uma reunião de contos, poesias e crônicas do autor. Em 2003, ingressou no mestrado em Teoria da Literatura da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), época em que rascunhou os primeiros registros do seu segundo livro.

    Intitulado Viera tarde, a obra foi lançada em 2005, pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. "Foi a profissionalização da escrita", diz Lula. A narrativa é construída como uma paródia lúdica, que carrega assuntos, como vida e morte, sucesso e fracasso econômico, paixões, traições e ciúmes vorazes e perigosos, antropofagia, suspense, mentalidade provinciana, dentre outros assuntos.

    Foto de Darlan escrevendo Viera tarde retrata a história de um editor de pouco reconhecimento. Ao fazer uma pesquisa histórica no cemitério, encontra Letícia que lhe oferece uma boa remuneração para a publicação dos livros de Leonardo Viera, tio da moça, que não chegou a lançar nada em vida.

    O personagem conhece Carla e Letícia fica com ciúmes, já que também se interessava pelo editor. A narrativa é interrompida e surge um novo personagem Proteus, que vai explicar questões em aberto do livro. Dessa forma, a história vai se amarrando.

    Um dos diferenciais das obras de Lula é a interligação de textos. Tal característica também é encontrada no seu terceiro livro, Desvios, lançado recentemente.

    Na obra, Dora é a namorada do personagem principal e Paulo seu grande amigo. Ele é um rapaz sem identidade, buscando ser escritor de reconhecimento. Para isso, acha que não precisa fazer vestibular. Seu pai discorda, acredita que ele deve ter uma profissão acadêmica. Os dois brigam e ele acaba descobrindo que seu pai está doente. Paralelamente, Paulo lê para o amigo um romance seu, baseado na história desregrada de José e suas bebedeiras desenfreadas.

    O livro questiona o papel da literatura na sociedade. Ela tem como objetivo fazer o leitor refletir? Deve só entreter? O que fazer para unir os anseios do mercado e a qualidade de uma obra? Lula garante que os leitores se impressionam com as meninas do Bentão e com os tormentos existenciais de Pé-na-Cova, outros personagens.

    Conciliando o dever com o prazer

    Lula revela que já pensa no seu quarto livro. "Penso na história e fico amadurecendo os personagens na minha cabeça. Começo pelos possíveis nomes, idade, características físicas. No processo da escrita há alterações, mas para a história se concatenar tenho que pensar em tudo antes."

    O escritor já participou do Concurso Acadêmico-Literário Juiz de Fora e Pedro Nava, alcançando o primeiro lugar na modalidade Prosa. Teve um conto de sua autoria Nasce uma borboleta, publicado na Antologia de Contos da Associação de Escritores de Bragança Paulista.

    Atualmente, Lula se dedica ao doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Divide também seu tempo com as aulas que ministra no Instituto Estadual de Educação e com as tarefas do Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), onde tem o cargo de secretário executivo.

    Para Darlan, o escritor tem a função de provocar a reflexão. "O livro não é fechado. A margem para diversas interpretações é a grande riqueza das obras." O autor busca ser reconhecido pelos seus textos. Dois grandes expoentes da literatura são referências para a nova promessa: Clarice Lipector e Machado de Assis.

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