Sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009, atualizada às 19h
Apac JF reconhece pontos negativos da Campanha de Popularização do Teatro e Dança e lança estratégias para 2010
Daniele Gruppi
Repórter
A Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (APAC/JF) divulga o saldo da 8ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e lança estratégias para a realização do evento no próximo ano.
Nesta edição, o número de pessoas que compareceram aos espetáculos não bateu o recorde de público de 2008, como era esperado. Contabilizou-se que mais de 7.500 juizforanos assistiram às peças. No último ano, o público foi de 15 mil.
Um dos fatores apontados para a queda de espectadores foi a qualidade das
peças. Para o produtor de teatro Cláudio Ramos, a falta de
seleção dos espetáculos para o evento contribuiu com a redução do público. "A Campanha
atraía muitos juizforanos, o que fez com que os produtores se interessassem em
participar do evento. Só que nem todos trabalham com profissionalismo."
Ele afirma que as pessoas que vão ao teatro e não reconhecem a qualidade das peças
inscritas na Campanha não comparecem nas edições seguintes. "Em 2009, ainda
tivemos aumento do preço, além de ser um ano de crise financeira."
O preço cobrado por apresentação foi de R$ 7, no trailer da Apac, ou de R$ 20,
nas bilheterias. O diretor do Grupo Divulgação, José Luiz Ribeiro,
não participou da Campanha e apontou um dos motivos que levou a ausência do grupo: "Apresentamos
o ano inteiro com a bilheteria a R$ 5, vamos participar de uma campanha de popularização
a R$ 7?"
Outra justificativa dada por Ribeiro foi a época de realização. "Fazemos 122
apresentações durante o ano. Quando chega em janeiro, os atores querem descansar. A maioria é
universitário e mora na cidade só para estudar. Nas férias, os estudantes querem ir para
suas casas."
O presidente da Apac/JF, Gueminho Bernardes, após reunião com os produtores e análise da pesquisa realizada pelo site da Apac, afirma que ficaram evidentes dois pontos negativos da Campanha: a falta de qualidade de alguns espetáculos e o preço dos ingressos.
"As duas questões estão ligadas, uma vez que é caro aquilo
que não vale o que custa. É consenso a necessidade de profissionalizar a produção, ou seja, de cuidar da qualidade na
criação dos espetáculos"
, diz Gueminho.
Ele destacou outros pontos, como o calendário e a divulgação. A Apac esperava recursos
do município para o festival, através da ementa na lei orçamentária do município,
que, não foi aprovada, prejudicando
a divulgação do evento. Gueminho ressaltou a convivência entre os grupos como ponto
forte da campanha. "Os grupos se viram e trocaram muitos comentários."
Pensando na Campanha de 2010
Gueminho diz que as linhas de reação para a 9ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança estão sendo traçadas. A Apac anunciou que haverá uma seleção dos espetáculos, e que vai oferecer suporte aos grupos para desenvolvimento técnico e artístico.
Quanto ao preço, Gueminho diz que reduzi-lo pode desvalorizar o evento. Mas se houver aporte de patrocínio, é possível barateá-lo. Ele afirma que vai tentar novamente a aprovação da ementa que dispõe recursos para o festival na lei orçamentária do município. Irá também inscrever o evento nas leis de incentivo à cultura no âmbito estadual e municipal.
Para ele, o calendário bem planejado vai oferecer ao público um evento mais organizado. Não há a intenção de alterar o período de realização da Campanha.
Os textos são revisados por Madalena Fernandes
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