Lar Infantil Luíza de Marilac Educação infantil misturada com solidariedade
Repórter
06/12/2005
Educação como forma de inclusão social. Esse é o objetivo do Lar Infantil
Luíza de Marilac, instituição filantrópica da cidade que atende
aproximadamente 90 crianças de três à seis anos.
O Lar é vinculado ao Conselho Central Diocesano da Sociedade São Vicente de Paula e funciona em regime de semi-internato. As crianças chegam às 7h30 da manhã e vão embora às 17h.
A escolinha que funciona na parte da manhã é um convênio com a prefeitura. Cinco professoras municipais atendem as turmas do 1º, 2º e 3º período. A prefeitura também contribui com aproximadamente 30% do necessário à merenda escolar. O restante é arrecadado pela instituição.
Além das aulas normais, as crianças participam também de aulas de artes e de
educação física, que, como destaca a coordenadora da instituição Hélida
Albino são as que elas mais adoram. Vários "passeios" e "excursões" também são
agendados ao longo do ano, em locais como parques ou museus, por exemplo, para trazer para
a realidade dos baixinhos um pouco mais de história e de ecologia.
A creche funciona no horário da tarde e não é exatamente gratuita. Uma pequena taxa é cobrada dos pais que precisam deixar seus filhos para trabalhar. Mas quem não pode pagar também tem vez. Há muitas crianças, cujos pais não podem arcar nem com a taxa simbólica, que estão matriculadas nas atividades integrais do Lar.
"Temos que cobrar pelo menos um pouquinho. A ajuda que recebemos da sociedade tem diminuído a cada ano e não temos nenhum parceiro que salde todas as nossas dívidas", explica o tesoureiro da instituição, Augusto Lutz. Ela destaca que crianças precisam de muitos cuidados e que o gasto com a instituição é grande.
Diversidade
Para a coordenadora do Lar Infantil Luíza de Marilac, a diversidade de
raças e classes e o grande número de crianças vindas de bairros
diferentes para instituição é fator que beneficia o crescimento pessoal
de cada uma. "Cada criança aprende a lidar com a diferença em vários
momentos aqui", destaca.
A explicação para essa diversidade está no fato de o Lar funcionar em regime de semi-internato e ainda garantir a educação das crianças, o que pode ser visto como um grande benefício para a também grande diversidade de mães que trabalham no entorno da instituição. O Lar recebe crianças que são indicadas por conselhos tutelares, conferências vicentinas ou mesmo que os pais resolvem matricular por conta própria.
O início
Tudo começou com a boa vontade de uma só pessoa. Dona Carmelita Melo
Ribeiro, uma senhora que pertencia à Sociedade São Vicente de Paula,
buscou ajuda e começou a oferecer diariamente a Sopa dos Pobres do
bairro Cerâmica. Ela pedia legumes no comércio local, buscava parceiros para
financiar a sopa e encontrava voluntários pra cozinhar.
A idéia, desenvolvida em 1967, acabou crescendo e dando origem a um internato, seis meses depois. O objetivo era abrigar pessoas carentes e oferecer alimentação à elas. De acordo com Augusto Lutz, que está na instituição há mais de 23 anos, "infelizmente o internato acabou se transformando em um depósito de crianças. Sem limite de faixa etária e nem obrigações diárias pré-definidas, a idéia não se concretizou".
Pouco depois, a enchente do ano de 1978 no Rio Paraibuna, mudou ainda mais o
rumo da proposta. Obrigados a saírem da sede da Sociedade São Vicente de
Paula no bairro Cerâmica, eles resolveram encaminhar a outras instituições
todas aquelas crianças e jovens que precisavam de abrigo integral.
Decidiram, então, montar uma creche e uma escola e determinaram a
faixa etária de atendimento, o que deu origem à instituição que desde então
foi batizada com o nome de Lar Infantil Luíza de Marilac (foto ao lado).
Como Ajudar
O Lar Infantil Luíza de Marilac está precisando de material de limpeza e de higiene pessoal. Mas de acordo com o tesoureiro da instituição, Augusto Lutz, todo tipo de ajuda, seja ela material ou humana é sempre muito bem vinda.
Os interessados podem procurar a instituição, que fica na rua Mariana Evangelista, 24, no bairro Poço Rico.
As fotos das crianças que ilustram a matéria foram autorizadas, para veiculação no Portal ACESSA.com, por Hélida Albino, coordenadora da Instituição
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