A surdocegueira é uma deficiência bastante severa. Quem convive com essa necessidade especial, não enxerga nem ouve, tornado difícil a comunicação e o desenvolvimento. Após o nascimento de Bruno, seu sobrinho neto, Maria do Carmo Vianna (foto ao lado) passou a conviver com problema de perto. E, diante da constatação de que não havia qualquer instituição de apoio a essas pessoas em Juiz de Fora, ela decidiu botar a mão na massa.
No ano de 2000, o Instituto Bruno foi criado
a partir do esforço e do desejo que Maria do Carmo tinha em fazer algo pelas crianças surdocegas
em Juiz de Fora. Ela relata que, junto com os pais, procurou atendimento para Bruno em várias cidades, só
encontrando em São Paulo. "Parti em busca de outras famílias de crianças surdocegas e constatei
que algo deveria ser feito em nossa cidade. Começamos o trabalho na minha casa, com quatro crianças"
,
conta.
De lá pra cá, o trabalho cresceu. Hoje, a instituição conta com duas sedes (uma educacional e outra voltada para atendimentos) e ofecere tratamento a 62 surdocegos com múltipla deficiência e mantém cerca de 30 assistidos em uma faixa etária que varia de dois a 56 anos. O instituto Bruno conta com o trabalho de médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogo e assistente social, além de ministrar aulas de braile e artesanato. Todas as atividades são gratuitas e a ONG sobrevive essencialmente através de doações.
Maria do Carmo, hoje gestora social do Instituto Bruno, ressalta que é uma grande alegria poder acompanhar o
desenvolvimento dos surdocegos em tratamento. "Oferecemos um atendimento de qualidade e, através de avaliações
periódicas, constatamos a evolução das crianças. Isso nos deixa muito feliz"
. Ela ressalta que é extramamente
importante cuidar também da famíla dos atendidos para que o tratamento tenha êxito. "Nós inserimos os familiares
nos programas de orientação para que eles saibam das potencialidades de seus filhos e que eles podem chegar lá"
,
destaca.
Para Maria do Carmo, o trabalho que desenvolve no Instituto é estimulante. "É animador ver a alegria deles, suas
conquistas. Com nossa ajuda eles vencem as barreiras da acessibilidade e da comunicação"
. Ela acredita não estar
fazendo mais que sua obrigação como cidadã. "Vejo que eles acreditam no trabalho do Instituto. Dizem que nós somos
seus anjos da guarda. Mas eles é que são nossos anjos da guarda. Nosso objetivo é fazer com que eles descubram suas
eficiências e tenham seus direitos respeitados"
, conclui.
Para arrecadar recursos, o Instituto Bruno também vende as peças de artesanato e papelaria produzidas
pelos atendidos. " Contamos com a solidariedade das pessoas"
, diz a gestora. A ONG, além de prestar antendimentos, doa alimentos, remédios,
cadeiras de rodas e encaminha para cirurgias. Há várias formas de colaborar. Para se informar, entre em contato com a
ONG através do telefone (32) 2102-4334.
A trajetória de Maria do Carmo no voluntariado começou há anos atrás quando ela ainda
era estudante, na cidade de Divinópolis. Ela conta que nessa época atuava junto a uma
instituição de apoio a cegos. "Percebi que é muito gratificante dedicar um pouco do
seu tempo para auxiliar a quem precisa. É uma troca. Você dá, mas também recebe"
, explica.