Direitos Humanos

Projeto acadêmico alia teoria e prática Alunos de faculdade de Juiz de Fora desenvolvem sistemas que auxiliam instituições públicas da cidade



*Guilherme Arêas
Colaboração
03/07/2007
foto do sistema AMaSy
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Trazer a teoria do ambiente acadêmico para as necessidades práticas da comunidade em geral é um dos grandes desafios que as universidades tentam superar a todo momento.

Quando essa combinação beneficia instituições públicas da cidade, o resultado é bom para todos os envolvidos. Atualmente, alunos do 7º e 8º períodos do curso de Análise de Sistemas, de uma universidade de Juiz de Fora, realizam o Projeto de Assessoria Socialmente Responsável em Tecnologia da Informação.

Na última semana, sete projetos foram apresentados durante a Semana de Tecnologia da Informação, evento promovido pela faculdade e com o apoio da ACESSA.com.

Para o coordenador do curso e autor do projeto, Wagner Arbex, o objetivo é colocar em prática as bases que regem o ambiente acadêmico: ensino - pesquisa - extensão.

"Nós queremos devolver para a sociedade aquilo que o aluno aprende na sala de aula", defende o coordenador. Wagner ainda observa que essas práticas despertam o aluno para a responsabilidade social, requisito cada vez mais importante entre as empresas. "Muitos alunos já se comprometeram a continuar o trabalho e a resposta das instituições que nós atendemos é muito positiva", conclui Wagner.

Informatizando os atendimentos

Um dos projetos realizados pelos alunos atende às demandas do Núcleo Herbert de Souza, da Associação Municipal de Apoio Comunitário (AMAC). O Attendance Management System (AMaSy) foi desenvolvido para gerenciar os atendimentos aos moradores de rua que procuram a instituição. O Núcleo atende mais de 200 pessoas por dia e oferece serviços como pernoite, alimentação, alfabetização, cursos e oficinas.

O gerenciamento de beneficiados, funcionários, serviços, endereços e atendimentos era feito por fichas de papel. "Todo o processo de atendimento foi agilizado. Quando ainda era feito em papel, um funcionário demorava cerca de quatro horas para fazer um relatório. Hoje, esse procedimento é feito instantaneamente", afirma Charleston Murilo Faustino, responsável pelo AMaSy. Junto com Tiago Curcio Coelho, o estudante realizou uma análise preliminar das necessidades do Núcleo Herbert de Souza antes de elaborar o sistema.

Após o término do trabalho de conclusão de curso, os estudantes darão um treinamento para que os funcionários da AMAC que lidam com o AMaSy saibam dominar o programa. Charleston firma, ainda, que o projeto foi importante para a formação acadêmica. "Desenvolver esse sistema foi fundamental para nós conhecermos o funcionamento do mercado de trabalho", conclui.

Organizando a biblioteca
foto de Mayer Salomão

Catalogar um acervo de cerca de seis mil obras não deve ser tarefa fácil. Fazer esse controle em fichas de papel escritas à mão pode se tornar ainda mais complicado.

Para agilizar o cadastramento de acervo, empréstimos, pesquisas e relatórios da biblioteca da Escola Municipal Clorindo Burnier, os estudantes Cleverson Luis Lempk e Mayer Salomão Vasconcellos (foto) desenvolveram o "Webteca".

A idéia foi criar um sistema que possibilitasse aos gestores ter controle de forma simples, consistente e em tempo real, dos recursos da biblioteca, além da produção de relatórios para facilitar a tomada de decisões gerenciais.

A principal dificuldade foi encontrada no início do projeto. "O difícil no começo foi conseguir uma instituição. Na verdade não foram elas que nos procuraram para sanar alguma dificuldade. Nós oferecemos uma solução para algum problema que, às vezes, nem elas sabiam que poderiam solucionar", afirma Mayer Salomão.

Quando chegaram à escola, a dupla não tinha idéia de qual seria a necessidade da instituição. Depois de algumas conversas com as diretoras, foi idealizado um sistema que permitisse a informatização do controle da biblioteca utilizada pelos alunos. Até então, os cadastros de empréstimos e devoluções, além do controle do acervo disponível, era feito à mão. Aliando necessidade e empenho, nascia o projeto "Webteca".

logo do webteca O apoio da Escola Municipal Clorindo Burnier foi fundamental para o sucesso do projeto. "O webteca não foi um projeto de apenas um lado. Nós estávamos dispostos a fazer algo de útil para a escola e eles aceitaram e deram todo o apoio desde o início", defendeu Mayer. Mesmo depois de concluírem a formação acadêmica, os alunos Mayer e Cleverson continuarão dando assistência para que sejam feitas as modificações para o aperfeiçoamento do sistema às necessidades da escola.

"O webteca reuniu todos os conhecimentos que nós tivemos durante os anos de faculdade. Desenvolver isso fora do ambiente acadêmico foi importante para simular as situações reais que nós vamos encontrar quando fizermos um trabalho para um cliente", conclui Mayer.

A vice-diretora da Escola Estadual Clorindo Burnier, Isabel Chaves Morais, afirma que o projeto só trouxe benefícios aos freqüentadores da biblioteca. Para localizar um determinado aluno cadastrado nas antigas fichas de papel, o funcionário demorava cerca de três minutos. Com o "webteca" esse processo dura poucos segundos. "Os alunos geralmente pegam os livros no horário do recreio, que dura 20 minutos. Quando o procedimento de empréstimo demorava muito, os alunos acabavam desistindo de pegar os livros e iam embora", lembra.

"As instituições de Juiz de Fora geralmente não têm o retorno das universidades. Várias vezes nós já recorremos ao auxílio de instituições de ensino superior da cidade, mas nunca tínhamos conseguido nada até então", lamenta Isabel.

*Guilherme Arêas é estudante de Jornalismo na UFJF