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:::24/01/2006
Em 2005, conforme se esperava, dado o cenário macroeconômico de juros altos,
câmbio valorizado e aumento do gasto público, a taxa de crescimento do
Produto Interno Bruto declinou, com a inflação medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,59%, acima da meta de 5,1% prevista, o que
justificou o conservadorismo do Banco Central. Este ano, o Conselho de Política Monetária (COPOM)
sinaliza que não pretende alterar significativamente a redução da taxa de
juros nos próximos meses, considerando ser esta a velocidade ideal para a
flexibilização da política monetária.
No penúltimo trimestre de 2005, a retração econômica verificada no período
foi responsável pela revisão, para baixo, do crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB) de 3,4% para 2,6%, segundo o relatório de inflação de dezembro,
divulgado logo após a reunião do COPOM. Essa retração, causada pela queda do
PIB agrícola e da produção industrial no terceiro trimestre deste mesmo ano,
após um longo período de crescimento ininterrupto, foi considerada como um
episódio passageiro, já que as fontes de crescimento da economia brasileira
- renda, emprego e crédito - continuam presentes no cenário. Neste relatório
de inflação do Banco Central, há uma previsão de crescimento de 4,0% para
2006.
Para que em 2006 esse quadro vigore, serão necessários alguns ajustes, como a redução da taxa de juros (SELIC), da carga tributária e da valorização cambial, expansão do crédito à pessoa física, além de corte dos gastos públicos e dos desperdícios (diga-se: melhor administração do recurso público, o que, em um ano de eleições, é bem improvável que aconteça). Outros fatores poderão colaborar para o crescimento de 2006, como a inflação sob controle, o bom desempenho do setor externo e a recuperação do nível de atividade econômica.
Já em comparação com o resto do Mundo, em recente trabalho realizado pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI) para o biênio 2005-2006, os países em
desenvolvimento teriam uma evolução de 6,3% para 2005, e 6,0% para 2006. No
entanto, o desempenho da economia brasileira, apesar de elogiado pelo FMI,
tem estado aquém dos índices médios registrados na América Latina e em parte
dos países do mundo. Em 2006, a economia do Brasil deverá crescer em torno
de 3,7% a 4%, e, enquanto isso, a maioria dos países emergentes,
especialmente os asiáticos e muitos de nossos vizinhos como Argentina e
Chile terão um incremento bem maior. Se compararmos nossa economia com os
demais países integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o
desempenho econômico brasileiro é ainda mais destoante.
Márcia Medeiros Mota é mestre
em Economia Aplicada pela UFV
graduada
em Ciências Econômicas pela UFJF
Sobre quais temas (da área de economia) você quer ler novos artigos nesta seção? A economista Márcia Medeiros aguarda suas sugestões no e-mail negocios_economia@acessa.com.
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