A Roda de Palhaços é fruto de um projeto de ocupação artístico-cultural do espaço público em Belo Horizonte, quando um grupo de teatro local começou a se apresentar em praça pública. O interesse foi tanto que o projeto cresceu, se desenvolveu tomou corpo e forma.
"No ano passado estivemos nas cidades em que o antigo patrocinador
desenvolvia projetos culturais e este ano estamos visitando aquelas onde a atual
patrocinadora possui pólos de trabalho. Estamos tentando voltar às outras cidades que
visitamos da outra vez também"
, explica o coordenador artístico do
projeto, Cristiano Pena. Juiz de Fora está nas duas rotas e o
coordenador comemora o sucesso do projeto na cidade.
O primeiro ano foi em um único dia, depois passou para dois e hoje já são sete dias de evento. O coordenador artístico do projeto conta que o primeiro dia é destinado a um encontro reflexivo sobre a arte de palhaços, o segundo dia é para ensaiar e experimentar as cenas, o terceiro dia é quando o espetáculo Roda de Palhaços é apresentado ao público.
Os outros quatro dias são destinados a uma oficina de aprofundamento na arte de palhaços. O projeto conta com a Lei Estadual de Incentivo à Cultura, isso possibilita que a Roda de Palhaços viaje por algumas cidades mineiras. Essas cidades são escolhidas de acordo com os patrocinadores.
Segundo Pena, o projeto Roda de Palhaços é um encontro de fortalecimento
e estímulo entre profissionais e artistas que querem desenvolver a arte de palhaço.
"Além disso, pretendemos incentivar os grupos da cidade a desenvolverem seus
projetos"
.
Na primeira vez, segundo Pena, contaram 45 pessoas nas oficinas e cerca de 350 assistiram à apresentação no domingo. A artista Neli Aquino (foto abaixo), de Juiz de Fora, foi uma dessas 45 pessoas que se formaram Palhaça em abril de 2007 e conta como é a oficina.
"No primeiro dia acontece uma grande reunião onde cada um se apresenta. No
segundo, a turma é dividida em pequenos grupos que vão 'bolar' a apresentação com a ajuda de
um instrutor que vem de Belo Horizonte e dá todo o suporte, sem podar nossas idéias.
No domingo tem a apresentação, onde temos que contar com o improviso, já que a
cena é ensaiada de um dia para o outro"
, explica.
Um dos projetos incentivados pela Roda de Palhaços é um grupo de estudos
permanente sobre a arte de palhaço nas cidades por onde passa. Neli comemora a vinda
do grupo.
"Já era de interesse dos palhaços daqui ter esse grupo de estudos em
Juiz de Fora e é bom que isso aconteça agora"
. Pena acrescenta que as pessoas
têm muito interesse em entrar em contato com a arte de palhaço. "São atividades
com bom retorno de público"
, diz.
Neli conta que ser palhaço é algo muito diferente de tudo o que já viveu. Acostumada a fazer arte desde pequena, ela sempre esteve exposta aos olhares curiosos, seja no palco, por seu jeito de se vestir ou pela maneira irreverente com que leva a vida, mas confessa que, como palhaço, experimentou sensações muito especiais.
"É diferente porque como palhaço você se dá ao direito de ter autenticidade. Você
fica no limiar do ridículo e do engraçado"
, diz. Para Neli, ser palhaço é algo
muito sério porque é uma arte extremamente nobre, na opinião da artista.
"A pessoa se despe do convencional e se assume autêntica, mostrando a sua ingenuidade,
a sua fragilidade e seus defeitos. O palhaço se expõe muito e faz graça dos próprios
defeitos"
, descreve.
A palhaça, que também é professora, artista e empresária conta que sempre gostou
de fazer palhaçada, mas confessa que ser palhaço de verdade é muito mais do que
vestir roupa, maquiar, colocar o nariz. É preciso conhecer a arte mais a fundo,
entender suas origens e "se permitir ser autêntico, ingênuo, divertido e acreditar
que pode mudar o mundo através do riso"
, define.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone (32)3217-7637
* Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF