
Fernanda Monteiro
12/02/2004
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Realizar um sonho por alguns minutos, ser livre atrás das máscaras, criar,
fantasiar...
Como o professor e diretor de teatro, José Luiz Ribeiro, diz "dentro da
teoria da festa, carnaval é o elemento do contrário, do que não é do
cotidiano. A fantasia é a possibilidade que a festa te dá de ser o que você
não é por alguns momentos".
A fantasia surge nos bailes dos nobres venezianos na época do Resnascimento. Eles utilizavam os trajes para resgatar figuras mitológicas. No Brasil, os italianos do início do século XX, relembram figuras do teatro em seus bailes. Daí vêm o arlequim, a colombina e o pierrô.
Mais tarde, a fantasia ganha as
ruas nas versões para grupos. A baiana e os passistas malandros
caracterizam os blocos e as primeiras escolas de samba. "Com o triunfo do
carnaval-espetáculo das escolas cariocas, os desfiles agregam elementos das
artes plásticas e do teatro", completa Ribeiro.
Os famosos concursos de fantasias vão migrando para bailes gays. "Com as Drags Queens, a fantasia da festa passa para o cotidiano". Os bailes de carnaval em Juiz de Fora vão sumindo (Leia a matéria!). O calor faz o comprimento das vestimentas diminuir. "A contemporaneidade tornou a fantasia burocrática. Tem que ter ornamento na cabeça, roupas sensuais como a de banho, o esplendor, enfeite nos pés...", avalia o professor.
É justamente para tentar fugir desta padronização que os estilistas Anderson
José Luiz e Fernando Matias procuram puxar do cliente algum detalhe pessoal
para trabalhar em cima.
"Primeiro a gente procura saber qual a finalidade da fantasia. O tipo de evento, o público que vai estar lá. Depois, procuramos ver as preferências da pessoa. A gente procura puxar aquele desejo que está escondido, que a pessoa tem vergonha de assumir, às vezes. Daí a pessoa se solta e acaba criando a fantasia junto com a gente", explica Matias.
E Anderson José Luiz completa: "A gente tem que fazer a coisa de coração, tem que gostar do que está fazendo".
Há cinco anos, Anderson José Luiz trabalha com destaques e fantasias de
luxo. O estilista conta que as cores de 2004 são o amarelo, o vermelho,
o verde e os clássicos prata e ouro. E se você é daqueles que estão de mal
com a balança, ele manda um recado: o peso da pessoa não interfere na beleza
da fantasia.
Tudo é permitido para homens, mulheres e crianças. O preço das fantasias completas variam entre R$ 50 a R$ 3.500 e podem pesar até 20 quilos. Quanto ao modelo, é José Luiz Ribeiro quem dá a dica: "pense na sua fantasia, no seu sonho. E procure usar algo que aguente chegar ao final da festa sem despencar".
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Agradecimentos: Natassha Daccache, Josiane Xavier e Larissa Cordeiro Vaz de
Magalhães
(modelos da nossa galeria de fotos)