Grupo de apoio Amor-Exigente Há seis anos em Juiz de Fora o grupo traz uma nova dinâmica de relacionamento ajuda pais e filhos, alunos e professores
*colaboração
04/08/2005
O Grupo de Apoio São Pedro de Amor-Exigente (GASPAE) foi criado há
seis anos e é o único em
Juiz de Fora. Com o lema "Eu o amo, mas não aceito o que você está fazendo de
errado", o
Grupo traz uma nova proposta de
relacionamento entre pais e filhos, alunos e professores. São cerca de 1.200 grupos
espalhados pelo Brasil.
Princípios e propostas
No início, a proposta era específica: o apoio a dependentes químicos e seus familiares. Hoje, porém, a idéia é mais ampla e o auxílio não fica restrito apenas aos casos de drogas. No GASPAE, os membros se ajudam, na tentativa de mudar o próprio comportamento e o de seus familiares. Através da partilha, as situações vividas por uma determinada pessoa podem incentivar outra a ter uma atitude parecida ou não.
A mudança de comportamento é apresentada aos membros com a análise dos 12
princípios do AE (Amor - Exigente). A coordenadora do grupo de Juiz de Fora, Eliane Aparecida dos Santos Beguini
(foto ao lado) explica que cada tópico é desenvolvido com calma para que o
comportamento das pessoas seja modificado aos poucos.
"Trabalhamos cada princípio em um mês. Por exemplo, em abril, mês quatro,
analisamos o quarto princípio, que é Pais e filhos não são iguais.
Professores e alunos não são iguais. Falamos, por exemplo, que os pais podem
ser amigos dos filhos, mas que antes são os responsáveis e orientadores e
que estão em um 'patamar' acima, assim como os professores"
, conta Eliane.
Com as crianças, é feito um trabalho de prevenção baseado também nos princípios, para que elas melhorem o comportamento e no futuro não sejam dependentes químicos nem alcoólatras.
A dinâmica
O grupo de Juiz de Fora se reúne todas as segundas-feiras, na Rua Professor José Ribeiro, s/nº, no Centro Pastoral da Igreja de Santana. Apesar de utilizar o espaço físico da igreja, o AE é um movimento ecumênico e sigiloso. As reuniões têm o objetivo de esclarecer e orientar as pessoas a não aceitarem comportamentos agressivos e violentos (físicos ou verbais) de seus familiares, quer seja marido, filho, pai ou até mesmo aluno.
Os encontros
começam sempre com um cumprimento carcacterístico: "Como vai você? Cada
vez melhor. Que dia é hoje? É o primeiro dia da minha nova vida."
Depois de um momento de oração e reflexão, é apresentado o princípio do mês
e o grupo é dividido em sub-grupos: o das pessoas com dificuldades
familiares, dos jovens e dos dependentes químicos. As crianças têm um espaço
reservado.
"Procuramos não deixar parentes em um mesmo grupo para que não haja inibição
na hora da partilha. Além disso, tudo o que é dito é mantido em sigilo"
,
explica a coordenadora.
A cada reunião é estabelecida uma meta semanal, com o objetivo de eliminar aos poucos as atitutes inadequadas. Com o apoio do grupo, o membro tem força e coragem para mudar seus comportamentos.
"Um membro pode fixar como meta daquela semana não gritar com o filho, por
exemplo. Se na próxima reunião ela não tiver sido cumprida, permanece por
mais uma semana, mas, se nem assim a pessoa conseguir alcançá-la,
acrescentamos outra"
, diz Eliane.
A coordenadora ressalta que o Amor-Exigente não é um "grupo-muleta" sem o qual a pessoa não consegue sair do lugar. É um apoio, que apresenta um processo de mudança que pode ser usado como guia e que apóia as decisões dos membros. É uma combinação de princípios e ações que ajudam a pessoa a mudar e a retomar o controle da família ou sala de aula.
Os interessados em conhecer mais ou freqüentar o Amor-Exigente podem ir à reunião às segundas-feiras, ligar para o telefone (32) 3231-2977 ou visitar o site do AE.
Onde surgiu o Amor-Exigente?
Nos anos 70, os psicólogos David e Phyllis York tentaram todas as alternativas disponíveis na época para que suas três filhas deixassem a dependência química, mas foi em vão. Então, reunindo todas as experiências que tinham, iniciaram o movimento ToughLove, que apoiava o dependente e sua família. Em 1987, o Amor-Exigente chegou no Brasil, através do americano jesuíta Haroldo J. Rahm.
*Rita Couto é estudante do quarto período de Comunicação Social da UFJF
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