Harmonização do vinho com os pratos da ceia de natal Apesar de não existir uma regra, existem algumas dicas que podem facilitar a preparação deste momento tão familiar
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Laura Martins Ferreira
Novembro/2007
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Convidar os amigos para visitar nossa casa é um momento importante, de intimidade ainda maior. Recebê-los para a ceia de natal é dizer que também fazem parte da família.
Os preparativos envolvem a decoração da casa, especialmente para esta data, e especificamente a montagem do cardápio para a recepção na noite de 24 para 25 de dezembro, que vão da entrada à sobremesa, passando pelas bebidas que serão servidas.
E entre as bebidas, uma delas tem se sobressaído cada vez mais no Brasil: o vinho fino.
Ainda mais com as vinícolas nacionais se destacando no mercado. "O brasileiro vem aprimorando
a tecnologia, começou a investir, trabalhou o solo, as uvas, o enólogo, entre
vários outros aspectos. Por isso, há muita vinícola européia que nos respeita"
,
diz o representante de uma vinícola nacional, Euler Santiago (foto abaixo).
Para Euler, não existe uma regra rígida para harmonização, principalmente para
pratos de Natal e Ano Novo. "O básico é comer e beber o que se gosta.
Quando você come e bebe o que você gosta, dificilmente, não há harmonização.
Mas, claro, que existem conceitos"
, diz. E com algumas dicas de Santiago, entenda
um pouco sobre os vinhos e coloque em prática na ceia de natal.
Para associar um vinho com um prato, procure harmonizar os iguais, ou seja, se for
uma sobremesa, prefira vinhos doces; se for um prato que leva molho mais ácido,
como o de tomate, prefira um vinho feito com uma uva mais ácida, como
o cabernet sauvîgnon, que é tinto. Isto serve também para carnes mais fortes, como
pernil de porco e lombo. "Como o brasileiro gosta de carnes mais pesadas, este
tipo de vinho é aconselhável por ajudar na digestão. É uma uva mais adstringente"
,
explica.
Se for servir bacalhau, por exemplo, acompanhe com um vinho branco
mais encorpado, como os feitos com a uva chardonnay ou tinto merlot.
"Lembrando sempre que esta harmonização é individual"
, ressalta Santiago.
Os vinhos brancos são vinhos mais jovens, que "pedem" para serem consumidos antes
que os vinhos tintos. "Estamos falando de vinhos finos. Os de mesa não
seguem as regras que estamos falando, seja tinto, seco ou espumante"
, diz Santiago.
A média para se ter um vinho branco guardado é de quatro anos.
Já os tintos seguem a tendência contrária. Quanto mais velho melhor, desde que seja a característica dele. A média de tempo que pode ser guardado é de cinco a sete anos, podendo em alguns casos, chegar a 15 anos, por exemplo. Tudo depende da safra.
Ao guardar o vinho, deixe deitado para que o vinho fique em contato com a rolha, para que esta não resseque. Ao apertar a rolha e sentir um cheiro de uva ou se a rolha estiver úmida, é sinal de que já está quase passando da hora de consumir a bebida.
Vinho suave é aquele que possui, além da frutose (açúcar natural da uva), a sacarose, que é um açúcar injetado. Por isso o sabor é adocicado. Já o vinho seco possui somente a frutose.
Temperatura
A temperatura é outro ponto importante. A regra para tomar o vinho em temperatura
ambiente vale para alguns países. "Na França, por exemplo, quando é inverno
é inverno no país inteiro. No Brasil, o inverno do sul não é o mesmo do nordeste"
,
comenta Santiago.
Quando a temperatura ambiente estiver entre 13º C e 15º C, pode-se tomar o vinho tinto sem necessidade de gelar. Caso contrário, a dica é colocar um 1/4 de gelo em um balde específico para bebidas, um pouco de água gelada e deixar a garrafa por 10 a 15 minutos. Se estiver muito gelado, altera-se o paladar.
O vinho branco pode ser mais gelado. Os mais jovens, podem ficar a 8º C, enquanto
os mais velhos e encorpados, podem ficar na temperatura próxima a 10º C. Um conselho
é colocar meio balde de gelo por um pouco mais de tempo que o tinto. "Vai do tato,
é muito particular o tempo"
, reforça Santiago.
Já os espumantes, que são um tipo de vinho, que passam por uma segunda fermentação, devem ser servidos sempre gelados. Quanto mais seco, mais gelado. Se for servi-lo à noite, coloque-o na porta da geladeira pela manhã. No fim do dia, retire e deixe-o em um balde com bastante gelo.
Quantas garrafas
Há um tempo atrás, no Brasil, a ordem de pedidos de bebidas para festas, inclusive as de fim de ano, era cerveja, uísque, espumante e vinho. Com o crescimento da qualidade do vinho fino no Brasil, o consumo aumentou e a ordem de pedidos inverteu-se.
Se antes era uma garrafa de espumante para seis pessoas, hoje, compra-se uma garrafa para três pessoas. No caso dos vinhos, a proporção é de uma garrafa para três a quatro pessoas.
As taças
Para apreciar o vinho é importante que se tenham taças adequadas. A transparência, uma base para segurar e, dessa forma, não esquentar-se a bebida com o calor da mão, são fatores importantes a serem observados.
Para o vinho tinto, o ideal é ter uma taça com diâmetro maior para que o álcool possa expandir e fique somente a característica da uva. Já o branco, o diâmetro pode ser menor. Sirva, no máximo, 3/4 da taça, para que se possa fazer o exame olfativo e até o tátil.
Hidratação
Beber taças de água durante os momentos que está se apreciando o vinho é totalmente adequado. E isso vale para qualquer bebida alcoólica. Quem não hidrata o organismo, pode acordar indisposto no dia seguinte, com dor de cabeça, mesmo tendo ingerido uma bebida de boa qualidade. Ah! E beba com moderação - e estamos falando as bebidas alcoólicas e não dá água, ok?