Esporte

Robson Aloísio Alfredo Silva O Mountain Biker é bi-campeão brasileiro e promete mais na carreira de treinador

Thiago Werneck
Colaboração*
26/04/2007

Juiz de Fora é destaque nacional quando o assunto é Mountain Bike. Robson Aloísio é um dos responsáveis por esse sucesso. Medalha de prata no Campeonato Panamericano da modalidade, bicampeão brasileiro, campeão das principais competições que envolvem o ciclismo nas montanhas, Robson se destaca também como treinador da categoria.

Para se ter uma idéia, dos 52 finais de semana que temos em um ano, em 42 Robson participa de provas. O calendário é apertado e agora o atleta quer se dedicar mais a vida de treinador. "Já treino três jovens de Juiz de Fora e planejo o treino de seis atletas de fora da cidade, via internet. Nessa semana assumo o comando de uma das equipes de Mountain Bike mais fortes do país que acaba de se juntar com a que eu já comandava. Espero ter sucesso e fortalecer o esporte na cidade", destaca Robson.

O novo compromisso do atleta é revitalizar essa equipe e motivar os talentos de Juiz de Fora que poderão ganhar espaço caso façam parte do grupo. "É uma empresa forte que está muito esquecida no mercado das bicicletas e vem mal nas últimas provas. Eles perceberam meu trabalho e agora me dão a condição de recuperar a moral desses ciclistas de montanha. Um bom desafio que pode motivar o pessoal da cidade", acredita Robson.

Segundo o atleta, Juiz de Fora é o berço do Mountain Bike no Brasil e sempre tem maioria de representantes na seleção brasileira. "Muitos atletas bons saem daqui e agora meu objetivo é ajudar os novos talentos que possam surgir. Sem dúvida alguma a cidade é o maior seleiro de mountain bikers do Brasil", conta.

Títulos

As competições mais importantes no Brasil são a Iron Biker em Ouro Preto, a Power Bike, a Copa Internacional em Minas Gerais e o Campeonato Brasileiro. Robson já foi vice-campeão da Iron, Campeão da Power e da competição internacional e também bi-campeão do Brasileiro. Os títulos foram conquistados na categoria master, para atletas com mais de 30 anos. Outro resultado de destaque é medalha de prata no Panamericano da categoria em 2006.

Robson em competição Neste domingo, dia 29 de abril, Robson participa do Campeonato Brasileiro de Mountain Biker, em Ouro Preto. A prova não distribui prêmios, mas é mais importante para formação da seleção brasileira da categoria. Na Copa Internacional, que era o antigo Campeonato Mineiro, Robson venceu a primeira etapa, em Araxá e espera pelas próximas três que acontecem em Ouro Branco, Barbacena e Conselheiro Lafaiete. "É a uma disputa que tem vários atletas internacionais e é considerada a melhor competição da categoria na América Latina, principalmente por causa de sua organização", ressalta Robson.

O problema é que pela falta de apoio que tem a Mountain Bike todos atletas têm que correr várias provas e não podem se preparar para as grandes corridas. Por isso Robson já ganhou diversas competições de menor porte no país e destaca outros momentos importantes que viveu com o esporte. "Já participei por quatro anos da seleção brasileira, fui terceiro lugar em uma prova na Argentina e já viajei por muitos países da América do Sul competindo", ressalta.

Robson acredita que tudo poderia melhorar caso o apoio dado ao esporte fosse maior. "Nós mountain bikers vivemos uma desorganização muito grande no país. O calendário é desorganizado, com uma corrida atrás da outra. Se você não conquista vitórias perde patrocínio e é um grande desafio. Porque todos os atletas têm que ficar correndo atrás dos prêmios das provas para se sustentar", explica.

Como tudo começou para Robson

O fascínio pela bicicleta começou logo cedo aos três anos, quando Robson já corria com seu velotrol. Já nessa idade ele quebrou suas clavículas depois de exagerar na velocidade. Aos sete anos, ele já pedalava uma bicicleta sem rodinha e crescia cada vez mais sua paixão pelas pedaladas. Aos poucos adquiriu sua primeira bicicleta bem equipada e aos 16 anos começou a pedalar com um pessoal de Juiz de fora que praticava Mountain Bike.

Robson em competição "Já comecei bem. Conquistei um quarto lugar e fui gostando da coisa> Me convidaram para participar de uma equipe forte, com patrocínio. Foi quando comecei a ganhar dinheiro com as premiações e decidi que esse seria meu caminho", conta Robson. O atleta teve a carreira interrompida por um ano em 1993, quando sofreu um acidente de moto. E quando muitos achavam que ele pararia por ali é que Robson se dedicou ainda mais a Mountain Bike.

Nesse momento que não havia nenhum livro sobre como se treinar para provas específicas do ciclismo de montanhas, Robson resolveu criar um método de treinamento. "Eu já estava parado e pensei que poderia fazer algo para treinar melhor e evoluir, foi quando surgiu a oportunidade de treinar um garoto de 16 anos, Albert Morguen que estava mudando de categoria e precisou da minha ajuda. Com os treinos ele se saiu bem e ganhou muitos títulos em todas as categorias que passou", relata Robson.

O atleta fez pós-graduação na área de ser técnico e seu método é reconhecido em todo o país. "Vejo muita coisa errada no meio. O fato de eu ter estudado ajuda muito. Conheço melhor meus atletas e pude colocar as bases científicas na prática, conseguindo obter melhores resultados. São poucos os treinadores da categoria que conseguem fazer isso no país", avalia Robson.

O esporte

Traduzindo, mountain bike significa o ciclismo das montanhas. Nas provas de cross country os atletas pedalam em 80% do caminho de trilhas,os morros são obrigatórios e não é só a velocidade que define o vencedor. São duas horas de prova, dando voltas em circuitos que costumam ter entre cinco e seis quilômetros.

Foto Robson O outro estilo de prova é de maratona. Nesse nível o mais importante é a resistência. As provas podem acontecer durante 3 dias com pontos distintos de partida e chegada. Robson é especialista no estilo cross country, mas também já ganhou suas medalhas em maratonas. "São provas mais difíceis, porque a distância é muito maior. Mas como destaco com meus atletas o importante é conhecer seu, corpo, seu limite, traçar estratégias e pedalar com inteligência. Assim mesmo em provas que não somos especialistas podemos conquistar um lugar no pódio", revela Robson.