Educação

Professor de Educação Física

Repórter Ana Maria Reis
26/01/2001

Quando a coca-cola levou toda uma geração a adquirir quilos de celulite e poucas soluções para o seu tempo, o Brasil abraçou a geração saúde, que passou os anos 90 malhando. Fora a obsessão pelo corpo ideal, a preocupação com a qualidade de vida também invadiu os noticiários. Nesta onda, a Educação Física alargou seu campo no mercado e ganhou prestígio entre os profissionais da saúde.

Um ganho com a mídia
"A massificação do corpo pela mídia e a valorização da saúde e aumento da qualidade de vida trouxe para nós vários ganhos", ressalta a professora de Educação Física, Adriana Leite de Sousa Ladeira. De acordo com Adriana, que é chefe do Departamento de Ginástica e Arte Corporal da Faculdade de Educação Física e Desporto (FAEFID) da UFJF, nas escolas, agora, existe mais respeito à prática de atividades físicas enquanto disciplina curricular, além da crescente valorização do profissional dentro da área médica, através de tratamentos interdisciplinares em que o condicionamento físico faz-se de extrema importância.

No ano passado, foi criado o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), na corrida pela legalização da profissão. "Com a posterior criação dos conselhos regionais, será mais fácil fiscalizar os profissionais que estão no mercado e garantir o direito de todos", comenta Adriana Ladeira.


Mercado local
O piso salarial do professor de Educação Física fica entre R$8 e R$12 a hora/aula, sendo este valor superado em algumas academias de ginática. Só em Juiz de Fora, ao ano, formam-se 80 professores. Mesmo assim, o mercado anda absorvendo bem este pessoal. De acordo com a professora da FAEFID da UFJF, Adriana Ladeira, um levantamento não científico da faculdade observou que 80% dos formandos estão enpregados na rede de ensino e o restante, atua em academias ou são preparadores desportivos.

No setor de prestação de serviços, o personal trainer é uma das parcelas do mercado fitness que só tende a crescer. "De encontro às aulas sem individualidade das academias, o trabalho do personal trainer está sendo muito procurado devido à valorização geral da saúde", analisa Adriana Ladeira.

Na FAEFID
A Universidade Federal de Juiz de Fora conta com o curso de Licenciatura Plena em Educação Física. O curso tem duração de quatro anos ou oito períodos e é ministrado em horário diurno. Para ingressar no curso, a universidade dispõe 80 vagas, divididas em 2 semestres. No vestibular 2001 da UFJF, números da relação candidato/vaga mostraram que a procura pelo curso de Educação Física (12,43) foi superior à de cursos tradicionalmente concorridos como Odontologia (12,24), Comunicação Social diurno (8,42) e Direito diurno (8,18)

Nos dois últimos períodos da faculdade, o graduando cumpre créditos eletivos de aperfeiçoamento em uma área, como musculação, ginática artística, natação, voley, handebol, futebol entre outras. Além das disciplinas eletivas, que não são oferecidas regularmente, para se formar, o aluno terá que cumprir 90 horas mínimas de estágio.

Outras informações na secretaria da FAEFID/UFJF (Campus Universitário) ou pelo número (32) 3229-3284.

Pós-graduação
A FAEFID também oferece especialização em Treinamento Desportivo (um curso voltado ao preparo de atletas, aulas em academias de ginástica e atuação como personal trainer) e em Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino da Educação Física Escolar.

A palavra de quem está no mercado
Embora a Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Federal de Juiz de Fora tenha como objetivo formar o professor, isto é, aquele que vai lidar com a pedagogia da coisa, o mercado deste profissional é motivado pelas inúmeras academias de ginástica da cidade. O JFService conversou com 3 profissionais: uma estudante que dá aula em academias desde o 2º período da faculdade, um professor de natação e musculação e um empresário:

A estudante

Juliana Mayrink, 26, é estudante do 6º período de Educação Física, mas é prefessora em academias desde o primeiro ano de faculdade. Já que entrou cedo no mercado, ela garante que, para manter-se nele, o estudante terá que correr por fora, literalmente. Para dar suas aulas de step e local, Juliana freqüentemente faz cursos, se atualiza e fica de olho no que acontece no mercado nacional.
"Em Juiz de Fora, dificilmente ficamos sem emprego. No entanto, montar uma academia pequena não vale a pena e nem sempre há capital para um investimento que trará, a médio prazo, lucro e satisfação profissional", comenta.

O professor

Flávio Garcia de Oliveira, 29, tem 10 anos de "beira de piscina". Além de professor de natação em uma academia ele orienta o pessoal que faz musculação em outra. "Nesta área é possível ganhar bem, desde que se trabalhe bastante", comenta Flávio, que começa a dar aula às 8h e termina às 21h15min. Um tanto estressante, caso fosse uma "profissão burocrática" - "não é como ficar horas em um banco", explica: "- O clima é muto legal, quem se matricula em academia quer cuidar do corpo, relaxar e conversar."

Para os que pensam em fazer vestibular para Educação Física, o professor Flávio Garcia é um ótimo incentivador. "É o curso mais legal... nele, existe muito calor humano." Mas o professor reconhece que escolheu a profissão de maneira errada. "Quando alguém pensa em fazer Educação Física é porque sempre se dedicou ou tem habilidade na prática do esporte. Na faculdade, percebemos que é preciso mais; é preciso gostar de estar do outro lado - o do preparador físico", explica Flávio que, pelo tempo corrido, o profissional desta área acaba não tendo tempo para cuidar do próprio corpo e saúde.

O empresário

Marcelo Brigatto, 34, é um empresário do ramo fitness. Mas suas malhas de ginástica não cederam espaço ao terno e gravata. Com 11 anos de mercado e, desde 1994 a frente de uma das maiores academias da cidade, Marcelo não abre mão de dar aulas de abdominais, body pump e spinning (foto ao lado), além das convenções nacionais e internacionais onde é chamado a participar com suas "criações": aero-Cowboy e step-Cowboy.

Estas invencionices não são caprichos anti-monotonia de uma academia. Para manter-se em evidência no mercado, é necessário estar em contato com as novidades e criar outras. "Não apenas atualizar as atividades, maquinários, parte organizacional etc, mas também criar métodos, estratégias, visando não só a concorrência, mas também a motivação dos alunos, tornando-os fiéis à academia", ensina.

Enquanto empreendedor, Brigatto considera a concorrência do mercado local pouco elaborada. "Existem academias que competem pelo preço e não pela qualidade. A maioria dos que procuram academias de ginástica, ainda não sabe distinguir muito bem o trivial do excelente e nem mesmo valorizar isso, principalmente no sentido custo/benefício", argumenta.

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