Renata Silva
Colaboração
07/07/2006
Se por acaso você estiver andando pelas ruas de Juiz de Fora e ver uns
meninos que são a cara de desenhos animados, não se desespere! Eles não
saíram da televisão ou dos games! Os cosplayers já estão reunidos há
alguns anos na cidade e fazem sucesso entre os jovens.
A onda é eleger um dos personagens dos games ou desenhos japoneses, como os mangás, animês, tokusatsu, e vestir-se como eles. O termo foi abreviado em inglês, que originalmente seria costume play e traduzido para o português significaria roupa de brincar.
É assim que se comportam os amigos Kuro, Vamp e Lívia (foto acima). Cada um tem o seu personagem preferido e com eles a brincadeira é coisa séria. Eles não poupam energias para montar um visual pra lá de ousado. Para isso, precisam de horas e horas em frente ao espelho, compondo looks, maquiagens e cabelos. Além disso, eles conhecem bem a personalidade dos seus ídolos.
Vamp (fotos acima) inspira-se no desenho Vampire Hunter e adotou o protagonista da história como o seu mentor. "Ele é metade vampiro e metade humano. Tem um gênio forte, é frio, de poucas palavras e bem direto", define. E para ficar parecido com o ídolo, ele teve que deixar o cabelo e as unhas crescerem e aprendeu a passar maquiagem nos olhos. "Me identifico com ele. Acho que as pessoas, hoje, falam coisas desnecessárias. Prefiro ser mais objetivo", confessa.
Ao contrário do amigo Vamp, Kuro (foto ao lado, à direita) não se baseia apenas em um desenho.
Ele busca alguns conceitos da música oriental, passando pelo rock e a
música clássica. Seus ídolos? J-Rock, Malice Mizer, Love Hina, Karekano,
Naruto e Full Metal Alchimist. Você nunca ouviu falar nesses nomes? Pois
eles são a sensação do cenário alternativo lá do outro lado do mundo.
Segundo Kuro, muitos jovens japoneses querem quebrar o conceito formal de
sua cultura e, por esse motivo, estão envolvidos nesses movimentos. Para
conseguir as séries desses desenhos, os meninos recorrem a internet.
A estreiante no mundo dos cosplayers, Lívia de Souza (foto ao
lado com Vamp) ainda
não escolheu um desenho preferido, mas está estudando sobre o assunto.
"Sempre gostei muito de roupas rasgadas e do visual gótico. Há quatro meses,
resolvi mudar radicalmente e entrar para o grupo", conta.
Lívia conta que sempre viveu no mundo das "patricinhas" e está causando polêmica em sua família. "Tinha um cabelão e cortei bem curtinho, pintei de vermelho e passei a usar maquiagem preta. Meus pais não estão gostando nada disso. Resolvi ser mais eu! Pareceia que algo estava adormecido no meu interior", diz.
E não é que na hora da nossa entrevista o grupo ganhou mais um adepto? Uma
estudante espanhola de Medicina foi identificada pelo visual cosplay e fez
amizade com os brasilenõs.
Ela não quis dar entrevista, mas fez questão de deixar a sua participação com a foto de sua bolsa (foto ao lado).
Apesar da composição divertida dos personagens, os amigos garantem que ser
cosplay não é apenas vestir a fantasia. "Temos uma ideologia. Queremos
quebrar tabus, fazer diferente e encontrar espaço na sociedade", defende
Kuro. Com este objetivo, eles se reúnem para criar letras de músicas,
poesias e textos de reflexão social e política. A maioria deste material é
divulgada na web, em fotologs e sites da categoria.Os cosplayers de todo o Brasil possuem um encontro anual, o Anime, que em geral é realizado em São Paulo. O evento é voltado para a diversão e um concurso elege a melhor caracterização de fantasia e personagem. Segundo Vamp, Juiz de Fora está se preparando para receber o seu primeiro encontro de cospalyers no ano que vem. "Estamos organizando tudo para que os grupos venham para cá", comemora.