Direitos Humanos

Projeto cultural privilegia comunidade do Dom Bosco Projeto de pesquisa coordenado por professor da UFJF promove valorização da memória e da cultura da comunidade do bairro Dom Bosco


Marinella Souza
*Colaboração
12/11/2008

Aprovado recentemente, o projeto de extensão "Comunicação, Memória e Ação Cultural" é uma iniciativa do professor da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Bruno Fuser (foto abaixo) e busca o desenvolvimento de atividades de produção cultural junto à comunidade do bairro Dom Bosco, através dos serviços prestados pelo Grupo Espírita Semente.

Fuser explica que desde que chegou em Juiz de Fora tem tentado unir projetos culturais alternativos voltados para a comunidade empobrecida e o Grupo Semente surgiu como uma possibilidade de colocar esse projeto em prática. "A Faculdade de Serviço Social da UFJF já desenvolvia um projeto educativo".

Uma das coordenadoras do projeto, Josimara Delgado (foto abaixo), conta que o Grupo Espírita Semente procurou o Pólo Interdisciplinar na Área do Envelhecimento, em 2004, pedindo assessoria em relação aos serviços prestados à comunidade. "O Pólo tem dois projetos. O Nucleação e o Envelhecimento e Memória, onde os antigos moradores da periferia da cidade contam narrativas de suas histórias de vida. O Nucleação foi o que escolhemos para o Grupo", explica.

Foto de Bruno Fuser Segundo Fuser, o novo projeto, "Comunicação, Memória e Ação Cultural", vai potencializar o que já estava sendo feito. "A partir dos projetos já existentes, vamos partir para a captação de fotos e vídeos; fazer um blog com os idosos, valorizando suas vidas, sua cultura. E a partir disso, vamos fazer a articulação com outras gerações e outras instituições".

O Grupo Espírita Semente é, segundo seu presidente, Carlos Roberto Ananias, "um centro espírita como outro qualquer, com o objetivo de, além de ensinar a doutrina espírita, desenvolver trabalhos sociais com todas as idades."

Para Ananias, o projeto vai gerar um impacto positivo na sociedade. "Vai envolver não só os idosos, mas a família, a memória, a história do bairro. Informações que os idosos têm e que vão se sentir bem em passar para os outros", acredita.

Registro cultural

Josimara comenta que o material produzido vai gerar documentos, registros da vida para a comunidade pensar a sua história, a sua identidade e a relação entre as gerações. "Quem sabe a partir dessas reflexões eles não tomem uma atitude para tentar mudar a situação do bairro?", espera.

Fuser explica que não havia quem pensasse na produção cultural do bairro e, por isso, eles buscaram dar uma nova vertente para o que estava sendo feito. "O que nós queremos é fazer pessoas que não são especialistas produzirem cultura porque a cultura transcende a arte. É possível fazer coisas interessantíssimas através da memória coletiva", declara.

Otimista, o professor espera poder transformar o projeto em um centro de cultura para que a comunidade possa pensar a sua cultura. Segundo ele, o bairro é muito carente de equipamentos públicos ligados à área cultural.

Foto de Bruno Fuser Josimara conta que a parte burocrática já foi feita e agora eles aguardam a contratação de um bolsista e a liberação de verbas para a compra de equipamentos técnicos para dar seqüencia ao projeto, que prevê também, a produção intelectual para o mestrado. ""Comunicação, Memória e Ação Cultural" é, antes de tudo, um projeto de pesquisa conjunto entre as faculdades de Comunicação Social e Serviço Social."

Segundo Ananias, os idoso do Semente ainda não sabem da novidade, mas o presidente acredita que a notícia será recebida com entusiasmo. "É uma coisa nova, instrumentos tecnológicos aos quais eles não estão acostumados, isso é muito bom", comemora.

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF