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Artigo
A campanha eleitoral e o marketing
::: 28/08/2002

Embora não seja a preocupação da maioria das pessoas, nota-se que o marketing político/eleitoral é, muitas vezes, um assunto mal compreendido, pouco explicado e sujeito à rejeição. O marketing, como é entendido pela grande maioria, é utilizado há muitos anos no Brasil como forma de promover e vender produtos e serviços. O marketing político/eleitoral desperta a curiosidade e a discussão do conteúdo ético da atividade levanta uma questão: é possível ao mesmo tempo ser ético e trabalhar no marketing de um candidato ou de um partido?

É preciso entender que o mundo mudou e estas mudanças acontecem de forma repentina, pegando muitas vezes as empresas, consumidores, partidos e candidatos desprevenidos. O Brasil mudou e esta mudança é a principal característica da história atual nas suas dimensões de rapidez, generalização e de forma irreversível.

Muitos fatos novos como a globalização, a facilidade na comunicação, o novo papel da mulher na sociedade, o envelhecimento da população deram origem a um novo consumidor, um novo cidadão, um novo eleitor, um novo homem. Devemos distinguir, a título de informação, que marketing político são as ações de um governo já instituído e o atendimento dos anseios e das necessidades do mercado (formado pelos eleitores). O marketing eleitoral é o esforço voltado para a movimentação da máquina partidária e do candidato para a sua eleição.

Podemos resumir dizendo que: o marketing eleitoral é um serviço de “venda” e o marketing político é uma atividade de “pós venda”, podendo ser ampliado também para “pré-venda”. Ética – de acordo com o filósofo espanhol Fernando Savater – não é imitação de condutas nem pode ser confundida com moral. Moral é um conjunto de comportamentos e normas que todos nós costumamos aceitar como válidos. Ética é a reflexão porque consideramos válidos alguns comportamentos e outros não, é a comparação com outras morais de outras pessoas e culturas.

Nos últimos anos o Brasil atravessou um período de aprendizagem democrática, conhecendo a política e os seus instrumentos. Observou-se que o brasileiro cada vez mais toma decisões baseado na informação e que a política eleitoral do grande espetáculo esgotou a sua capacidade de produzir resultados. Alguns pontos devem ser levados em conta ao se preparar uma campanha:

  • O candidato deve apresentar atributos positivos para o seu eleitorado.
  • Seus programas e projetos devem agregar valor para o eleitorado.
  • O grupo político deve montar uma estrutura de informações capaz de fornecer um processo positivo para a opinião pública.
  • Manter uma estrutura de comunicação capaz de construir uma imagem positiva.
  • Ser verdadeiro, ético e comprometido.
O candidato quer e precisa se comunicar com o seu eleitor e para isso apresenta seus programas, idéias, conteúdos e seus compromissos. Cabe então ao eleitor analisar, assimilar, interpretar e colocar na sua mente a comunicação do candidato, para no dia da eleição responder a este apelo, realimentando o candidato com o seu voto. A grande finalidade do trabalho do candidato é receber o voto do eleitor. Caso o eleitor não "compre" a idéia vendida pelo candidato, com toda certeza vai exigir mais informações para poder tomar a decisão de voto.

Para expressar suas idéias, o candidato utiliza a mídia – jornal, revista, rádio, televisão, cartazes, outdoor, folhetos etc – e o eleitor recebendo todo este material e vendo o candidato exposto inicia-se um processo de empatia que se cristaliza pela forma de se apresentar, da postura e de seu comportamento junto ao grande público.

Diferença entre o marketing eleitoral e o de produtos
O marketing eleitoral tem propriedades típicas que o diferenciam do marketing de produtos. O candidato, ao contrário de um produto, tem pensamento próprio, uma história e deve seguir uma ideologia específica. Isto significa que nunca chegaremos a um político sonhado por todos os “consumidores”, ou seja, eleitores. O que o marketing eleitoral permite é que as qualidadesde um certo candidato, que satisfaçam um certo grupo de eleitores, sejam evidenciadas e destacadas por meio de uma linguagem adequada. O marketing eleitoral não pode ser entendido como uma poção mágica que do nada faz surgir um candidato que apresente propostas que satisfaçam a todos os eleitores e resolvam todos os problemas da cidade ou da nação.

Aproveite a ocasião e analise as propostas de seu candidato e decida pelo melhor “produto-candidato” para suas necessidades e expectativas.

Que a sua escolha traga sucesso e bem-estar para você!
Sucesso em seu negócio!


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aos assuntos de marketing com
o consultor Roberto Monti.

Roberto Monti é consultor de Marketing.
Co-autor do livro (IN)Fidelidade , Uma Questão de Qualidade
Clientes Sonham, Empresas Concretizam.
Editora Virgo - São Paulo, 09/2000


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