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Uma chance de ouro para quem acaba de sair da prisão Egressos participam de cursos, formam cooperativa
e ganham a oportunidade de começar de novo

Thiago Werneck
Colaborador*
06/07/2007

A oportunidade de começar de novo. Foi em busca desse ideal que Douglas Santos Silva, que saiu há alguns anos da cadeia, entrou para o projeto do Núcleo de Prevenção da Criminalidade, NPC. Ele é um dos 30 egressos do sistema prisional de Juiz de Fora que lutam por um emprego e pelo fim do preconceito contra ex-presidiários. Eles montaram uma cooperativa e agora esperam recursos para terem sua própria oficina mecânica.

Durante dois anos, os egressos tiveram aulas de informática, português e cooperativismo na Intecoop da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e aulas práticas de mecânica no Colégio Técnico Universitário, CTU. Prontos para o trabalho, eles formam a Cooperativa de Oficina Mecânica Pistão de Ouro. Para colocarem a "mão na massa", aguardam parceria para conseguirem um local para oficina e um orçamento de cerca de R$ 65 mil para comprarem as máquinas.

Para Douglas, presidente da cooperativa, a iniciativa foi uma mostra da confiança do CTU e da UFJF em relação aos egressos. "Eles acreditaram na gente e nos trataram da melhor forma possível. Os que quiseram melhorar de vida agarraram a oportunidade. Foi muito importante e conseguimos nos re-inserir na sociedade", destaca.

Foto de Flávio, gestor do núleo Além da cooperativa, os egressos têm a oportunidade de fazerem um curso para aprenderem a fabricar material de limpeza. O gestor social do NPC, Flávio Sereno Cardoso (foto ao lado), explica esse é um começo de trabalho que visa a diminuir a criminalidade. "O Núcleo ainda vai completar dois anos de criação e oferecemos serviços a todos egressos em condicional e que tenham saído a menos de uma ano da prisão. Não há limite de vagas, os que saem da cadeia podem se inscrever", relata.

Hoje são mais de 200 egressos inscritos no núcleo, que vem ganhando mais divulgação entre os presidiários. "Estamos divulgando mais o trabalho para aqueles que estão prestes a sair da prisão. Quando chegam aqui, fazemos um pacto para que eles não cometam novos crimes. Atualmente, uma média de dez egressos têm procurado os projetos do núcleo mensalmente", revela Flávio.

Os egressos recebem apoio psicológico, judiciário e de assistência social. Flávio considera esse acompanhamento fundamental. "Na maior parte das vezes, são pessoas de baixa escolaridade, sem capacitação profissional, alguns com problemas de alcoolismo e ainda carregam o estigma de serem ex-presidiários. Temos que reverter isso para eles não voltarem a cometer crime. Esse é o princípio do nosso trabalho. Caso a cooperativa dê certo, por exemplo, com certeza vamos tentar formar novas parcerias desse tipo", observa.

Foto de egressos trabalhando na cooperativa Foto do egresso Henrique trabalhando Foto de egressos trabalhando na cooperativa

O egresso, Henrique Madeira (foto acima, ao centro), acredita que falta mais apoio do governo e dos empresários para o incentivo dessa reintegração. "O preconceito ainda é grande e sempre é difícil retornar ao mercado de trabalho. Se houvesse mais apoio a reincidência de crimes ia ser menor. É preciso um incentivo", avalia.

Foto estagiária Cláudia Segundo a estagiária de psicologia, Cláudia Carvalho (foto ao lado), a sensação de abandono e a queda da auto-estima são os problemas mais comuns enfrentados pelos egressos. "É muito particular a situação de cada um, mas na maioria das vezes eles precisam de acompanhamento psicológico para terem um acolhimento mais amplo e se reintegrarem", explica.

Assim que entram no projeto, os egressos passam pelo grupo Primeiras Palavras. É quando eles têm contato com participantes mais antigos do núcleo e podem conhecer a importância do projeto. "Eles precisam de ter força de vontade para continuar no trabalho. Por isso, têm encontros mensais com pessoal do NPC. A divulgação dos projetos nas penitenciárias é essencial para aumentar o número de egressos e prevenir a criminalidade", avalia Flávio.

O NPC é um projeto do Governo Estadual de Minas Gerais que está presente em várias cidades do estado. O Núcleo apresenta também projetos de prevenção primária do crime, mas isso não acontece ainda em Juiz de Fora. A meta do NPC local é de também trazer esses programas para a cidade.

Foto de egressos trabalhando na cooperativa Foto de egressos trabalhando na cooperativa Foto de egressos trabalhando na cooperativa
Foto de egressos trabalhando na cooperativa Foto de egressos trabalhando na cooperativa Foto de egressos trabalhando na cooperativa

*Thiago Werneck é estudante de jornalismo da UFJF

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