A bola é de futebol, a cesta lembra o basquete, não poder correr com a bola recorda o rugby, mas são homem e mulheres que jogam juntos e o contato físico fica proibido. Esse é o Corfebol que com suas regras faz com que o time campeão seja o de melhor conjunto. Uma modalidade onde a individualidade não ganha destaque.
De nome original Korfeball, esse esporte nasceu há 104 anos na Holanda como forma de fazer que as mulheres pudessem praticar esportes, já que nesse período apenas os homens figuravam como atletas. Por isso uma regra é essencial: não é permitido contato físico e os times são obrigatoriamente mistos.
São quatro mulheres e quatro homens para cada lado (veja vídeo). Metade deles no ataque e a outra na defesa. Durante a partida eles não podem ultrapassar a linha do meio da quadra. A contra gosto de muitos marmanjos, homem não pode marcar mulher e vice-versa. O objetivo é fazer cestas, cada uma vale um ponto e não importa de onde a bola é arremessada.
A bola com mesma medida e peso que a do futebol é usada por ser mais leve, o que favorece as mulheres. A cesta é de vime e ao contrário do basquete não há tabela como o ponto de referência para os jogadores.
Agora, se você achou que o mais alto ainda leva vantagem se enganou. Caso
o marcador esteja na frente do jogador que está com a bola, a uma distância
de um braço (juiz deve visualizar linha imaginária), o atacante não pode arremessar.
Para o representante do esporte no Brasil, Marcelo Soares
(foto abaixo),
a regra permite a inclusão de pessoas com qualquer porte físico.
"Michael Jordan e Nelson Ned jogariam de igual para igual o Corfebol"
,
brinca.
Além de não poder arremessar sob pressão, o jogador que recebe a bola não pode se movimentar. A única alternativa que ele tem é passar ou, se estiver com espaço, tentar o arremesso. Outra diferença para o basquete é que as cestas ficam dentro da quadra a seis metros da linha de fundo. O atleta pode arremessar quando estiver atrás dela. O tamanho da quadra é de 40m de cumprimento e 20m de largura.
Quando são feitos dois pontos na partida, os atletas que estão no ataque
invertem de posição com a defesa. "Se você está atrás e seu time
ataca dá tempo para descansar porque são sempre oito correndo e outros oito
esperando que a bola ultrapasse a linha do meio campo"
, explica Marcelo.
Quando alguma dessas regras é quebrada o jogador tem direito a bater um penalti, que
é como o lance-livre do basquete. Marcelo ressalta que a técnica de arremesso
também é diferente. "O jogador do Corfebol arremessa usando as duas mão da mesma
forma e fazendo movimento final com o dedo para dar efeito na bola. No basquete uma
mão arremessa e a outra apenas dá apoio para a bola"
, destaca.
Atualmente 56 países estão federados à Federação Internacional de Corfebol (IKF). O esporte já é reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e luta para ser um dos esportes de demonstração em Pequim 2008. As maiores potências mundiais são Holanda e Bélgica.
Em toda América, apenas Brasil e Estados Unidos praticam o esporte.
O continente tem uma vaga para os campeonatos mundiais da modalidade, mas
por falta de apoio a Seleção Canarinho não teve recursos para disputar
seletiva com os estadunidenses e entregou de graça sua vaga no Mundial.
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ainda não inclui o esporte como modalidade
olímpica em sua lista. "Esse é nosso próximo projeto. Nossa confederação
brasileira é reconhecida no COI, mas pelo COB ainda não. Isso é péssimo para
esporte no país, falta incentivo, mas ainda vamos popularizar o corfebol"
,
acredita.
Para Marcelo falta apoio e patrocínios. "Vou batendo de porta em porta, quero
trazer um grande evento internacional para cá, para ver se divulgamos mais a
modalidade. Hoje, tenho uns cinco, seis times no Rio de Janeiro, mas acredito
que vai haver uma expansão"
.
A modalidade foi trazida para o Brasil por um grupo de estudantes na década de
80. "Só que eles acabaram não conseguindo fazer a modalidade vingar e nem
conseguiram ser reconhecidos pela federação internacional da modalidade. Por
isso, já deixo me chamaram de Charles Muller do corfebol, o homem que
trouxa a modalidade para o Brasil"
, brinca.
Marcelo conta como se tornou representante do esporte no país. "Em 1998, eu conheci o esporte e comecei a fazer o possível para dar força à ele por aqui. Depois de muita luta, em 2003, a IKF, nos reconheceu como país praticante de corfebol e de lá para cá nossas forças são para arrumar patrocínio e apoio", conta.
Para divulgar o esporte pelo Brasil, Marcelo tem aplicado cursos sobre o esporte
para professores de educação física. Um deles aconteceu em Juiz de Fora.
"Essa é uma cidade em que pretendo difundir mais o esporte.
Já conto com o apoio dos professores Fernando Seixas e Igor Moreira. Espero
que outros também apóiem essa inciativa. Quem sabe não fazemos uma copa de
corfebol por aqui ?"
, se entusiasma.
Marcelo acredita que a cidade tem potencial para ser um dos núcleos do
corfebol. "É uma cidade movimentada por estudantes, próxima ao
Rio de Janeiro, onde hoje o corfebol é mais praticado. Tenho certeza que o
esporte vai vingar por aqui"
.
Marcelo espera que mais professores de educação física passem a aplicar
o corfebol nas escolas. "É um esporte dinâmico que ajuda na relação entre
meninos e meninas. Todos os jogadores são importantes e por isso nenhuma
criança se sente um mal jogador. O famoso fominha do futebol e basquete
não existe nessa modalidade porque sempre tem que passar a bola"
, destaca.
O jogo é disputado em dois tempos de 30 minutos e três árbitros garantem que as
regras sejam respeitas. Marcelo explica que é a estratégia que faz a diferença
no placar final. "Ganha quem se movimentar melhor. O jogador não tira
vantagem por sua altura e a dinâmica é muito rápida"
, conclui.