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Artigo A campanha eleitoral e o marketing |
Embora não seja a preocupação da maioria das pessoas, nota-se que o
marketing político/eleitoral é, muitas vezes, um assunto mal compreendido,
pouco explicado e sujeito à rejeição. O marketing, como é entendido pela
grande maioria, é utilizado há muitos anos no Brasil como forma de promover
e vender produtos e serviços. O marketing político/eleitoral desperta a
curiosidade e a discussão do conteúdo ético da atividade levanta uma
questão: é possível ao mesmo tempo ser ético e trabalhar no marketing de um
candidato ou de um partido? É preciso entender que o mundo mudou e estas mudanças acontecem de forma repentina, pegando muitas vezes as empresas, consumidores, partidos e candidatos desprevenidos. O Brasil mudou e esta mudança é a principal característica da história atual nas suas dimensões de rapidez, generalização e de forma irreversível.
Muitos fatos novos como a globalização, a facilidade na comunicação, o novo papel da mulher na sociedade, o envelhecimento da população deram origem a um novo consumidor, um novo cidadão, um novo eleitor, um novo homem. Devemos distinguir, a título de informação, que marketing político são as ações de um governo já instituído e o atendimento dos anseios e das necessidades do mercado (formado pelos eleitores). O marketing eleitoral é o esforço voltado para a movimentação da máquina partidária e do candidato para a sua eleição.
Podemos resumir dizendo que: o marketing eleitoral é um serviço de “venda” e
o marketing político é uma atividade de “pós venda”, podendo ser ampliado
também para “pré-venda”.
Ética – de acordo com o filósofo espanhol Fernando Savater – não é imitação
de condutas nem pode ser confundida com moral. Moral é um conjunto de
comportamentos e normas que todos nós costumamos aceitar como válidos. Ética
é a reflexão porque consideramos válidos alguns comportamentos e outros não,
é a comparação com outras morais de outras pessoas e culturas.
Nos últimos anos o Brasil atravessou um período de aprendizagem democrática,
conhecendo a política e os seus instrumentos. Observou-se que o brasileiro
cada vez mais toma decisões baseado na informação e que a política eleitoral
do grande espetáculo esgotou a sua capacidade de produzir resultados.
Alguns pontos devem ser levados em conta ao se preparar uma campanha:
- O candidato deve apresentar atributos positivos para o seu eleitorado.
- Seus programas e projetos devem agregar valor para o eleitorado.
- O grupo político deve montar uma estrutura de informações capaz de fornecer um processo positivo para a opinião pública.
- Manter uma estrutura de comunicação capaz de construir uma imagem positiva.
- Ser verdadeiro, ético e comprometido.
Para expressar suas idéias, o candidato utiliza a mídia – jornal, revista, rádio, televisão, cartazes, outdoor, folhetos etc – e o eleitor recebendo todo este material e vendo o candidato exposto inicia-se um processo de empatia que se cristaliza pela forma de se apresentar, da postura e de seu comportamento junto ao grande público.
Diferença entre o marketing eleitoral e o de produtos
O marketing eleitoral tem propriedades típicas que o diferenciam do
marketing de produtos. O candidato, ao contrário de um produto, tem
pensamento próprio, uma história e deve seguir uma ideologia específica.
Isto significa que nunca chegaremos a um político sonhado por todos os
“consumidores”, ou seja, eleitores. O que o marketing eleitoral permite é
que as qualidadesde um certo candidato, que satisfaçam um certo grupo
de eleitores, sejam evidenciadas e destacadas por meio de uma linguagem
adequada. O marketing eleitoral não pode ser entendido como uma poção
mágica que do nada faz surgir um candidato que apresente propostas que
satisfaçam a todos os eleitores e resolvam todos os problemas da cidade ou
da nação.
Aproveite a ocasião e analise as propostas de seu candidato e decida pelo melhor “produto-candidato” para suas necessidades e expectativas.
Que a sua escolha traga sucesso e bem-estar para você!
Sucesso em seu negócio!
Mande sua pergunta,
esclareça sua dúvida com relação
aos assuntos de marketing com
o consultor Roberto Monti.
Roberto Monti é consultor de Marketing.
Co-autor do livro (IN)Fidelidade , Uma Questão de Qualidade
Clientes Sonham, Empresas Concretizam.
Editora Virgo - São Paulo, 09/2000

