Desafios de um engenheiro sanitário e ambiental Considerada por especialistas como a profissão do futuro, curso chega a Juiz de Fora através da Universidade Federal no Vestibular de 2009
Repórter
11/11/2008
O discurso do desenvolvimento sustentável do planeta é uma unanimidade na mídia, na política e nas empresas que se preocupam com o futuro da humanidade. Em um mundo de crescentes descobertas tecnológicas, iniciativas que reduzem o impacto ambiental gerado pela economia ganham destaque no mercado globalizado.
Muitas vezes são soluções simples para a destinação do lixo, alternativas menos poluentes para as indústrias ou tratamento adequado ao esgoto.
Por trás de todo esse emaranhado de problemas e soluções está o profissional da engenharia sanitária e ambiental, considerada uma das profissões mais promissoras para os próximos anos.
O engenheiro sanitarista e ambiental é responsável pelo desenvolvimento de projetos de engenharia dos sistemas urbanos de abastecimento de água, esgoto sanitário, drenagem pluvial e resíduos sólidos.
É esse profissional que também avalia o impacto de obras sobre o meio ambiente, para prevenir a poluição de mananciais, rios e represas. Além disso, cuida da manutenção da qualidade da água consumida pela população, do tratamento do esgoto e dos lixos doméstico, industrial e hospitalar.
Com tantas áreas de atuação, os especialistas garantem que mercado não falta para esse profissional. Para o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Seção Minas Gerais, (ABES-MG), Márcio Tadeu Pedrosa, há recursos governamentais suficientes para investimentos nas áreas sanitária e ambiental.
"O que falta são bons projetos. O BNDES, por exemplo, tem tantos recursos
quanto o Banco Mundial
para repassar às áreas ambiental e sanitária"
, revela.
Pedrosa lembra, ainda, que as preocupações do governo com as questões ambientais são recentes.
"Na década de 60 o governo começou a ser preocupar com as cidades. Poucas tinham água tratada.
Na década de 70 tivemos uma preocupação com a coleta do esgoto e só a partir da década de 90
passamos a pensar no tratamento do esgoto e na destinação dos resíduos sólidos"
, diz.
Para o presidente da ABES-MG, é difícil precisar o número de engenheiros sanitaristas e ambientais que atuam no estado, já que muitos profissionais se formam em outras engenharias e depois migram para a área sanitária e ambiental.
É o que aconteceu com os engenheiros civis Paulo Afonso Valverde Júnior
(foto, à esquerda)
e Mário de Araújo Porto Filho (foto, á direita), ambos pós-graduados
na área sanitária e
ambiental. Os profissionais, que atuam na
Companhia de Saneamento Municipal de Juiz de Fora (Cesama), garantem que a engenharia
sanitária e ambiental é a profissão do futuro.
"A porcentagem de esgoto tratado em todo o Brasil é muito baixa"
, alerta Mário. O
engenheiro lembra, ainda, que grande parte das doenças transmitidas ao homem pode ser
adquirida através da água não tratada.
O futuro da profissão do futuro
O que é um problema para o país pode ser tirado como proveito para os que desejam seguir nessa área.
Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que para cada dólar aplicado em saneamento, com esgoto coletado e tratado e água tratada, economizam-se de quatro a cinco dólares, nos dez anos seguintes, em saúde pública, com a redução de despesas em atendimento médico, medicamentos e hospitais.
Além da demanda governamental para investimentos nessa área, a iniciativa privada
também se volta para a importância do desenvolvimento aliado à preservação do meio ambiente.
"Você não pode parar o planeta. A demanda pela produção e consumo é cada vez
maior. Se não tivermos um profissional que consiga conduzir isso de maneira sustentável,
vamos pagar pelos nossos próprios erros"
, adverte Paulo.
Para o engenheiro, o campo de trabalho do profissional é vasto e passa pelo licenciamento e monitoramento ambiental de empreendimentos privados, além de iniciativas públicas voltadas para o tratamento de esgoto.
"O profissional tem a demanda de planejamento ambiental para novas indústrias, por
exemplo, mas muitas empresas antigas ainda não se adequaram à legislação ambiental. Por
isso, o trabalho do engenheiro também passa pelo licenciamento ambiental corretivo"
, destaca.
Ainda de acordo com os engenheiros da Cesama, com a evolução da profissão,
novos conceitos também surgem na engenharia
sanitária e ambiental.
"Há pouco tempo nós tinhamos a tendência de canalizar e tampar todos os córregos
das cidades.
Hoje, a recomendação é fazer com que os córregos façam parte da vida urbana"
,
conclui Paulo.
O curso na UFJF
A partir de 2009, a Universidade Federal de Juiz de Fora passa a oferecer 42 vagas para o curso diurno de Engenharia Sanitária e Ambiental na modalidade Bacharelado.
De acordo com a UFJF, a proposta do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental é formar profissionais capazes de atuar em todas as áreas de gestão do sistema sanitário e do meio ambiente, promovendo a prevenção e o controle de impactos ambientais, através da elaboração de projetos com soluções sustentáveis.
A duração do curso é de 5 anos. As inscrições para o Vestibular e PISM da UFJF podem ser feitas até às 15h do dia 14 de novembro pelo site www.vestibular.ufjf.br.
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