Engana-se quem pensa que guardar dinheiro em cofrinhos é uma mania apenas das crianças. Atualmente, os adultos também têm adotado a medida. De moeda em moeda, pode-se economizar um pouco e ainda acumular uma boa quantidade de dinheiro.
A faxineira Dulcicléia Conceição Luciana, 30 anos, há dois anos tem o hábito de guardar moedas nos cofres de casa. O costume começou quando seu filho ganhou o objeto e ela começou a incentivá-lo a juntar dinheiro para comprar um videogame.
Dulcicléia afirma que todas as moedinhas que recebe em troco vai guardando, mas ela
revela ter um pouco de dificuldade para poupar. "Às vezes, quando estou precisando
de dinheiro, lembro que tem guardado. "No final do ano, época em que mais ganho um trocado,
consigo economizar mais"
.
A cabeleireira Vangela Dias Barros já conseguiu economizar R$ 150
com o cofrinho. "Não consigo juntar muito, sempre tiro antes. Na hora do aperto,
recorro ao cofrinho e me ajuda bastante. De pouquinho em pouquinho, é possível conseguir
um bom resultado"
.
Para o economista José Jamil Adum (foto abaixo), cada consumidor tem uma característica de poupança. Ele diz que a utilização do cofrinho pode ter duas explicações: uma é a incompreensão sobre outras formas de poupar e a outra é devido ao valor baixo, que pode não compensar investimentos com ele".
Como as moedas têm ficado paradas nos cofrinhos, gavetas e cantos das casas, quem
precisa de troco reclama pela falta delas no mercado. Jamil afirma que isso pode
acarretar um gasto público para a emissão de novas. A circulação de moedas é, portanto,
benéfica, pois além de gerar oferta de troca no comércio, o governo gasta menos com
a produção de novas moedas.
Ele conta que há profissionais não formais se aproveitando dessa mania. "Muitos
estabelecimentos precisam de trocados e, às vezes, precisam recorrer a profissionais
não formais para efetuar a troca do dinheiro por moedas. Essas pessoas acabam tirando
vantagens, cobrando juros. Isso cai na lei básica da economia, que é a da oferta e
demanda"
.
"Têm investidores na bolsa que são independentes e têm instituições que auxiliam os interessados".
Há algum tempo atrás era comum as pessoas comprarem dólar para vender quando a moeda
estivesse valorizada. Com a disparidade atual do câmbio, Jamil considera que o negócio
não traz mais muitos benefícios. O mesmo vale para o euro.
"Têm autores que aconselham aplicar em aposentadoria privada, já que no final de
um período entre 15 a 20 anos, o retorno pode valer a pena. Têm pessoas que preferem
investir em casa própria. A escolha do investimento varia de acordo com o perfil do
consumidor (se é casado, solteiro, se têm filhos, dentre outras características) e
também com as experiências passadas"
.
Jamil aconselha ao consumidor que quer poupar e ter bons rendimentos a pensar no tempo em que o dinheiro pode ser empregado, no montante e no risco que quer correr.