Quando o vendedor faz essa pergunta, você deve saber a melhor resposta para o seu bolso. Veja as dicas e aprenda
Sílvia Zoche
Repórter
24/05/05
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O dia do pagamento parece longe e você viu um produto com um preço
"camarada" que, dividido no cheque ou no cartão, fica perfeito.
Mas, antes de qualquer atitude
precipitada, preste atenção no que de fato vai ser melhor para o seu bolso!
A economista, Márcia Medeiros, orienta com
algumas dicas importantes.
O primeiro alerta é para que o consumidor seja racional. Mesmo diante de uma promoção, verifique se aquele item é de primeira necessidade. Veja se o orçamento mensal comporta esta compra e resista se sua resposta for "não".
Abaixo, Márcia responde às suas dúvidas mais comuns e esclarece quais são as vantagens e desvantagens de parcelar no cartão ou no cheque, caso seja necessário, já que o ideal mesmo é quitar a dívida à vista, mas nem sempre há reservas pra isso...
ACESSA.com - Quais são suas recomendações para o consumidor que
costuma agir por impulso?
Márcia Medeiros - O ideal é que cada um tenha um controle financeiro familiar. É se perguntar: "quanto eu gasto por mês?", "quanto eu tenho para poder gastar após os meus custos fixos?". Normalmente, o consumidor usa seu cartão de crédito ou cheque para os chamados custos variáveis. São compras que ele poderia cortar do seu orçamento, dos seus gastos. Ele compra compulsivamente devido a facilidade de crédito. Vê uma promoção e compra. Então, a primeira coisa é perguntar para si mesmo: "Eu preciso? Está me fazendo falta? Está faltando na minha casa? É um bem de primeira necessidade? Tenho sobra no orçamento?". Se não é um bem de necessidade, não está me fazendo falta, deixe para comprar num momento em que não vai se endividar e entrar no cheque especial. O consumidor precisa conhecer os custos do seu lar. ACESSA.com - Qual a função do cheque, do cartão de crédito e do carnê de prestações? Márcia Medeiros - Primeiro vamos falar sobre o cheque. O cheque surgiu de uma necessidade de consumidores que não podiam dar entrada no pagamento de uma determinada compra, no ato. Então, dava-se trinta dias para o primeiro pagamento e, até hoje, é utilizado, é o chamado cheque pré-datado, mas que, na verdade, não existe. O que se diz é que a entrada da compra será em determinado dia, porque ele não tem valor legal nenhum. A partir de então, o uso é uma constante e isso é bem do brasileiro. O cheque é a prorrogação de um pagamento a ser efetuado. Já o cartão de crédito surgiu para atender as diferenças regionais e nacionais. Surgiu como instrumento de crédito de compras em outros países para depois ser utilizado dentro do país. Ele é usado em cidades onde o cheque não é aceito. O lojista só aceita se o cheque for da mesma cidade. Então, o cartão de crédito facilita as compras e é uma garantia do pagamento para o lojsta. Foi aí que houve a redução do uso de carnês. Os carnês geraram e geram um nível de inadimplência muito elevado. Ao contrário da utilização do cartão de crédito. O primeiro em inadimplência são os carnês, o segundo, os cheques e, em terceiro, os cartões de crédito. ACESSA.com - Como funciona o cartão de débito? Márcia Medeiros - Neste tipo de pagamento é feito o pagamento imediato da conta corrente do comprador. A grande preocupação é se ele não está utilizando o limite de crédito. Ele compra e é descontado na mesma hora, mas o comprador tem que saber se ele possui dinheiro disponível ou se está caindo no limite da conta corrente? Normalmente, os correntistas não levam em consideração que pagam CPMF, que pagam uma taxa de permanência da conta corrente, que pagam um extrato que tiram a mais na semana... O banco vai debitando esses custos e a pessoa não anota em seu orçamento. Ela pensa que tem, por exemplo, R$ 1 mil, mas não lembra que foi descontado CPMF. Isso pode acarretar a volta de um cheque. ACESSA.com - Quais as vantagens e desvantagens de cada forma de pagamento? Márcia Medeiros - Com o cheque é possível prorrogar, dentro de um planejamento financeiro correto, a data do pagamento da sua compra. Você tem que pagar o valor total do cheque de uma vez. O cartão de crédito oferece a mesma vantagem de poder prorrogar, mas pode escolher se vai pagar o valor total ou os valores divididos, ou seja, uma facilidade de crédito para o consumidor numa hora de "aperto". É bom enfatizar que o cheque ou o cartão devem ser usados de uma forma racional, controlada. O consumidor deve saber as taxas de juros embutidas. Muitas vezes, ele não tem o valor na conta e vai utilizar o cheque especial. E cheque especial é juro a cada mês e juros sobre juros. O cartão de crédito tem taxa de juros maior que o cheque especial, e também é dividido aquele valor mês a mês, juros sobre juros. A famosa "bola de neve" é uma constante nas contas do brasileiro.
ACESSA.com - Existem lojas que oferecem produtos com o preço a prazo igual ao preço à vista. Isso é possível? Márcia Medeiros - Não. Se você conseguir acumular, fazer uma reserva para poder comprar à vista, você chega na loja e tem um poder de barganha muito grande. E aí consegue um desconto de 10%, 20%, que seria o real valor dele à vista. O ideal seria que todos comprassem à vista. ACESSA.com - Que risco o consumidor pode sofrer ao fazer compras através de consórcio? Márcia Medeiros - O risco é do consumidor não fazer um controle financeiro adequado e não ter o dinheiro para poder pagar um determinado mês, ou seja, falhar algumas prestações. A conseqüência é que ele perde grande parte do que ele pagou, dada as restrições no contrato de consórcio. Se ele não tiver o dinheiro para pagar todo mês, ele não vai receber o produto. Além de não receber o produto no final, ele ainda vai perder o que ele pagou. ACESSA.com - Se ele atrasar uma parcela, por exemplo, mas no mês seguinte tiver condições de pagar a prestação atrasada junto com a do mês correspondente, o consumidor consegue colocar o consórcio em dia, facilmente? Márcia Medeiros - O que acontece é que ele vai pagar uma taxa muito elevada sobre o valor que ele deixou de pagar. É uma penalidade devido ao atraso, mas isso depende de contrato para contrato, em que o número de dias de inadimplência estaria especificado no contrato. ACESSA.com - Existe alguma estatística para saber se as pessoas usam mais cheque, cartão... Márcia Medeiros - O que eu tenho observado é que a utilização de cheques e cartão de crédito, nos últimos dez anos, aumentou mais de 100%. Tamanha facilidade de crédito, a estabilidade da economia, o controle da inflação foi um avanço positivo em termos de crédito ao consumidor. Maior a oferta, maior a utilização. Já a tendência do carnê é não existir. ACESSA.com - Quando a taxa de juros no mercado, a inflação sobem, como isso interfere na compra de quem usa cheque e cartão? Márcia Medeiros - Se o governo tende aumentar a taxa de juros, ele quer dizer ao consumidor para comprar menos, porque uma inflação pode vir, porque está havendo muito consumo. É um mecanismo de controle inflacionário do governo.
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ACESSA.com - Quais são suas recomendações para o consumidor que
costuma agir por impulso?
Já o carnê, assim como o cheque, você programa o pagamento. Se atrasar, você
vai negociar diretamente com a loja a taxa de juros que vai pagar e, muitas
vezes, bem menor que a taxa do cartão de crédito e do cheque. O
carnê é uma forma de pagamento interessante, mas cada vez menos difundida,
devido a inadimplência. Raramente são as lojas que oferecem essa opção.