Na passagem relâmpago de Romário pelo time juizforano, no ano passado,
Augusto foi o escolhido para ganhar a camisa do craque autografada. Por que?
A faixa que é um dos amuletos que está com ele em todas as partidas do galo explica.
"Torcedor solitário não vaia. Torcedor solitário aplaude. Avante tupi!"
Solitário ou solidário, ele, por está sempre ao lado do time, faça chuva,
faça sol, na primeira ou segunda divisão, ganhou a camisa do maior
jogador que já passou pelo galo - mesmo que por pouquíssimo tempo.
"Fui o primeiro a saber que o Romário viria para o Tupi. Um dos
responsáveis pelo time na época, me deu uma carona e me contou"
, comemora.
Depois de pedir para sair do Vasco, onde estava como treinador-jogador, por não ter aceitado a influência do presidente Eurico Miranda nas suas decisões à frente do time, o futuro do baixinho começa a ser traçado. Por ele e pela torcida brasileira. O vice-presidente do Flamengo, Kleber Leite, pensa em aproveitar Romário não só nos gramados, mas na divulgação de projetos rubro-negros. O todo-poderoso do Vasco quer o baixinho de volta para encerrar a carreira de jogador em São Januário. E no Tupi não é diferente. Os dirigentes do time juizforano gostariam de ver o jogador de volta aos campos da cidade.
O atual treinador do time, Moacir Júnior, não esconde a vontade
de poder contar com um reforço do quilate de Romário.
"Ele é o sonho de qualquer técnico. Ninguém dispensa. Nosso time está formatado
de maneira muito humilde e a estrela do Tupi, hoje, é o conjunto de jogadores.
É claro que tem espaço para um jogador que é uma estrela"
, diz
o técnico que não estava à frente do time quando o baixinho esteve no Tupi.
Jogador dos sonhos de Moacir é, de fato, um sonho. O presidente do clube,
Áureo Furtuna, diz que as portas do galo estarão sempre abertas para o craque.
"Nenhum time rejeita um jogador como ele, mas hoje ter o Romário entre os jogadores
do Tupi é um sonho, sem chance"
, revela Áureo, deixando entender que o clube não
tem como bancar um reforço desse porte.
Para Áureo, a passagem do jogador, mesmo que rápida, trouxe benefícios para o
galo. "O time ganhou visibilidade, se tornou conhecido, mas a CBF
(Confederação Brasileira de Futebol) não autorizou a permanência dele em Juiz de Fora,
embora depois tenha permitido que o jogador voltasse para o Vasco da Gama"
,
explica o presidente do Tupi. Segundo ele, o time juizforano deve continuar como está.
E como torcedor solidário aplaude, Augusto guarda como um troféu a camisa
do dia em que o seu time do coração esteve mais perto da elite do futebol brasileiro.
"Eu nem uso essa camisa para não suar e ter que lavar. Já me ofereceram até R$
1 mil nela, mas por dinheiro nenhum eu vendo"
, diz.
Com ou sem Romário, em todo jogo do Tupi Augusto está lá: vestido com uma camisa
do time, não a que ganhou de Romário, com a faixa que é seu lema de torcida e
outra preta e branca. E um detalhe: quando pode, fica longe dos outros torcedores. Superstição?
"Eu vou lá para assistir futebol. Não é para xingar os árbitros,
os jogadores ou o treinador. Quando vai ao teatro, você também paga
ingresso e, se não gosta, fica quieto. No estádio também tem
que ser assim. Você tem o direito de não gostar do que está vendo,
mas não o de desrespeitar as pessoas. Por isso gosto de ficar mais afastado"
, explica.
* Phillipe Guedes realizou a matéria como colaboração ao participar do processo seletivo do Portal ACESSA.com