Infantil
A depressão entre animais é um mito
Fique tranqüilo. Os animais ficam tristes, sim. Mas veterinários garantem
que são alterações comportamentais, mas não é depressão
*Colaboração
05/06/2008
Em arquivo:
Sabe quando o seu cãozinho fica meio triste, sem ânimo para brincar e correr? As pessoas normalmente dizem que ele está com depressão, mas isso não é verdade. A veterinária Kátia Mafra (foto abaixo) explica que não existe depressão entre os animaizinhos.
"É muito difícil dizer que existe depressão em animais. É verdade que eles sofrem
algumas alterações comportamentais, mas não é exatamente depressão"
. Segundo
Kátia, os distúrbios do animais estão mais ligado à ansiedade, o que acontece é
que as pessoas associam a tristeza dos bichinhos à depressão, o que não é correto.
"Ao contrário do que se pensa, os animais têm sentimento e alterações na rotina,
perda do companheiro ou de alguém da casa pode provocar alterações. Cada animal
reage a isso de uma maneira: uns ficam elétricos, outros tristes, outros ainda
lambem a pata até provocar ferida. Depende muito do animal"
, explica.
O veterinário Edney Reis alerta ainda para o fato de que muitas
doenças se confundem com os sintomas atribuídos à depressão e isso pode ser perigoso.
"O cachorro pode estar isolado por estar sentindo dor, com febre e o dono nem
desconfia"
.
Ele relembra do caso de uma cadelinha que se mostrava apática e os donos achavam
que a tristeza se devia ao fato de que estavam de mudança. "Na verdade, ela
estava com piometra, uma doença gravíssima, em estado avançado. Chegou à clínica
e teve que ser operada às pressas. No fim deu tudo certo, mas é um risco"
.
Antes de criar motivos para a tristeza de seu cãozinho, os veterinários orientam que é preciso descartar todas as doenças sistêmicas para depois tratar a ansiedade. Edney ensina que é preciso ter olho clínico para detectar os primeiros sintomas da ansiedade.
"No início, normalmente os sintomas passam batido, a pessoa só
percebe quando as alterações estão muito avançadas. O risco disso é não conseguir
controlar o animal e, se ele tiver tendência a epilepsia, pode desenvolver crises
convulsivas"
. Fora isso, Kátia ressalta que "qualquer nível de estresse abaixa
a imunidade do cachorro, deixando-o mais vulneráveis a outras doenças"
.
Sintomas e tratamento
Os principais sintomas dos distúrbios de ansiedade são alterações na rotina e no comportamento do animal. Por exemplo, se ele tem o hábito de fazer festa com as pessoas da casa e de repente não faz mais, se lambe a pata com muita intensidade, se está sempre desenvolvendo doenças de pele, se passou a roer móveis e roupas, fazer xixi fora do lugar em que está acostumado há grande probabilidade de estar com ansiedade.
Mas os veterinários comentam que, se as alterações não estiverem causando danos
nem ao animal nem aos donos, não há problema."Muitos animais desenvolvem a
ansiedade em um nível pequeno e tanto animal quanto o dono convivem bem com isso.
Não é porque um animal está lambendo a pata que está ansioso"
, explica Kátia.
Edney avalia que algumas situações provocam alterações no comportamento do animal e é uma coisa
transitória. "É aquela tristeza que dá no cachorro quando o dono viaja, por exemplo,
ou quando ele fica sozinho por muito tempo. Isso é normal"
. Eles ensinam que
o cão é um animal de grupo e quando fica isolado tende a ter uma redução na atividade,
baixa motivação, aparentando apatia.
Normalmente, o que um cãozinho estressado precisa é de mais atividade física. Medicamentos são utilizados durante um tempo pré-estabelecido e apenas para ajudar no tratamento. O principal, garantem, é ver o que se pode mudar na rotina do animal. Um dos grandes motivos da ansiedade animal é o cuidado excessivo que nos habituamos a dar aos bichinhos.
Edney comenta que os cães foram domesticados porque aceitaram a liderança, mas
hoje nós invertemos isso. "A partir do momento que tratamos nossos cães como
se fossem gente, eles se sentem os líderes da casa. Nessa posição, eles têm que
estar atentos a tudo o que acontece, isso gera uma ansiedade muito grande"
.
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