Direitos Humanos

Refinado, novo golpe visa atingir aposentados em JF

Cartas anunciando o recebimento de apólices de seguro de mais de R$ 71 mil estão sendo enviadas. Para "receber" a quantia, a vítima precisa depositar uma taxa de 4%

Raphael Placido
Repórter
18/06/2013
golpe

O vereador Wanderson Castelar, presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal, convocou uma coletiva de imprensa, com as presenças do Delegado Chefe da Polícia Federal, Cláudio Dornelas; do Promotor de Defesa do Consumidor em Juiz de Fora, Plínio Lacerda; do coordenador do Serviço de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal (Sedecon), Carlos Alberto Gasparette; e do representante da OAB, Jorge Sanglard. Eles chamaram a atenção sobre um novo golpe que está começando a ser praticado em Juiz de Fora.

Ainda há poucas informações precisas sobre o golpe. O que se sabe, até o momento, é que uma carta, em nome da "Sagres Seguros e Previdência Privada", e com a assinatura falsa de uma advogada, vem sendo encaminhada a vários juiz-foranos que se aposentaram nos últimos dois anos. Para ter direito a supostamente receber uma quantia de R$ 71 mil, o aposentado precisa, antes, pagar uma taxa.

Chama a atenção o fato de os golpistas terem acesso a diversos dados sigilosos das vítimas. Muita gente, ao constatar a existência dos números reais do CPF, PIS, telefone, endereço, etc. acaba ficando mais suscetível a cair no golpe. "Na quarta-feira, 12, um médico recebeu esta correspondência. Ela foi postada em Juiz de Fora, mas o endereço é de Brasília. Há um carimbo que não existe mais: ou foi forjado ou clonado. O envelope foi colocado diretamente em uma caixa do Correio, sem passar por uma agência. Os telefones que eles dão são celulares. E a pessoa do outro lado não atende qualquer número. Só os já cadastrados das vítimas. Quando a pessoa entra em contato, é pedida uma quantia, que pode variar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil", explica Jorge Sanglard.

Oferta muito grande para não desconfiar

Segundo as primeiras apurações, o golpe está "na praça" desde 2012, e vem migrando de estado para estado. Agora, parece que chegou a Minas. Carlos Alberto Gasparette faz um alerta às potenciais vítimas. "Ao receber alguma correspondência deste tipo, desconfie. Não façam depósito para receber uma quantia maior depois. Ninguém paga algo antes para depois receber. Além disso, é uma oferta muito grande para não desconfiar", afirma, lembrando que na apólice há um item explicando que é preciso pagar uma taxa para resgatar o dinheiro.  

A Polícia Federal, através do delegado Cláudio Dornelas, afirma que já estão marcadas conversas com as primeiras vítimas, que receberam as cartas. Ainda não há informações de que alguém tenha caído no golpe. "Acredito que haja uma seleção de alvos. As cartas não estão sendo enviadas a pessoas que não tenham poder aquisitivo. Apreendemos a documentação e os submetemos a exames periciais. Se houver indício de crime federal, iremos instalar inquérito. Caso contrário, será encaminhado à Polícia Civil, como crime de estelionato", finaliza.

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