Esporte

Pra frente Brasil, salvem a seleção!

Vinicius Moura de Oliveira 03/07/06
Convidado

O sonho acabou... No último dia 01 de julho, o Brasil novamente não entrou em campo para enfrentar a França e reviu uma história pela terceira vez em 20 anos: os franceses tirarem a Copa do Mundo das mãos dos brasileiros.

É. Foi a mesma França, que em 86 eliminou o Brasil também nas quartas-de-final, nos pênaltis. A mesma França de Barthez, Thuram e Zidane, que venceu a seleção brasileira na final da Copa de 98 por 3 a 0. Que Argentina que nada! Deus me livre a França...

Mas, pra falar a verdade, não foi apenas no jogo contra os franceses que os brasileiros não entraram em campo não. Contra Croácia, Austrália e Gana, o que se viu foi um jogo burocrático, com os "melhores jogadores do mundo" desfilando pelo gramado. Muito pouco para uma seleção considerada favorita por unanimidade. Então, para quê existem os reservas? Existem como opção na busca por uma melhor formação, um melhor rendimento que o time dito "titular", quando este não rende o esperado. Essa seria a lógica; não para o turrão do Parreira.

O Brasil encarou o fragilizado Japão de Zico com uma escalação "mista", que contava com alguns jogadores reservas. O futebol apresentado ainda não foi uma exibição de gala, mas a goleada de 4 a 1 sobre os japoneses comandados por Zico foi bem mais convincente. Qual seria a lógica? Bem, a única lógica que deve existir na seleção é a da CBF e de seus patrocinadores...

Mas que isso! O Brasil bateu vários recordes nessa Copa. Ronaldo, com os três gols marcados lá na Alemanha, chegou aos 15, e agora é o maior artilheiro de todas as Copas. O capitão Cafu também bateu o recorde de mais jogos pela Seleção Brasileira em Copas, alcançando a marca dos 20 e superando os 18 de Dunga e Taffarel. Lúcio ficou quatro jogos e 26 minutos sem cometer faltas e ultrapassou a marca do paraguaio Gamarra, passando a ser o jogador com o maior tempo sem infrações em uma Copa do Mundo. O Brasil também foi o primeiro país a marcar mais de 200 gols em toda a história dessa competição.

Ah! Ainda tem mais essa. A seleção brasileira também bateu o recorde da apatia e da falta de vontade de ganhar uma partida. E ainda foi a única seleção do mundo a sofrer duas convulsões em jogos decisivos de Copa: em 98, foi Ronaldo; em 2006, e sem desculpas, foram todos os jogadores que tremeram, amarelaram diante dos franceses, cruzaram, chutaram (aliás, nem chutaram) e passaram mal e, após a partida, tiveram que enrolar a língua. E o mais engraçado é que teve jogador brasileiro que saiu rindo de campo ainda.

Agora, só nos resta ter esperanças quanto às eleições de outubro. Ou seja, rumo ao hexa 2010! Porque, no meio de tantas estrelas, a mais importante, e a que está acima de todas estas, ainda está por vir. E que a próxima seleção tenha garra e atitude, como o Felipão em Portugal; que o quadrado mágico não seja tão mágico a ponto de ele próprio se fazer desaparecer dentro das quatro linhas; que o Zidane, que deu uma lição de como se joga bola, tenha mesmo abandonado o futebol, assim como alguns jogadores dessa seleção brasileira da Copa da Alemanha. Porque 180 milhões estiveram em ação em todo o Brasil, mas os 14 que enfrentaram a França não.