T?nel do tempo

Ailton Alves Ailton Alves 15/12/2008

Ilustra??o mostrando o campo de futebol com uma bola e
bengala H? dez anos, o t?cnico do Tupi era Jos? Carlos Amaral. Tempo de vacas magras, segunda divis?o de Minas, jogos com o m?nimo de torcedores, com arquibancadas t?o vazias que era poss?vel ouvir o grito dos jogadores em campo, como se fosse um treino ou uma pelada no campo do Grot?o.

Jos? Carlos Amaral n?o gritava. Passava o primeiro tempo dos jogos com a m?o no queixo, ou entre os l?bios, a contemplar a partida, como se fosse um torcedor mais compenetrado. No intervalo, tinha na ponta da l?ngua - e dizia ? imprensa - toda a sua vis?o da partida, o que faria nos vesti?rios e como mudaria a hist?ria do jogo. E sempre estava certo. A equipe voltava outra e vencia, ou consolidava a vit?ria, conforme o caso.

N?o deu em nada, porque ele saiu antes do campeonato acabar.

Agora, Jo?o Carlos Amaral est? de volta. Tempo de vacas gordas (est? na B?blia, esse peso de bois), de primeira divis?o e de Copa do Brasil.

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H? dez anos, Ronaldo era um fen?meno. Tinha pouco mais de duas d?cadas de vida e preparava-se para ser bicampe?o do mundo na Copa da Fran?a. Come?ou no S?o Crist?v?o, depois foi para o Cruzeiro, PSV, Barcelona e Inter de Mil?o. O time holand?s ? o time da l?mpada e o italiano, dos pneus - isso, mais as chuteiras especiais (n?o imortais), diz tudo. Para a sele??o foi um passo e uma vaga cativa. O escrete era ele e mais dez.

N?o deu em nada. O sucesso planejado para aquela copa foi desfeito pelo pr?prio Ronaldo, protagonista e v?tima de um caso nebuloso. A consagra??o definitiva s? viria quatro anos depois, na Copa da ?sia. Agora, Ronaldo, quem diria, acabou no Parque S?o Jorge. Quest?o mais de marketing que de futebol. Sinal dos tempos.

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H? dez anos, o Vasco era tudo. Campe?o da Am?rica, indo para T?quio, tricampe?o brasileiro, v?speras de tetra, com craques em profus?o e um futuro pela frente. Entrava em todos os campeonatos como favorito.

Mas meses e meses de desmandos, m? administra??o, desrespeito com profissionais do presente e ?dolos do passado e descuido com os jovens jogadores minaram o Vasco da Gama, aparentemente t?o s?lido como o Rochedo de Gibraltar.

Deu em S?rie B.

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H? dez anos, o Chelsea n?o era nada. Refer?ncias ao time londrino, que s? havia vencido um campeonato ingl?s, em 1955, apenas em filmes B, da terra da Rainha.

Agora, e muito antes de Felip?o, quem n?o souber que o Clelsea ? um dos mais poderosos clubes do planeta, com chances reais de em breve dominar o mundo do futebol est? por fora. Estou para acreditar que a equipe azul de Londres, a julgar pelas camisas que desfilam nas ruas, tem mais torcedores no Brasil que, por exemplo, o Am?rica mineiro.

Coisas da globaliza??o, do dinheiro e do poder da m?dia.

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Daqui a dez anos, o Tupi pode ser tudo. Depende de uma s?rie de fatores, mas o principal est? a caminho: a base.

Sei que nos dias de hoje n?o ? comum fazer planos, pensar em anos ? frente - viver est? ficando muito perigoso. Mesmo assim, caro e raro leitor, pegue a foto dos 14 jogadores pratas da casa do Galo Carij? e guarde numa gaveta, a tr?s chaves. Daqui a dez anos recupere o documento e veja quantos desses jogadores est?o no time titular. E ai ser? poss?vel saber em que p? estaremos em 2018.

Ailton Alves ? jornalista e cronista esportivo
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