Esporte

Romário de volta ao Tupi? Saída do baixinho do Vasco alimenta especulações sobre o futuro do jogador bom de bola e de criar polêmica. E por que não o Tupi?

Phillipe Guedes
Repórter*
16/02/2008
A lembrança do dia em que um jogador da seleção brasileira, que venceu uma Copa do Mundo, vestiu a camisa do Tupi está guardada na camisa que o funcionário público Augusto Vale, de 63 anos (foto ao lado), cuida como um tesouro.

Na passagem relâmpago de Romário pelo time juizforano, no ano passado, Augusto foi o escolhido para ganhar a camisa do craque autografada. Por que? A faixa que é um dos amuletos que está com ele em todas as partidas do galo explica. "Torcedor solitário não vaia. Torcedor solitário aplaude. Avante tupi!"

Solitário ou solidário, ele, por está sempre ao lado do time, faça chuva, faça sol, na primeira ou segunda divisão, ganhou a camisa do maior jogador que já passou pelo galo - mesmo que por pouquíssimo tempo. "Fui o primeiro a saber que o Romário viria para o Tupi. Um dos responsáveis pelo time na época, me deu uma carona e me contou", comemora.

Depois de pedir para sair do Vasco, onde estava como treinador-jogador, por não ter aceitado a influência do presidente Eurico Miranda nas suas decisões à frente do time, o futuro do baixinho começa a ser traçado. Por ele e pela torcida brasileira. O vice-presidente do Flamengo, Kleber Leite, pensa em aproveitar Romário não só nos gramados, mas na divulgação de projetos rubro-negros. O todo-poderoso do Vasco quer o baixinho de volta para encerrar a carreira de jogador em São Januário. E no Tupi não é diferente. Os dirigentes do time juizforano gostariam de ver o jogador de volta aos campos da cidade.

O atual treinador do time, Moacir Júnior, não esconde a vontade de poder contar com um reforço do quilate de Romário. "Ele é o sonho de qualquer técnico. Ninguém dispensa. Nosso time está formatado de maneira muito humilde e a estrela do Tupi, hoje, é o conjunto de jogadores. É claro que tem espaço para um jogador que é uma estrela", diz o técnico que não estava à frente do time quando o baixinho esteve no Tupi.

Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi

Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi Foto do Romário no campo do Estádio Municipal Mário Helênio em Juiz de Fora para o coletivo com o Tupi

Jogador dos sonhos de Moacir é, de fato, um sonho. O presidente do clube, Áureo Furtuna, diz que as portas do galo estarão sempre abertas para o craque. "Nenhum time rejeita um jogador como ele, mas hoje ter o Romário entre os jogadores do Tupi é um sonho, sem chance", revela Áureo, deixando entender que o clube não tem como bancar um reforço desse porte.

Para Áureo, a passagem do jogador, mesmo que rápida, trouxe benefícios para o galo. "O time ganhou visibilidade, se tornou conhecido, mas a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) não autorizou a permanência dele em Juiz de Fora, embora depois tenha permitido que o jogador voltasse para o Vasco da Gama", explica o presidente do Tupi. Segundo ele, o time juizforano deve continuar como está.

E como torcedor solidário aplaude, Augusto guarda como um troféu a camisa do dia em que o seu time do coração esteve mais perto da elite do futebol brasileiro. "Eu nem uso essa camisa para não suar e ter que lavar. Já me ofereceram até R$ 1 mil nela, mas por dinheiro nenhum eu vendo", diz.

Com ou sem Romário, em todo jogo do Tupi Augusto está lá: vestido com uma camisa do time, não a que ganhou de Romário, com a faixa que é seu lema de torcida e outra preta e branca. E um detalhe: quando pode, fica longe dos outros torcedores. Superstição? "Eu vou lá para assistir futebol. Não é para xingar os árbitros, os jogadores ou o treinador. Quando vai ao teatro, você também paga ingresso e, se não gosta, fica quieto. No estádio também tem que ser assim. Você tem o direito de não gostar do que está vendo, mas não o de desrespeitar as pessoas. Por isso gosto de ficar mais afastado", explica.

* Phillipe Guedes realizou a matéria como colaboração ao participar do processo seletivo do Portal ACESSA.com


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